Sua saúde: saiba qual é o alto preço que você pagará pelas noites mal dormidas

No dia mundial do sono, 13 de março, entenda como prevenir doenças e ter uma qualidade de vida adotando hábitos simples

 

DE SÃO PAULO – De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 45% da população mundial sofre com algum tipo de distúrbio do sono, cuja gravidade envolve riscos de doenças físicas e emocionais e mentais. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo conta em sua rede com profissionais que auxiliam no diagnóstico e tratamento desse problema. Vale lembrar que a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) municipal. Para saber qual a UBS mais próxima da sua casa, acesse o Busca Saúde.

“É durante um sono noturno de boa qualidade que as vivências são armazenadas em nossa memória, favorecendo a atenção e o aprendizado, os hormônios se autorregulam, impactam inclusive no crescimento, e as células se regeneram/revitalizam, inclusive as células nervosas. A isso denominamos ‘busca contínua do equilíbrio homeostático’, estabilidade dinâmica ou equilíbrio das funções do organismo e de suas reações químicas e bioelétricas”, explica o psiquiatra da área técnica de Saúde Mental da SMS, Elko Perissinotti.

O especialista destaca ainda que uma boa noite de sono promove a manutenção sadia da memória, propriamente dita, determina maior eficácia das funções conativas e cognitivas, ativa a neuroplasticidade e neurointegração cerebral, por mecanismos de seleção do que deve ser, de fato, ativado ou desativado, e vários hormônios importantes, como o do crescimento para a criança. “Dormir bem traz melhor disposição e energia para as atividades da vida diária, mas pouquíssimos dormem bem, isto é, fazem o completo e correto ciclo circadiano do sono, no município de São Paulo, em Nova Iorque, Paris ou Londres”, acrescenta Perissinotti que alerta para o uso abusivo calmantes, como clonazepam, alprazolam e etílicos.

Sem dúvida, dormir é vital para a saúde geral. O sono, contudo, é um exemplo de função fisiológica cerebral/mental que nessa civilização moderna geralmente provoca a incapacidade de repousar adequadamente: a insônia, que pode se apresentar sob três tipos:

 

  1. Insônia inicial ou dificuldade de “desligar”;
  2. Intermediária (acordar várias vezes);
  3. Final (despertar muito precoce). 

 

Para implementar uma rotina saudável do sono, recomenda-se não manter o cérebro em intensa atividade após as 18h, não ingerir alimentos e bebidas excitantes (café, refrigerantes, energéticos), não discutir graves problemas familiares durante o jantar ou que interfiram nas atividades do Sistema Nervoso Central ou no Centro das Emoções (sistema límbico) e evitar bebidas alcoólicas que podem provocar uma falsa qualidade do sono. “A acupuntura, o relaxamento neuromuscular, com ioga ou meditação, e a massagem são mais recomendáveis para se obter uma noite bem dormida.

 

Evolução do sono

O sono evolui em fases ou ciclos, de leves a profundos. Há o sono mais lento, há o sono REM (sigla em inglês para Rapid Eye Movement, ou “movimento rápido dos olhos”, na tradução) – que é dividido em três fases ou estágios, de acordo com a progressão da sua profundidade, e há o sono não REM, que se caracteriza pela atividade cerebral mais rápida. É a fase em que ocorrem os sonhos. “Esses estágios se repetem, em média, quatro vezes por noite de sono”, destaca o especialista.

Com os avanços recentes de estudos sobre o sono, recomenda-se não dormir menos de oito horas por noite. “Em caso de extrema impossibilidade, nunca dormir, rotineiramente, menos de seis horas por noite, uma vez que teremos menos poder de concentração focal diurna e os reflexos não serão tão ágeis para tarefas como dirigir, de onde surgem os nocivos abusos de cafeína e energéticos. O rendimento escolar e no trabalho acaba sendo frequentemente inferior”, avisa o médico.

Perissinotti também adverte quem, por conta de distúrbios do sono, pode causar danos a outras pessoas, como cirurgiões e caminhoneiros. Profissionais que vivem constantemente sob forte ameaça de hipertensão, infarto, derrame, tiques nervosos psicogênicos, bruxismo, que é o ranger de dentes, diurno ou noturno. Com o passar dos anos, as noites mal dormidas podem gerar outras consequências: mau humor frequente, comportamento agressivo, facilidade para o abuso de todas as drogas lícitas ou ilícitas, diminuição do grau de empatia e compaixão, comprometimento da atenção voluntária e involuntária. “Grosso modo, não seria recomendável tentar ter um banco de horas de sono para recuperar o sono perdido, dormindo horas a mais, uma ou duas vezes por semana, o que é feito por muitas pessoas. O ritmo diário está sendo constantemente rompido.”

 

Colchão e travesseiros

Sabe-se, hoje, que os tipos de colchões e travesseiros devem ser ergonômicos, adequados ao peso da pessoa, à situação anatômica da coluna cervical (relação colchão-travesseiro) e ao restante da coluna. Muitos são os que sofrem de refluxo – esofagite de refluxo gastroesofágico, e uma das opções terapêuticas é conversar com o médico sobre a elevação da cabeceira da cama em 15 cm.

Sintomas e distúrbios do sono

Alguns sintomas que indicam noites mal dormidas são a sonolência diurna, dificuldades em manter o foco de atenção, perda ou diminuição da força física, preguiça, certa impulsividade e irritabilidade. Distúrbios do sono como roncos, pesadelos constantes, síndrome das pernas inquietas, que requer cautela quando se usa antidepressivos, excesso de sono, adormecer abruptamente durante o dia, terror noturno, sonambulismo e falar durante o sono também podem, inicialmente, ser avaliados pelo clínico geral na UBS.

De acordo com o resultado da avaliação, o médico poderá solicitar exames e, dependendo da situação, referenciar para algum especialista como neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista, odontólogo buco-maxilo, psiquiatra e, atualmente, especialistas em medicina do sono. As causas geralmente são multifatoriais, como fatores genéticos, biológicos e ambientais. Ao se observar um ou dois sinais de sono disfuncional, como os relatados acima, consulte um especialista. O sono de boa qualidade pode retardar o aparecimento de doenças neurodegenerativas.