Somente na quinta-feira, dia 4 de julho, choveu 68,4mm nas represas da região, 42,2% acima da média do mês

Média histórica de chuvas em julho, nas cinco represas, é de 48mm, mas somente na quinta choveu 68,4 mm e no mês 73 milímetros

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Com os cinco reservatórios cheios – o Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) – com cinco represas em Mogi das Cruzes e região – recebeu, somente nesta quinta-feira (04/07), 68,4 milímetros de chuva – 42,2% mais que tudo que deveria chover durante todo o mês de julho. E se levarmos em conta os cinco dias deste mês – até esta sexta-feira (05/07), as precipitações sobre os reservatórios regionais atingem 73,0 milímetros – julho já tem 65,9% de chuva a mais do que a prevista.

Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) – que diariamente divulga os dados de pluviometria e volume de água armazenadas nos diversos reservatórios paulistas.

Ainda de acordo com esses dados, o Sistema está, nesta sexta-feira, com 541,31 hectômetros cúbicos (veja abaixo) de volume total de água armazenada nas cinco represas, equivalente a 96,6% da capacidade total dos reservatórios. Ainda será preciso contabilizar, na manhã deste sábado, a precipitação desta própria sexta-feira (05/07), menor que na quinta, mas que também deve influir no aumento desses números e índices.

Tendo o cálculo por hectômetro cúbico, os cinco reservatórios do Sistema Alto Tietê tinha, na manhã desta sexta-feira, 541.000.000.000 trilhões de litros de água armazenados.

 

Risco de represas verterem água

Para quem se lembra, durante os meses do verão – e até maio e início de junho – alguns desses cinco reservatórios do Alto Tietê chegaram a limites acima da segurança e água foi vertida para rios da região. Em junho, para evitar o transbordamento das represas, água foi despejada em rios da região.

Segundo explicações da Sabesp, as barragens do Sistema Produtor do Alto Tietê não tem comportas, e sim vertedouros de superfície e de válvulas de descarga de fundo, que automaticamente despejam água quando atingem o limite máximo. Como exemplo, são como o ‘ladrão’ das caixas d’água que cada um tem em casa, se ficar cheia demais, deixa escapar o excesso para evitar o transbordamento (embora as caixas tenham uma boia que evita que mais água entre quando já está no limite).

 

Sabesp nega ter “liberado” água

Em resposta a perguntas feitas nesta sexta-feira (05/07) pela reportagem do CORREIO INDEPENDENTE, a Sabesp informa que em nenhum momento liberou água dos reservatórios do Alto Tietê. O que ocorreu, entre fevereiro e início de junho, foi que o excesso de chuvas provocou o enchimento das represas, que automaticamente iniciam o descarte da água excedente, através de estruturas posicionadas no limite máximo operacional de cada uma delas. A partir deste momento, a quantidade de água vertida depende da ocorrência ou não de novas chuvas. (como o texto afirma acima)

Como citado, no mês de junho as chuvas diminuíram e os níveis das represas foram caindo gradualmente. Com as chuvas ocorridas desde ontem (quinta-feira, dia 5 de julho), os níveis voltaram a subir, podendo ocorrer novos vertimentos das represas. Mas a tendência é que seja breve o período de precipitação, com nova estiagem em seguida, como acontece normalmente no inverno.

 

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Veja as cinco represas do Sistema Alto Tietê

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí e Taiaçupeba (veja no mapa acima). Essas represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros.
O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.