Por racha que matou 6 jovens em Mogi em 2013, dois são condenados

Atropelamento ocorreu em 2013 em um terreno no bairro Santo Angelo

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – 48 anos e 37 anos e quatro meses de prisão respectivamente. Essas foram as penas aplicadas por um júri popular a dois motoristas que após a prática de racha se envolveram em um acidente que matou seis jovens que conversavam em um terreno no bairro, à beirada Avenida Japão, no Santo Ângelo, no Distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, por volta da 0h30 da madrugada de um sábado, 28 de setembro de 2014. O julgamento começou na terça-feira (04/02) e terminou nesta quarta (05/02), no Fórum Criminal de Mogi, na Vila São Francisco, em Braz Cubas.

As penas, respectivamente, foram sentenciadas ao pedreiro Reginaldo Ferreira da Silva, 47 anos,  preso desde a época do acidente, que não tinha habilitação e ainda admitiu ter bebido antes de pegar no volante – e a Paulo Henrique de Oliveira Mota Batista – 29 anos, motorista de outro veículo, que segue foragido até hoje. Logo após o crime, ele chegou a prestar depoimento à polícia e foi liberado, e quando teve a prisão decretada já estava foragido.

Na curva, onde havia um terreno com um grupo de jovens que fumava narguilé, Silva perdeu o controle do Monza que dirigia, que capotou e atingiu oito jovens – seis morreram no local e dois ficaram feridos. O pedreiro tentou fugir, mas acabou impedido por testemunhas do acidente. A polícia acredita que ele estava a pelo menos 120 km/h em uma via em que a velocidade máxima é de 50 km/h . As vítimas tinham entre 13 e 22 anos.

Os dois foram condenados pelos seis homicídios, oito homicídios tentados – visto que quando um dos veículos perdeu a direção atropelou oito pessoas – duas conseguiram se salvar. As vítimas fatais tinham entre 13 e 22 anos, por omissão de socorro e ainda fuga do local do acidente. O segundo motorista, Paulo, foi condenado também por fraude processual. Isso porque ele tentou retirar o para-choques do Fiat Palio que dirigia do local do acidente. Após o acidente, ele fugiu pela avenida com o carro batido até a casa de seu pai – que fica a aproximadamente 300 metros do local do acidente, onde deixou o carro e desapareceu.

Na ocasião, para a polícia o pedreiro Reginaldo contou que ele e mais quatro pessoas estavam em uma festa, na noite de sexta (28/09/2013) e ingeriram bebida alcoólica e, em seguida, entraram no Monza para ir à outra festa. Ainda no depoimento, ele contou que, no caminho, foram ultrapassados pelo Fiat Palio, cujo motorista fez sinal para uma disputa racha, quando os dois motoristas começaram a disputa, que terminou na tragédia.

De acordo com o promotor de Justiça José Floriano de Alckmin Lisboa Filho, o júri condenou os dois motoristas integralmente a todos os crimes pelos quais ambos eram acusados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.
A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE não conseguiu falar com os advogados de defesa dos réus.

Foto: Reprodução Record TV