Se março foi seco, abril pior ainda; choveu apenas 3,5% do esperado nas 5 represas do Sistema Produtor Alto Tietê, na região de Mogi

Abril mais do que seco sobre as cinco represas da região de Mogi das Cruzes

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Se as águas de março não vieram sobre as cinco represas do Spat – Sistema Produtor do Alto Tietê, abril foi muito pior. Do volume de chuva esperado, choveu apenas 3,5% do esperado, uma das mais baixas pluviometrias de todos os tempos. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Em março, dos 172,8 milímetros esperados – choveu efetivamente apenas 57,9 milímetros. Em abril a secura foi quase que total. A média histórica de pluviometria sobre as cinco represas era de 95,9 milímetros, mas choveu apenas 3,7 milímetros – ou seja – 3,5% de toda água esperada.

De acordo com a Climatempo, em Mogi das Cruzes e em toda a Região Metropolitana de São Paulo (que inclui a Capital e outras 38 cidades), este abril foi o segundo abril mais seco no histórico da medição automática, que começou em julho de 2006, portanto em 14 anos.

A falta de chuva também foi sentida entre São Paulo e o sul de Minas Gerais, nas áreas de captação do Cantareira, que é o maior reservatório que abastece a Grande São Paulo.

Com tanta falta de chuva, o nível geral dos reservatórios fecha abril com 83,2% da capacidade de armazenamento de água. Em março as represas fecharam o mês com 88,9%. Não é um risco para o abastecimento do Alto Tietê de parte da Grande São Paulo e a Capital paulista, mas um sinal de que é preciso economizar água, visto que a secura deve continuar a medida que avança o Outono e o Inverno, estações habitualmente mais secas do ano.

O Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) é composto pelos reservatórios de Ponte Nova e Paraitinga (amba em Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) – na foto acima – e Taiaçupeba (entre Mogi das Cruzes e Suzano).

 

Maio deve ter chuva no leste do Estado

De acordo com a meteorologia, o mês de maio deve ter, a partir do domingo, chuva e queda nas temperaturas do leste do Estado de São Paulo, incluindo o Alto Tietê e todo o restante da Região Metropolitana. Segundo Andrea Ramos, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições de menos chuvas podem ser consideradas características do Outono. “Tem uma massa de ar seco sobre a região, que impede a formação de chuvas em todo o estado de São Paulo”.

Os modelos do Inmet apontam ainda que apenas a região leste do Litoral Paulista pode receber alguma chuva, essa influenciada pela atuação de uma frente fria no sul do país. Ainda assim, segundo Andrea, a tendência é que a chuva aconteça de maneira muito rápida.

Segundo a Climatempo, no final da semana, que já será o início de maio, uma frente fria vai passar pelo litoral paulista, mas sem força para causar grandes mudanças no tempo. Até pode chover um pouco pelo litoral, mas na região da cidade de São Paulo, no máximo poderemos ter algum chuvisco à noite em poucas áreas.

É possível que municípios do Grande ABC e bairros do extremo sul da cidade de São Paulo fiquem com bastante nebulosidade tem alguma garoa à noite no primeiro fim de semana de maio. Mas a chuva só deve vir com força após o dia 5 de maio, quando uma grande frente fria deve chegar forte ao Brasil provocando chuva, não só na Região Sul, mas também em vários estados do Sudeste do Centro Oeste até do Norte do Brasil.

Mas é preciso lembrar que este tipo de frente fria passa rapidamente. Então, a chuva não vai persistir por muitos dias. Logo depois da chuva vem o frio e o tempo seco.

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Veja o volume de água em cada um dos reservatórios do Spat no último dia de abril

Embora o saldo total de água acumulada nas cinco represas da região juntas tenha fechado março com 83,2% – de um total de 100%, o volume armazenado em cada uma das represas não tem o mesmo nível de água.

Por exemplo, o reservatório da Ponte Nova é o mais cheio, enquanto que o de Biritiba segue o mais vazio entre os cinco – ou seja – com com mais e menos água armazenadas, respectivamente.

Veja então como ficou a situação em cada uma dos cinco reservatórios do Sistema Produtor Alto Tietê ao final de março.

Represa de Paraitinga: 87,30%

Represa da Ponte Nova: 95,60%%

Represa de Biritiba: 30,19%

Represa do Rio Jundiaí: 66,67%

Represa de Taiaçupeba:  69,52%

 

Total médio de ocupação de água mas 5 represas do Spat ao final de abril: 83,2%

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Saiba onde ficam as cinco represas do Sistema Alto Tietê (Spat)

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova e Paraitinga (amba sem Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) e Taiaçupeba (em Mogi das Cruzes e Suzano)conforme o mapa acima).
Essas represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros.
O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.
 
Foto: Prefeitura de Mogi das Cruzes / Divulgação