Setembro teve apenas 23% da chuva esperada sobre as cinco represas do Alto Tietê; nível total é de 60,3 da capacidade

Para setembro, a média histórica de chuvas sobre as represas era de 80 milímetros, mas só choveu mesmo 19,1 milímetros – 77% menos do esperado

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Setembro foi outro mês árido sobre as cinco represas do Sistema Produtor Alto Tietê, o Spat, na região de Mogi das Cruzes. Segundo dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), dos 80 milímetros de precipitação esperados para os 30 dias do mês, caíram efetivamente 19,1 milímetros – o equivalente a 23% da média histórica. Ou seja, choveu 77% menos que o esperado.

O Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) é composto pelos reservatórios de Ponte Nova e Paraitinga (amba em Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) – e Taiaçupeba (entre Mogi das Cruzes e Suzano).

As chuvas têm sido muito irregulares sobre as represas do Spat. Em nove meses de 2020, somente em três choveu mais que o esperado: janeiro, fevereiro e agosto. Nos demais meses do ano – março, abril, maio, junho, julho e setembro – as precipitações foram menores que a média histórica.

Em setembro, juntas, as cinco represas do Alto Tietê fecharam o mês com 60,3% da capacidade total delas, ante 65,2% do final de agosto. Em volume de água armazenada, as cinco juntas fecharam o nono mês do ano com 337,92 hectômetros cúbicos (hm3) – o que significa que há nesses reservatórios 337.920.000.000. Traduzindo para melhor entendimento, 337 bilhões e 920 milhões de litros de água acumulada. Agosto fechou acima disso, com 365,29 hectômetros cúbicos (hm3).

Entre 31 de agosto e 30 de setembro, todo o sistema perdeu 4,9% de água armazenada.

Se comparado com 30 de setembro de 2.019, quando o índice de água armazenada nas cinco represas era de 87,16%, em um ano o Spat perdeu 26,86% de líquido nos reservatórios – uma queda de 44,54%.

Embora a capacidade de armazenamento de água nas cinco represas juntas tenham fechado setembro com 60,3%, dois reservatórios, no entanto, estão com níveis muito baixos, conforme abaixo:

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Veja o volume de água em cada um dos 5 reservatórios do Spat em 30 de setembro

 

Segundo os dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em setembro, o volume médio total das cinco represas do Spat fecharam o último dia do mês com 60,3% – de um total de 100% da capacidade total.

Mas engana-se quem acredita que todos os cinco reservatórios tenham níveis idênticos. Dois deles – o de Biritiba (na cidade do mesmo nome) e o do Rio Jundiaí, entre a Rodovia Mogi-Bertioga e Taiaçupeba – operam com menos de 20% da capacidade – 15,08% e 9,73% respectivamente.

Veja então como ficou a situação em cada uma dos cinco reservatórios do Sistema Produtor Alto Tietê neste 30 de setembro, e ao lado os dados do mês anterior, agosto.

Reservatório                                        Agosto 2020       Setembro 2020

Represa de Paraitinga:                             64,98%              65,25%       

Represa da Ponte Nova:                          88,46%              85,05%      

Represa de Biritiba:                                  21.35%              15,08%           

Represa do Rio Jundiaí:                            10,56%              9,73%     

Represa de Taiaçupeba:                          34,81%               24,97%     

Totais gerais                                                65,2%                60,30%

 

Saiba onde ficam as cinco represas do Spat

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova e Paraitinga (amba sem Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) e Taiaçupeba (em Mogi das Cruzes e Suzano)conforme o mapas acima e abaixo).

Essas represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros.

O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.

O Spat foi projetado visando o aproveitamento múltiplo de recursos hídricos, com ênfase para o controle de enchentes, abastecimento público, irrigação, diluição de esgotos e lazer.

As barragens auxiliam no combate às enchentes na Região e abastecem mais de 4,5 milhões de pessoas com água de qualidade, diminuindo o investimento do Governo do Estado em tratamento.

 

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Região Metropolitana de São Paulo possui sete sistemas

O Spat – Sistema Produtor do Alto Tietê é apenas um entre os sete sistemas de represas que armazenam e abastecem de água para a Região Metropolitana de São Paulo – composta pela Capital e outros 38 municípios (Arujá, Barueri, Biritiba Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema,Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel, Santana do Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista).

Os sete sistemas são: Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço.