Secretaria da Saúde de Mogi das Cruzes orienta sobre cuidados para prevenir acidentes com escorpiões e cobras

DE MOGI DAS CRUZES – O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Mogi das Cruzes orienta a população sobre os cuidados necessários para evitar acidentes com escorpiões, cobras e outros animais peçonhentos. Entre as principais medidas preventivas estão manter limpos quintais, terrenos, jardins, sótãos, garagens e depósitos para evitar o acúmulo de folhas secas, lixo, madeiras, entulhos, telhas, tijolos e lenhas.

O escorpião é um aracnídeo terrestre de hábitos noturnos e o seu surgimento é mais comum no período de altas temperaturas. Ele se esconde durante o dia em áreas sombreadas e úmidas, como troncos de árvores, pedras, tijolos, construções, frestas de muros, dormentes de estrada de ferro, lajes de túmulo e se alimentam de baratas, grilos, cupins e aranhas, ou seja, a proliferação destes insetos favorece o surgimento de escorpiões.

Já as cobras podem ser atraídas principalmente por ratos, por isso a importância de manter quintais, terrenos e outras áreas sempre limpas. “Nossa orientação é manter totalmente roçada uma área de 3 a 5 metros em volta da residência”, explica o veterinário Eduardo Sigahi.

No caso de encontrar uma cobra, a principal orientação é não fazer movimentos bruscos, que podem ser interpretados como agressão. Além disso, a maioria dos acidentes ocorrem na área do tornozelo, por isso é recomendado o uso de botas, calças e meias de cano longo para quem trabalha ou circula em áreas de mata.

Em caso de picada, seja por escorpião ou cobra, ou até mesmo outros animais, como aranhas, a pessoa precisa procurar assistência médica o mais rápido possível, levando, sempre que possível, o animal para ser identificado. Também pode ser uma foto do animal. “Essa orientação é mais importante para o caso de acidentes com cobras, porque existem vários tipos”, explica o veterinário.

A referência de atendimento médico para esses casos é o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, já que a aplicação do soro deve ser feita em ambiente hospitalar. Em 2018, Mogi das Cruzes registrou 79 casos de acidentes por animais peçonhentos, dos quais 45 pacientes eram residentes no município e os demais em municípios vizinhos, como Suzano e Guararema, que procuraram atendimento no hospital de referência. Dos 45, 18 sofreram ferimentos por cobra, 16 por aranhas, seis por escorpiões, quatro por abelhas e um por lagarta.

 

Principais dicas de prevenção:

  • Manter limpo quintais, jardins, sótãos, garagens e depósitos, evitando acúmulo de folhas secas, lixo e demais materiais como entulho, telhas, tijolos, madeiras e lenhas.
  • Examinar calçados, roupas e toalhas antes de usá-los.
  • Manter berços e camas afastados das paredes.
  • Ao manusear materiais de construção, usar luvas de raspa de couro e calçados, preferencialmente botas.
  • Rebocar paredes e muros que apresentem vãos e frestas.
  • Vedar soleiras de portas com rolos de areia.
  • Usar telas em ralos do chão, pias e tanques.
  • Acondicionar o lixo em recipientes fechados para evitar baratas e outros insetos que servem de alimento aos escorpiões.
  • Realizar roçada regular de terrenos.
  • Evitar acúmulo de lixo ou entulho perto de casa.
  • Preserve as aves: elas são predadoras naturais das cobras.

 

Curso inédito do Instituto Butantã abordará cuidados com escorpiões

No dia 29 de janeiro (2019), o Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e um dos maiores centros de pesquisa do mundo, realizará, na Capital paulista, um curso inédito sobre escorpiões. De acordo com os organizadores, a iniciativa contará com a participação de aproximadamente 200 técnicos de zoonoses e profissionais da área.Vale destacar que a ação ocorre em razão da proliferação dos animais, sobretudo nas cidades, e do aumento dos acidentes. O território brasileiro registrou crescimento de 54% no número total de atendimentos por picada de escorpião em 2018 (141 mil casos) se comparado com o ano de 2016 (91 mil). São Paulo foi o segundo no ranking de acidentes de 2018 no Brasil, atrás da Bahia.

“Como referência no setor, o Butantan não poderia deixar de exercer um papel importante no contexto da saúde pública, ao compartilhar informação de qualidade com os profissionais da linha de frente do combate à questão”, ressalta o coordenador do Centro de Ensino do Instituto Butantan, Paulo Nico Monteiro.

“Nosso objetivo é atualizar os profissionais, que atuam em várias cidades, para que possam realizar atividades na vigilância e controle de escorpiões” salienta a coordenadora do Núcleo de Venenos e Antivenenos do Instituto Butantan e diretora do Laboratório de Artrópodes, a médica Fan Hui Wen.

Conteúdo

 

A programação do curso engloba tópicos relacionados à biologia, hábitos e formas de reprodução dos animais, técnicas de coleta e política de controle, produção de soro e indicações de uso, além da política de distribuição de soros no Estado, entre outros.

No intervalo do almoço, será realizada uma atividade interativa, na qual serão apresentados exemplares de espécies e materiais utilizados no manuseio dos animais. Embora a picada tenha consequências leves na maioria dos casos, há uma preocupação com crianças de até doze anos e idosos, mais suscetíveis a complicações. No ano passado, doze paulistas morreram em decorrência da picada de escorpião.

O Instituto Butantan é o maior produtor de soro anti-escorpiônico do Brasil (500 mil frascos-ampôlas por ano), fornecendo o produto ao Ministério da Saúde, responsável pela distribuição na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O soro é feito à base do veneno retirado de 10 mil escorpiões criados no biotério da entidade.

Serviço

Controle de Escorpiões de Importância em Saúde – Curso
Público-alvo: profissionais de saúde e técnicos de zoonoses (inscrições encerradas)
Data: 29 de janeiro de 2019
Horário: 9h às 16h
Local: Auditório do Museu Biológico