Represas do Alto Tietê recebem 88,46% a mais de chuva que o esperado para fevereiro. Sabesp libera água de Taiaçupeba

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Fevereiro foi um mês bastante chuvoso sobre as cinco represas que compõem o Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) – diferente dos meses anteriores. O mês termina com 367,3 milímetros de chuva sobre o sistema – contra os 194,9 milímetros de expectativa. Ou seja, choveu 88,46% a mais que o esperado para o mês. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) – que diariamente divulga os dados de pluviometria e volume de água armazenadas nos diversos reservatórios paulistas. Esse total  é o maior em 17 anos, desde Companhia iniciou a divulgação dos índices.

Foi tanta chuva – e continua chovendo – que tanto a Sabesp quanto o  Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), liberaram água da Represa de Taiaçupeba nesta quinta-feira (28/02), a fim de manter os protocolos de segurança do reservatório. (leia mais abaixo)

Em Mogi das Cruzes, com o rio em nível alto, técnicos monitoram os quatro lados do Parque Centenário ((leia mais abaixo).

Há um ano – em 28 de fevereiro de 2018 – o volume de água armazenado nas cinco represas do Spat era de 59,2%, e neste último dia de fevereiro de 2019 subiu para 72,6%, equivalente a 406,45 de hectômetros de água. Como comparação, cada hectômetro cúbico equivale a 1.000.000.000 (um bilhão de litros).

Isso é um alívio, visto que em 2018, dos 1.447,2 milímetros esperados de chuva sobre as cinco represas, somente 943,0 milímetros caíram efetivamente – gerando um déficit de 504,2 milímetros e colocando em risco o nível total de armazenamento de água no Sistema Produtor do Alto Tietê (veja no quadro abaixo).

E se 2018 foi um ano péssimo em termos de chuvas, janeiro de 2019 não ficou atrás. Os dados sobre a pluviometria nas represas de Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí e Taiaçupeba apontam que choveu 212,3 milímetros, 86,25% dos 246,1 milímetros esperados para todo o primeiro mês do ano.  Ou seja, 33,8 mm a menos do que a expectativa.

Mesmo assim, a Sabesp mantém a recomendação de que é preciso consumir água com responsabilidade (leia mais abaixo). 

Capital

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), na Capital paulista o mês de evereiro deste ano teve um volume de chuvas de 375 milímetros, muito acima do normal, perdendo só pra 1995, quando choveu 415,9 mm. A média histórica para fevereiro é de 210,1 mm. Mas ano passado (2018) choveu só 64 mm, terminando como o mais seco desde 1995.

 

2018 foi um ano de pouca chuva sobre as represas da região de Mogi das Cruzes

 

MÊS                                     CHUVA EFETIVA                EXPECTATIVA                         DIFERENÇA
Janeiro                                               194,4 mm                                   246,1 mm                                     – 51,7 mm
Fevereiro                                             53,9 mm                                   194,9 mm                                   – 141,0 mm
Março                                                 138,5 mm                                   172,8 mm                                     -34,3 mm
Abril                                                      67,2 mm                                     95,9 mm                                    -28,7 mm
Maio                                                      13,9 mm                                     76,2 mm                                    -62,3 mm
Junho                                                   17,7 mm                                      56,9 mm                                    -39,2 mm
Julho                                                    13,1 mm                                      48,1 mm                                     -35,0 mm
Agosto                                                  43,6 mm                                     36,3 mm                                         7,3 mm
Setembro                                             48,5 mm                                     82,4 mm                                    -33,9 mm
Outubro                                              138,5 mm                                   113,8 mm                                      24,7 mm
Novembro                                            93,2 mm                                   130,8 mm                                    -37,6 mm
Dezembro                                           120,5 mm                                  193,0 mm                                    -72,5 mm
Totais                                                   943,0 mm                               1.447,2 mm                                  -504,2 mm
Fonte: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)
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Pelo quadro acima é possível perceber que de janeiro a julho do ano passado (2018), todos os meses choveu bem menos que o esperado nas cinco represas da região de Mogi. Em agosto choveu mais que a expectativa, mas muito pouco.
Mas em setembro voltou a chover menos que o esperado – e no mês seguinte as precipitações já foram maiores que a expectativa, mas em novembro e dezembro os índices de chuva voltaram a ser menores que a médica histórica.
Em resumo, apenas em dois meses de 2018 – agosto e outubro – choveu mais que o que era esperado para as cinco represas.

Defesa Civil de Suzano descarta riscos com liberação de água da Taiaçupeba

 

DE SUZANO – A Defesa Civil de Suzano acompanha, desde a manhã desta quinta-feira (28/02), a liberação preventiva de água da represa de Taiaçupeba, localizada na região do Jardim Maitê, e descarta riscos de alagamentos. O procedimento, realizado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), tem como objetivo manter os protocolos de segurança do reservatório.

Estiveram presentes o secretário municipal de Segurança Cidadã, Jefferson Ferreira dos Santos, o coordenador da Defesa Civil de Suzano, Antonio Wenzler, e o assessor estratégico do gabinete do Executivo, André Chiang. Também participaram o coordenador da Defesa Civil de Itaquaquecetuba, Anderson Silva, e o representante do DAEE Ernesto Nobuo Mori.

Segundo técnicos do governo estadual, o procedimento ocorre preventivamente durante o período de chuvas para evitar o acúmulo excessivo de água na barragem. A abertura da válvula está em 200 litros por segundo e acontecerá de maneira progressiva até a liberação de 500 litros por segundo. A expectativa é de que em até dois dias a situação esteja normalizada. Segundo Mori, toda a operação é monitorada em tempo real para que não haja nenhuma intercorrência.

Também foram realizadas vistorias em outros pontos estratégicos ao longo do canal por onde a água é escoada – que está distante das moradias do Jardim Maitê – com o objetivo de garantir o fluxo adequado. Os integrantes das Defesas Civis de Suzano e de Itaquaquecetuba não encontraram nenhum problema no trecho entre o reservatório e o rio Taiaçupeba, no limite com Mogi das Cruzes, onde o volume deságua e segue para o rio Tietê.

A Prefeitura de Suzano esclarece que, diferentemente do que chegou a ser divulgado nas redes sociais, não há nenhum risco imediato à população com a abertura da válvula da represa, no limite com Mogi das Cruzes nem motivos para pânico. “Este procedimento foi comunicado de maneira preventiva pela Sabesp para a região do Alto Tietê, mas houve precipitação e desinformação por parte de algumas pessoas. Estamos atentos à situação e trabalhando com o governo do Estado e com outros envolvidos para garantir que não haja nenhum prejuízo”, explicou o secretário de Segurança Cidadã.

 

Órgão municipal acompanha de perto o procedimento e garante que a abertura da válvula está dentro dos padrões de segurança do DAEE – Fotos: Wanderley Costa/Secop Suzano

Mogi: com Tietê cheio, técnicos monitoram nível dos lagos do Parque Centenário

DE MOGI DAS CRUZES – Com as chuvas intensas de fevereiro, o nível do rio Tietê aumentou e provocou reflexos no Parque Centenário. Os lagos do parque possuem comportas de ligação com o rio e ficaram mais cheios por conta da água vinda do Tietê. A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente monitora a situação, com o apoio do professor Alexandre Hilsdorf, do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e membro do Conselho Mogiano de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comoma).

O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Daniel Teixeira de Lima, explica que as águas do Tietê e dos lagos possuem temperaturas diferentes, o que pode afetar os peixes que vivem no Parque Centenário. Os lagos estão cheios e os técnicos da secretaria acompanham o nível diariamente, assim como a situação dos peixes. Durante todo o mês de fevereiro deste ano, choveu 356 milímetros em Mogi das Cruzes, dez mezes mais do que o volume registrado no ano passado, quando choveu 33 milímetros.

“Além disso, também choveu muito na cabeceira do Tietê, o que elevou o volume do rio e das represas do Sistema Alto Tietê. Apesar disso, nós não fomos avisados pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) sobre o aumento da vazão das represas, o que acarretou esse reflexo no rio Tietê e consequentemente no Parque Centenário”, explicou.

O secretário vai ao Centenário diariamente e informou que nesta sexta-feira (01º/03) o rio subiu novamente, com a água chegando até a trilha localizada no fundo do parque. “Temos um protocolo de atuação definido para situações como esta, que inclui isolar as áreas afetadas, informando os frequentadores, o que já aconteceu. Além disso, a Guarda Municipal está presente no parque todos os dias e contribui para orientar as pessoas, zelando pela segurança do público de uma forma geral”, completou

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Saiba quais são as cinco represas do Spat

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí e Taiaçupeba (veja no mapa abaixo). As represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros. O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.

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Sabesp pede que a população use a água com responsabilidade

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 mil litros de água por mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender às necessidades de consumo e higiene).

No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.

Um pouco mais da metade da água é gasta no banheiro, em banhos, descargas ou outras utilizações.

Para poupar recursos e dinheiro é fundamental economizar e adotar novos hábitos.

No banho: 

O banho deve ser rápido. Cinco minutos são suficientes para higienizar o corpo. A economia é ainda maior se, ao se ensaboar, você fechar o registro.

Banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Se você fechar o registro ao se ensaboar, e reduzir o tempo do banho para 5 minutos, seu consumo cai para 45 litros. A redução é de 90 litros de água, o equivalente a 360 copos de água com 250 ml.

No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos e com o registro meio aberto, são gastos 45 litros e 15 litros, respectivamente. A redução é de 30 litros de água


Ao escovar os dentes:

Se uma pessoa escova os dentes em 5 minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda, enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água


Ao lavar o rosto:

Ao lavar o rosto em 1 minuto, com a torneira meio aberta, uma pessoa gasta 2,5 litros de água. A dica é não demorar!

O mesmo vale para o barbear: em 5 minutos gastam-se 12 litros de água. Com economia, o consumo cai para 2 a 3 litros. A redução é de 10 litros de água, suficiente para manter-se hidratado por pelo menos 5 dias!


Ao dar descarga: 

Torneira

O vaso sanitário não deve ser usado como lixeira ou cinzeiro e nunca deve ser utilizado à toa, pois gasta muita água. Deve-se também evitar jogar papel higiênico no vaso sanitário, tanto para evitar uma demanda maior de água, como para evitar entupimentos.

Um vaso sanitário com válvula e tempo de acionamento de 6 segundos gasta cerca de 12 litros. Quando a válvula está defeituosa, pode chegar a gastar até 30 litros. Por esta razão, deve-se manter a válvula da descarga sempre regulada, consertando-se os vazamentos assim que forem notados.

Alternativas ecológicas

Desde 2001 há à venda no mercado vasos sanitários que gastam apenas 6 litros por descarga, e vasos sanitários com caixas acopladas que gastam entre 3 e 6 litros por descarga, dependendo da finalidade de sua utilização.

Sempre que possível, deve-se substituir os vasos sanitários antigos pelos atuais, muito mais econômicos. O valor gasto na substituição é compensado pela redução do consumo e, consequentemente, da conta de água.

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O que se pode economizar na cozinha

Antes de lavar a louça, deve-se limpar os restos de comida dos pratos e panelas primeiramente com papel e, se necessário, com esponja e sabão. Somente depois, deve-se abrir a torneira para molhá-los.

Em seguida, ensaboa-se tudo o que tem que ser lavado e, então, abre-se a torneira novamente para novo enxague.

Numa casa, lavando louça com a torneira meio aberta, em 15 minutos são utilizados 117 litros de água. Com o modo de lavar indicado acima, o consumo pode chegar a 20 litros. A redução é de 97 litros de água

Se for utilizada uma lavadora de louças, o ideal é utilizá-la somente quando estiver cheia. Uma lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros de água.

Para lavar copos, deve-se ensaboá-los com esponja e depois enxaguá-los, procurando sempre evitar o desperdício de água.

 

Alimentos

Na higienização de frutas e verduras deve-se deixá-las durante 15 minutos numa vasilha com água e cloro, ou água sanitária de uso geral, na proporção de uma colher de sopa desses produtos para um litro de água. Depois, as frutas e verduras devem ser deixadas durante 10 minutos numa vasilha com vinagre, na proporção de duas colheres de sopa de vinagre para um litro de água. Agindo-se assim, obtém-se uma ótima higienização, economizando-se o máximo de água possível.

A torneira deverá ser mantida fechada quando se estiver desfolhando verduras e hortaliças, descascando legumes e frutas, cortando carnes, aves, peixes etc., limpando os utensílios como panelões ou bandejas.