Taxa de desemprego cai em 16 estados e informalidade cresce, revela o IBGE

Menor taxa média de desemprego é de Santa Catarina: 6,1%

 

Vitor Abdala – Agência Brasil – Rio de Janeiro – A taxa média de desemprego fechou 2019 em queda em 16 estados, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios–Contínua (Pnad-C), divulgada nesta sexta-feira (14/02), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A menor taxa média anual de desemprego ficou com Santa Catarina: 6,1%.

Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso aparecem em seguida, todos com 8%. Já os maiores percentuais foram observados no Amapá (17,4%) e na Bahia (17,2%).

A população ocupada cresceu em 23 unidades da federação. Apesar da queda da taxa de desemprego e da ocupação, 20 estados tiveram taxa recorde de informalidade, isto é, os empregados sem carteiras, os trabalhadores por conta própria sem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) e os familiares auxiliares. A maior taxa foi anotada no Pará (62,4%), bem acima da média brasileira (41,1%). Atualmente, há no país 12,6 milhões de desempregados.

 

Percentual de pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupada na semana de referência
como empregado COM carteira entre os empregados do setor privado,
por Unidades da federação – 4º trimestre 2019
Santa Catarina 87,7
Paraná 81,2
Rio Grande do Sul 80,7
São Paulo 80,5
Rio de Janeiro 79,7
Distrito Federal 79,3
Mato Grosso 76,8
Minas Gerais 74,7
Mato Grosso do Sul 74,0
Brasil 74,0
Espírito Santo 73,4
Goiás 71,7
Rondônia 69,7
Acre 69,4
Alagoas 65,7
Amazonas 65,4
Pernambuco 64,6
Amapá 64,2
Roraima 62,2
Rio Grande do Norte 60,9
Paraíba 60,0
Tocantins 59,8
Sergipe 58,4
Ceará 58,0
Bahia 57,7
Pará 52,6
Piauí 52,5
Maranhão 47,6

 

Informalidade cresce

Segundo a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy, o aumento do emprego no país tem sido puxado pelo crescimento da informalidade. “Em vários estados a gente observa que a taxa de informalidade é superior ao crescimento da população ocupada. No Brasil, do acréscimo de 1,819 milhão de pessoas ocupadas, um milhão é de pessoas na condição de trabalhador informal”, afirmou.

Na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2019, a taxa de desemprego caiu em nove unidades da federação, com destaque para Maranhão (que recuou de 14,1% para 12,1%) e Pará (caiu de 11,2% para 9,2%). Nos demais estados, manteve-se estável.

Já na comparação com o quarto trimestre de 2018, houve queda em sete estados, com destaque para o Amapá (recuo de 19,6% para 15,6%). Apenas Goiás teve alta na taxa de desemprego neste tipo de comparação. Passou de 8,2% para 10,4%.

 

Taxa de desocupação foi de 9,2% para os homens e 13,1% para as mulheres

A taxa de desocupação no Brasil, no 4° trimestre de 2019, foi de 11,0%, mas com diferenças significativas entre homens (9,2%) e mulheres (13,1%). Taxas mais elevadas entre as mulheres foram observadas em todas as grandes regiões. As mulheres também se mantiveram como a maior parte da população fora da força de trabalho, tanto no país (64,7%) tanto em todas as regiões.

O percentual de mulheres na população desocupada no 4º trimestre de 2019 foi de 53,8%.  Entre as Grandes Regiões, observou-se também o predomínio feminino, com destaque para o Centro-Oeste (55,8%).

No 4º trimestre de 2019, o nível da ocupação dos homens, no Brasil, foi estimado em 65,0% e o das mulheres, em 46,2%. O comportamento deste indicador entre homens e mulheres foi verificado nas cinco Grandes Regiões, com destaque para a Norte, onde a diferença entre homens e mulheres foi a maior (23,9 p.p), e Sul, com a menor diferença (17,1 p.p).

 

Taxas de desocupação de pretos (13,5%) e pardos (12,6%) superam a média do país

No 4° trimestre de 2019, a taxa de desocupação dos que se declararam brancos (8,7%) ficou abaixo da média nacional, enquanto a dos pretos (13,5%) e a dos pardos (12,6%) ficou acima. No 1º trimestre de 2012, quando a taxa média foi estimada em 7,9%, a dos pretos correspondia a 9,6%; a dos pardos a 9,1% e a dos brancos era 6,6%.

O contingente dos desocupados no Brasil no 1º trimestre de 2012 foi estimado em 7,6 milhões de pessoas; quando os pardos representavam 48,9% dessa população, seguido dos brancos (40,2%) e dos pretos (10,2%). No 4º trimestre de 2019, esse contingente subiu para 11,6 milhões de pessoas e a participação dos pardos passou a ser de 51,8%; a dos brancos reduziu para 34,2% e dos pretos subiu para 13,0%.