Setembro Amarelo: Mogi promove diversas ações de conscientização e prevenção ao suicídio; no mundo, a cada 40 segundo há uma ocorrência

 

DE MOGI DAS CRUZES – Uma programação especial  está sendo feita pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Rede Municipal de Atenção Psicossocial, para fortalecer o “Setembro Amarelo”, campanha brasileira de prevenção ao suicídio. Para conscientizar e fortalecer as ações, unidades de saúde promovem atividades voltadas para a conscientização, informação e diálogo sobre o tema. O mês foi escolhido para a campanha porque 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

O assunto, que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e pela falta de informação. Em Mogi das Cruzes, as ações ocorrem em atenção à Lei Municipal nº 7.391, de 28 de setembro de 2018, que institui a “Semana de Valorização da Vida”.

O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, atrás apenas de acidentes de trânsito. E a cada 40 segundos uma pessoa se suicida, sendo que 79% dos casos se concentram em países de baixa e média renda. Esses e outros dados fazem parte de um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta segunda-feira, (09/09), véspera do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio – comemorado neste 10 de setembro.

Quando olhamos para uma faixa etária ainda mais jovem – de 15 a 19 anos -, o suicídio aparece como segunda causa de mortes entre as meninas, após as complicações na gravidez, e a terceira entre meninos, depois de acidentes de trânsito e violência.

A OMS estima que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio por ano- os números do relatório são referentes a 2016. No Brasil, foram registrados 13.467 casos, a grande maioria – 10.203 – entre homens, segundo a entidade.

Os números da publicação apontam que a taxa global de suicídio foi de 10,5 por 100 mil habitantes. Há diferenças quando se observa a renda dos países. Nos de média renda, o índice foi de 9 por 100 mil; nos de baixa, de 10,8 por 100 mil; e nos de alta renda, 11,5 por 100 mil – nesses, o número de mortes de homens foi quase três vezes maior que o de mulheres.

No período de 2010 a 2016, a região das Américas foi a única a apresentar crescimento da taxa global de suicídios. A alta foi de 6% enquanto a taxa global caiu 9,8%. A região do Pacífico Ocidental e do Sudeste Asiático também registraram queda de 19,6% e 4,2%, respectivamente.

Mais da metade dos casos de morte por suicídio no mundo (52,1%) ocorre entre pessoas com menos de 45 anos.

De acordo com a OMS, o número de países que têm estratégias de prevenção ao suicídio cresceu nos últimos cinco anos, desde a publicação do primeiro levantamento da organização sobre o tema, mas ainda é considerado baixo – são 38 países.

_____________________

Programação em Mogi começou dia 2 de setembro

A programação do Setembro Amarelo em Mogi das Cruzes foi iniciada no dia 2 de setembro com uma palestra ministrada no Tiro de Guerra pela equipe do Posto de Saúde Vila Suíssa. Na quinta, dia 5, a unidade realizou a primeira roda de conversa e, até o final do mês, diversos eventos serão promovidos pelas unidades de saúde.

No dia 17, às 14 horas, a médica Patrícia Guterres Oliveira, diretora clínica do Ambulatório de Saúde Mental e pós-graduanda em Psiquiatria Infantil, fará a videoconferência “Setembro Amarelo – Violências Autoprovocadas: Aspectos Epidemiológicos, Manejo e Prevenção” para educadores da Rede Estadual de Ensino. O objetivo é multiplicar as informações para aumentar as possibilidades de proteção das crianças e adolescentes, com espaço para os participantes tirarem dúvidas sobre o tema.

No CAPS II – Centro de Atenção Psicossocial, a psicóloga Cristiane Meloni Paraventi, juntamente com a equipe de saúde, preparou uma agenda especial para os pacientes e familiares. Ao longo do mês, serão realizadas oficinas sobre o tema, mensagens inspiradoras e a palestra “Como ajudar alguém com comportamento suicida”. Também serão ofertadas atividades físicas ao ar livre. Outras unidades de Saúde, como Vila Suíssa, Jardim Camila e Cecco – Centro de Convivência e Cooperativa, também prepararam uma agenda de eventos para reforçar o Setembro Amarelo. Em todos os equipamentos, o tema será lembrando.

Práticas Integrativas na cidade

Além dos protocolos tradicionais de atendimentos preconizados pelo Ministério de Saúde adotados pelo município, algumas unidades mogianas investem em oficinais e práticas integrativas como forma de auxiliar no tratamento e prevenção de doenças. As atividades exercidas auxiliam na promoção da saúde e servem para identificação, prevenção e combate à depressão e ao suicídio.

As rodas de conversas estão entre as práticas integrativas mais utilizadas nos equipamentos de saúde. Os psicólogos Adriano Sérgio Granado e Guilherme dos Santos, da UBS Jundiapeba, utilizam o diálogo abordando temas que refletem diretamente no dia-a-dia dos participantes. “Ao adotar as práticas integrativas, percebemos que nem tudo é questão de passar com médico. Numa roda de conversa podemos dialogar, desabafar, falar de superações e assim construirmos um ambiente propício para a promoção de saúde”, explica Guilherme. Os encontros também são oportunidades para identificar comportamentos que reflitam sinais da depressão.

Confira os principais eventos do Setembro Amarelo:

Dia 17/09: Videoconferência “Setembro Amarelo – Violências Autoprovocadas: Aspectos Epidemiológicos, Manejo e Prevenção” com a coordenadora médica do Ambulatório Municipal de Saúde Mental, Patrícia Guterres, para a Rede Estadual de Ensino

 

Caps II – Centro de Atenção Psicossocial

16/09: Caminhada no Parque Centenário com lanche – Promoção da qualidade de vida, bem-estar e convívio social. Exposição de artesanatos confeccionados pelos usuários na cor amarela.

17/09: Oficina aberta de dança. Roda de violão com o professor David.

18/09: Oficina de Mensagens Inspiradoras: trabalhando os sentimentos de valorização da vida.

19/09: Oficina “Histórias de apoio e superação” – Fortalecendo a autoconfiança e a capacidade de resolução dos problemas.

20/09: Oficina educativa – “Como ajudar alguém com comportamento suicida?” Roda de conversa e debates.

25/09: “Um Dia no Parque” – Atividades ao ar livre. Visibilidade da cor amarela e lanche de confraternização entre os usuários e familiares.

______________________________

UBS Jardim Camila

Dia 10/09: Matriciamento na UBS Vila Natal com discussão do tema pela equipe de profissionais participantes.

Dias 10, 18 e 30/09, às 9 horas: Rodas de conversas com pacientes e familiares sobre Depressão e Prevenção do Suicídio

______________________________

UBS Vila Suíssa

Dia 02/09: Palestra no Tiro de Guerra

Dias 13 e 27/09, às 13h30: Roda de conversa no Grupo Gestar (gestantes)

Dias 05, 12, 19 e 26/09, às 13h: Roda de conversa no grupo Mamãe-bebê. O tema será abordado em todos os grupos de psicoterapia (adolescentes, adultos, idosos e orientação de pais) como espaços de conversa sobre prevenção ao suicídio e também nas salas de espera.

______________________________

Cecco – Centro de Convivência e Cooperativa

Dia 13/09, das 14 às 17 horas: Roda de conversa com usuários e familiares.

______________________________

UBS Jundiapeba

Dia 19/09, às 14h30: Oficina de Prática Meditativa, método que permite transformações mentais, emocionais e físicas, promovendo harmonia e melhora na qualidade de vida.

Obs.: atividade será realizada no auditório da Unica, que fica na Rua Professora Lucinda Bastos, 1.790

____________________________

 

Preste atenção aos sinais que precedem um suicídio

 

Um suicídio é precedido dos chamados sinais de alerta, como: Depressão causa tristeza profunda e pessimismo, sentimentos que podem culminar em comportamentos suicidas. Segundo o Ministério da Saúde, os sinais mais frequentes são irritabilidade, ansiedade, angústia, desânimo, cansaço fácil, e diminuição ou incapacidade de sentir alegria.

 

Outros sinais

Há também outros comportamentos que devem ser observados, de acordo com o Ministério da Saúde: aumento de sentimentos de medo e baixa autoestima, dificuldade de concentração, perda ou alta do apetite e do peso, raciocínio mais lento e episódios frequentes de esquecimento.

 

Surgimento de doenças

Pessoas com depressão podem apresentar baixa no sistema de imunidade, problemas inflamatórios e infecciosos. Dependendo da gravidade, a depressão também pode desencadear doenças cardiovasculares, como enfarte, acidente vascular cerebral (AVC) e hipertensão.

 

Prevenção

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9 em cada 10 mortes por suicídio podem ser evitadas e a prevenção é fundamental. O assunto ainda é considerado tabu, e é fundamental que em momentos difíceis as pessoas consigam pedir ajuda para familiares, amigos ou um médico.

 

Onde buscar ajuda?

O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV, em parceria com o SUS, pode ser feita pelo número 188. As ligações são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular.

Também é possível acessar o site www.cvv.org.br para falar por chat, e-mail ou obter mais informações.

_____________________

Socorro especializado pode ser decisivo para evitar suicídio

Gilberto Costa –  Agência Brasil – Brasília – O atendimento de equipes especializadas e multidisciplinares pode ser determinante para evitar o suicídio. A opinião é do psiquiatra Leonardo Luz, do Conselho Federal de Medicina. “O Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – 192] deve ser acionado porque é uma emergência médica”, afirma.

Representante do Piauí, o médico reconhece, no entanto, que não há em todas as localidades do país serviço de urgência para casos de suicídio. “Há relatos Brasil afora onde o Samu não têm equipe para o atendimento, os bombeiros e a polícia é que acabam cuidando. Eles podem até ser rápidos, mas não têm recursos para fazer esse atendimento”.

Durante todo este mês, realiza-se no país a campanha Setembro Amarelo, de conscientização e prevenção sobre o tema. Desde 2003, o dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

No Distrito Federal, a Central de Informações Toxicológicas e Atendimento Psicossocial (Ceitap), da Secretaria de Saúde, mantém um carro do Samu disponível para equipe especializada, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e condutor socorrista.

Segundo a gerente da Ceitap, a enfermeira Carla Pelloso, a equipe “consegue intervir no momento em que a pessoa está em situação na qual perde o controle dos próprios atos e tem esses pensamentos acentuados de morte”. A iniciativa envolve conversa e acolhimento para que “a pessoa deixe de pensar no ato [de matar-se], vislumbre outro caminho e perceba que aquela não é a única saída”.

A psicóloga Janaína Milagres, especialista em psicopatologia e psicodiagnóstico infantil e psicologia hospitalar e da saúde, lembra que “o apoio psicológico no momento de crise é de grande importância para aliviar o sofrimento, diminuindo a angústia das emoções e das situações traumatizantes”.

Conforme o psiquiatra Leonardo Luz, a interlocução é uma “fala ativa para ganhar tempo” e levantar informações “para classificar risco”, conhecer histórico pessoal e identificar o perfil de quem ameaça se matar.

Entender os sinais

 Depressão, suicidio
Depressão – Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

De acordo com o site da campanha Setembro Amarelo, de esclarecimento sobre suicídio, entre as causas em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias (como álcool e drogas). O site informa que no Brasil são registrados cerca de 12 mil suicídios por ano (mais de 1 milhão no mundo). Cerca de 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais.

Leonardo Luz diz que o suicídio é a última etapa de um processo que, em geral, segue os momentos de ideação, planejamento ou intenção e tentativa. A avaliação médica pode identificar a necessidade de psicoterapia e de prescrição de medicamentos.

Para Janaína Milagres, é necessário que familiares e amigos fiquem atentos ao comportamento. A avaliação é de que antes do ato de suicídio a pessoa exibe sinais que poderão resultar na tentativa.

“O pedido de socorro acontece de várias formas. Muitas atitudes podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade”.

Na internet, é possível localizar em sites especializados mais informações sobre o suicídio. Além do site da campanha Setembro Amarelo, o Conselho Federal de Medicina mantém manuais, protocolos e cartilhas sobre o ato, e o Ministério da Saúde descreve em seu glossário várias informações úteis para leigos e médicos, como onde buscar ajuda e ter publicações especializadas.