Quarentena em SP é prorrogada por mais 15 dias e vai até 22/04

Confinamento terminaria nesta terça-feira, dia 7, mas foi integralmente prorrogado por mais 15 dias

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * – A Quarentena, que impões a maior parte do comércio e serviços fechados e as pessoas em confinamento social no Estado de São Paulo – que começou dia 24 de março e terminaria nesta terça-feira (07/07), foi prorrogada por mais 15 dias. O anúncio foi feito no início da tarde desta segunda-feira (06/04) no Palácio dos Bandeirantes, em coletiva sempre escolhida para os horários dos telejornais, pelo governador João Doria.

O decreto é o mesmo anterior, só foi prorrogado e deve ser publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (07/04). A medida vale para todos os municípios do Estado.

Vale lembrar que dos 12.056 casos confirmados da doença em todo o território nacional até a tarde desta segunda-feira (05/04), 4866 estão no Estado de São Paulo. Das 553 mortes no Pais, 304 foram em solo paulista.

A decisão foi tomada após reunião com 15 médicos do Centro de Contingência do coronavírus, que apontaram que o contágio já chegou a cem cidades paulistas e mais de 400 hospitais públicos e privados. Projeções apontam que prolongar o distanciamento social pode evitar mais de 160 mil mortes em todo o Estado.

“A prorrogação da Quarentena será feita por mais 15 dias, do dia 8 até o dia 22 de abril, em todo o Estado e pelas razões que foram largamente expostas por cientistas, médicos e especialistas. Prefeitas e prefeitos terão o dever e a obrigação de seguir a orientação do Governo do Estado. Isto é constitucional, não é uma deliberação que pode ou não ser seguida”, afirmou o Governador.

“Nenhuma aglomeração de nenhuma espécie em nenhuma cidade de São Paulo será admitida. As Guardas Municipais ou Metropolitanas deverão agir e, se necessário, recorrer à Polícia Militar para que imediatamente possa haver a dissipação de qualquer movimento ou aglomeração de pessoas. Esta é uma deliberação que deverá ser rigorosamente seguida pela população do estado de São Paulo na defesa de suas vidas e de seus familiares”, acrescentou Doria.

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Veja abaixo os estabelecimentos e serviços que podem continuar funcionando e os que não podem:

COMÉRCIO
Todas as lojas com atendimento presencial devem continuar fechadas. No entanto, os estabelecimentos podem atender por aplicativos ou por serviços online.

ALIMENTAÇÃO
Bares, restaurantes, cafés e lanchonetes devem fechar, podendo atender somente por delivery ou drive-thru. Supermercados, hipermercados, açougues e padarias podem funcionar, mas não é permitido o consumo dentro do estabelecimento durante a quarentena.

ABASTECIMENTO
Transportadoras, armazéns, transporte público, táxis, aplicativos de transporte, serviços de call center e bancas de jornais podem atuar normalmente.

PET SHOPS
Podem comercializar alimentos e medicamentos veterinários, já que são essenciais para a saúde dos animais.

SERVIÇOS DE SAÚDE
Hospitais, clínicas – inclusive as odontológicas – e farmácias podem continuar funcionando.

INDÚSTRIA
Continuam operando normalmente e devem seguir as recomendações para adequar os estabelecimentos às orientações dos órgãos competentes.

CONSTRUÇÃO CIVIL
O setor e as lojas de materiais de construção devem continuar operando com os devidos cuidados sanitários para proteger e amparar funcionários.

BORRACHARIAS E OFICINAS MECÂNICAS
Devem continuar funcionando para que veículos de transporte, como ambulância e carros de polícia tenham suporte.

POSTOS DE COMBUSTÍVEL
Funcionam normalmente e podem vender produtos elaborados ou não perecíveis, sem consumo no local.

PODEM OFERECER SERVIÇOS
– Empresas de segurança privada
– Empresas de limpeza
– Manutenção e zeladoria
– Bancos
– Lotéricas
– Hotéis

SERVIÇOS DE BELEZA
Cabeleiros, barbeiros, manicures e pedicures podem prestar atendimento apenas nas casas dos clientes, desde que usem equipamentos de proteção, como luvas e máscaras, e não apresentem sintomas de gripe.

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Covid-19 x Gripe

De acordo com informações durante a entrevista coletiva, o número de mortes pela Covid-19 entre 17 de março e 5 de abril já é quase igual ao total de óbitos por gripe registrado ao longo de todo o ano passado. As internações de pacientes com a confirmação da doença em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) cresceram 1.500% desde 20 de março, passando de 33 para 524, no último dia 3. As mortes subiram 180% em uma semana.

Para tentar conter o avanço dos casos, que já está lotando hospitais – somente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, são 220 pacientes suspeitos ou confirmados, dos quais 110 internados em UTI –, o Governo do Estado determinou a prorrogação da Quarentena por mais 15 dias. A recomendação é que as pessoas fiquem em casa. Os serviços considerados essenciais continuam em funcionamento, como nos primeiros 15 dias da quarentena.

A decisão segue orientação da OMS (Organização Mundial da Saúde), da Opas (Organização Pan-americana de Saúde), do Ministério da Saúde e do Centro de Contingência do coronavírus de São Paulo, formado por epidemiologistas, cientistas, pesquisadores, infectologistas e virologistas sob a coordenação do médico David Uip.

Conforme projeção do Instituto Butantan, centro de pesquisas biomédicas vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, a prorrogação da quarentena pode evitar 166 mil óbitos em São Paulo, além de 630 mil hospitalizações e 168 mil internações em UTIs.

A extensão da quarentena também é importante para que o Estado organize a rede pública de saúde ao número crescente de doentes. Já foram ativados 1.524 novos leitos de UTI em hospitais estaduais, municipais e filantrópicos. Além disso, o Governo de São Paulo prepara a implantação de um hospital de campanha no Complexo Esportivo Ibirapuera, na capital.

Casos e mortes

O número de casos de Coronavírus no Estado desde 26 de fevereiro chega a 4.620. Ao todo, mais de 400 hospitais, entre públicos e privados, notificaram casos suspeitos de Coronavírus. O total de mortes por COVID-19 (275 em 20 dias) já está próximo das 297 vítimas fatais por gripe registradas em 2019.

Os dados também apontam que o coronavírus mata dez vezes mais do que todos os tipos de meningite. Até o momento são 13,7 mortes diárias, em média, por Covid-19, contra 1,3 morte/dia por meningite no Estado em 2018, conforme informações consolidadas pela Vigilância Epidemiológica do Estado.

Entre as vítimas fatais da Covid-19 em território paulista, 85,8% tinham 60 anos ou mais. Desses, 92,1% tinham algum tipo de comorbidade. Do total de mortos pela doença, de todas as faixas etárias e que tinham alguma comorbidade, 69,1% eram cardiopatas; 47,1% tinham diabetes; 16,1% apresentavam pneumonia; 12,6% tinham algum tipo de doença neurológica; 7,6% possuíam imunodeficiência; 3,1% eram asmáticos; e 2,2% apresentavam doença hematológica. Os boletins são divulgados diariamente no site do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado (www.cve.saude.sp.gov.br).

 

Cenários

O cenário epidemiológico de São Paulo em relação ao Coronavírus é, no momento, melhor que em relação a outros países. O Governo do Estado decretou quarentena apenas 26 dias após o primeiro caso, quando havia 810 infectados e 22 mortes. Com isso, a curva de casos apresentou tendência de achatamento.

Na Itália, por exemplo, a quarentena foi decretada 49 dias do primeiro caso, já com 47.021 casos e 4.032 mortes, e mesmo assim a curva de contágio continuou crescente. O mesmo ocorreu na Espanha, onde a quarentena começou 45 dias depois do primeiro caso, quando havia 11.826 casos e 533 mortes.

Em São Paulo, o distanciamento social está ajudando a mitigar a transmissão de casos. As pessoas estão tendo menos contato entre si e, com isso, a taxa de contágio por Covid-19 caiu. Segundo estudo do Instituto Butantan em parceria com o Centro de Contingência, de acordo com os dados epidemiológicos disponíveis, antes das medidas de restrição a velocidade de transmissão do vírus era de uma para seis pessoas. Em 20 de março esse número caiu para uma para três. No dia 25, já era de uma para menos de duas. Mas somente quando a taxa for menor do que um para um poderá se dizer que a epidemia foi controlada.

A redução do contágio permitiu retardar o pico de internações nos hospitais da cidade de São Paulo, que ocorreria já na primeira semana de abril se nada tivesse sido feito. Conforme projeções do Instituto Butantan em parceria com a UnB (Universidade de Brasília), haveria mais doentes por Coronavírus do que leitos necessários no SUS de São Paulo, e seria preciso acrescentar 20 mil novas vagas, das quais 6,5 mil de UTI. O sistema, portanto, iria colapsar.

Ainda conforme as informações do estudo, com 66% dos paulistanos em suas casas após 23 de março, houve expressiva redução de pacientes com quadros pulmonares internados em hospitais. Mas o isolamento diminuiu nos últimos dias. Em 2 de abril, era de 52,4% na cidade de São Paulo e de 51,8% no Estado.

“Esses resultados positivos reforçam a importância das medidas de afastamento social adotadas. A evolução da epidemia indica claramente que as medidas tem que ser mantidas, e a adesão da sociedade, reforçada. O Centro de Contingência avalia diariamente o impacto das medidas na mobilidade das pessoas, e a constatação é que ainda existe espaço para melhoria. Neste momento crítico da epidemia, a única medida efetiva ao nosso dispor é o distanciamento social”, afirma o médico David Uip.

 

     Perfil dos mortos por Covid-19 no Estado SP

85,8% tinham 60 anos ou mais.

Desses, 92,1% tinham algum tipo de comorbidade.

Do total de mortos pela doença, de todas as faixas etárias e que tinham alguma comorbidade, 69,1% eram cardiopatas;

47,1% tinham diabetes;

16,1% apresentavam pneumonia;

12,6% tinham algum tipo de doença neurológica;

7,6% possuíam imunodeficiência;

3,1% eram asmáticos;

2,2% apresentavam doença hematológica.

          Fonte: Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

 

 

Assista, AO VIVO, entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes

*Com informações da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo