Tenista mogiano João Souza, o Feijão, é banido de competições profissionais e multado

 

Atleta teria cometido vários delitos de manipulação de resultados e corrupção associada

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * – O pior que poderia acontecer para um atleta aconteceu para João Olavo Soares Souza, o Feijão, de 31 anos, tenista de Mogi das Cruzes – ex-número 1 do Brasil e atualmente rankeado na 742.ª posição ATP – foi banido para sempre do esporte neste sábado (25/01) pela Unidade de Integridade do Tênis (TIU, na sigla em inglês). A condenação, por parte do órgão internacional, aponta que o atleta cometeu “múltiplas infrações de manipulação de resultados e violações relacionadas à corrupção”,. Feijão ainda foi multado em US$ 200 mil, que no câmbio atual corresponde à R$ 834 mil.

O jogador, que já estava suspenso provisoriamente há nove meses, nega as acusações. O advogado do atleta, Michel Assef Filho, disse que vai recorrer dessa decisão à Corte Arbitral do Esporte.

A Tennis Integrity Unit é uma iniciativa da ATP, WTA, ITF e Grand Slam Board, que estão comprometidas em conjunto com uma abordagem de tolerância zero à corrupção relacionada às apostas no tênis profissional.

Uma investigação da Unidade de Integridade do Tênis (TIU) estabeleceu que, entre 2015 e 2019, o jogador cometeu inúmeras violações do Programa Anticorrupção de Tênis (TACP). Isso incluiu repetidos incidentes de manipulação de resultados nos torneios ATP Challenger e ITF Futures, realizados no Brasil, México, Estados Unidos e República Tcheca.

Ainda segundo a decisão, publicada no site da TIU, “além das ofensas de manipulação de resultados, também se constatou que o jogador tinha: falha ao relatar abordagens corrompidas; falhou em cooperar totalmente com a TIU, incluindo a destruição de evidências; solicitou que outros jogadores não usassem os melhores esforços.

O caso contra Souza foi analisado pelo professor Richard H. McLaren, Auditor Independente Anticorrupção, em uma audiência disciplinar realizada em Londres, no último dia 14 de janeiro.

A decisão do professor McLaren de impor uma proibição vitalícia. Ou seja, com efeitos a partir de 24 de janeiro de 2020, o jogador estará permanentemente inelegível para competir ou participar de qualquer evento sancionado, organizado ou reconhecido pelos órgãos governamentais do esporte.

Em março de 2019, e antes de ser acusado de crimes de corrupção, Souza havia sido suspenso provisoriamente do tênis profissional, aguardando a conclusão da investigação da TIU desse processo contra ele.

Pela decisão, Feijão não pode mais participar das competições oficiais do circuito e nem mesmo estar presente em eventos promovidos por ATP e ITF. O ex-número 1 do Brasil já ocupou o posto de 69º do ranking mundial em simples. Atualmente é o 742º. Feijão nunca conquistou títulos de nível ATP, mas ficou famoso por participar da partida mais longa da história da Copa Davis, em 2015 – trata-se do segundo mais longo da história em todas as competições.

A punição aplicada ao tenista brasileiro é a segunda mais pesada já aplicada pela TIU. Só está abaixo da dura sanção sofrida pelo italiano Daniele Bracciali em 2018. Ele também foi banido do tênis, porém com multa maior: US$ 250 mil. Entre os brasileiros já punido por entidades internacionais, Feijão foi quem sofreu a pena mais severa. No ano passado, o gaúcho Diego Matos também foi banido.

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