Policiais Civis são investigados por suposta tentativa de extorsão a um empresário de Mogi das Cruzes

Caso teria ocorrido em agosto e foi ao ar esta semana pela Record TV. Corregedoria da Polícia Civil SP diz que a investigação segue em sigilo

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A notícia foi dada esta semana, em primeira mão, pela Record TV: investigadores da Polícia Civil são acusados por um empresário de Mogi das Cruzes, no Alto Tietê – sub-região Leste da Grande São Paulo, de tentativa de extorsão no valor de R$ 650 mil. O caso é investigado pela Corregedoria da instituição e a vítima já reconheceu os três policiais civis envolvidos.

A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE tentou mais informações com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado e com a Corregedoria, e esta última enviou apenas uma nota lacônica, que diz o seguinte: “O caso é apurado na Corregedoria da Polícia Civil. A investigação requer sigilo nas informações para não atrapalhar o andamento do trabalho policial.”

De acordo com a emissora de televisão, a tentativa de extorsão ocorreu há mais de um mês – mais precisamente em 24 de agosto, quando policiais civis, pertencentes ao 8º Distrito de Polícia Civil, que fica na Rua Sapucaia,206, no Belezinho, bairro da zona leste paulistana (foto acima) – foram até uma clínica em Mogi onde o empresário mogiano estava e procuravam por um homem chamado Alex. O empresário contou que respondeu que não conhecia esse Alex e, de imediato, apresentou os seus documentos aos civis.  Os policiais investigavam crimes envolvendo cartões de crédito.

Ainda segundo a reportagem da Record TV, mesmo sem ter nenhuma relação com a investigação que era feita, os investigadores colocara o empresário em uma viatura e se dirigiram até a casa dele. Os bairros da clínica e da residência do empresário não foram divulgados. Ao chegarem na casa dele, a emissora afirmou que o empresário disse que um dos investigadores pulou o muro e realizaram buscas na casa.

“Fizeram todo o tipo de revista na minha casa, não acharam nada. Começaram a ligar para a minha gerente, perguntar o limite de transferência da minha conta”, lembra o empresário. “Pegaram a minha carteira. Eu tinha R$ 4.800 em dinheiro no bolso, que era justamente pra eu pagar o aluguel da minha clínica. Eles pegaram os meus cartões, tem meu nome, minha agência, tem conta”. – revelou o empresário à reportagem da emissora de televisão.

E o empresário revelou mais na reportagem. Que com todos os dados dele em mãos, os investigadores de polícia teriam iniciado a tentativa de liberar valores para transferências bancárias. “Começaram a perguntar quanto eu conseguiria de empréstimo, qual o valor de transferência”, disse o empresário à Record TV.

Segundo o empresário, após as buscas em sua casa, que duraram cerca de duas horas, ele foi colocado novamente na viatura e levado para uma delegacia da Polícia Civil, que não foi identificada.

No caminho da casa do empresário até a dita delegacia de polícia, eles pararam em um posto de combustível e teriam enchido o tanque da viatura como  dinheiro da própria vítima.

Segundo a reportagem da Record TV, na delegacia o empresário entrou em contato com seu advogado e contou o que estava acontecendo. Quando chegou ao distrito policial, o defensor, mesmo sabendo que o empresário não havia cometido nenhuma ilegalidade, aceitou pagar R$ 31 mil para liberar o cliente.

O advogado, após isso, passou a gravar as conversas com os policiais civis, além de ter acionado a Corregedoria da Polícia Civil, na Avenida da Consolação, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) – ambos na Capital – e entrado com pedido de habeas corpus (HC) provisória no Justiça. Tudo, segundo a emissora de televisão, sem que os investigadores soubessem.

Nos dias seguintes, o empresário, a esposa dele e o advogado passaram a registrar as tentativas de extorsão e os policiais, sem saber que estavam sendo gravados, prosseguiam com as chantagens.

 

Corregedoria entra no assunto

De acordo com a Record TV, após saberem que a Corregedoria da Polícia Civil, na Capital paulista, já tinha conhecimento dos fatos revelados pelo empresario e seu advogado, e que os corregedores já estavam investigando a denúncia de extorsão,os investigadores adotaram outra postura, inclusive oferecendo dinheiro ao empresário para que ele não levasse o caso adiante.

Mas como viram que o empresário não venderia o silencia, passaram a ameaçá-lo. O empresário contou aos corregedores que a partir daí carros estranhos, com pessoas usando a identificação da Polícia Civil paulista, passaram a circular em frente à sua casa. Sobre isso, ele disse o seguinte para a reportagem de televisão. “Hoje eu tenho medo de sofrer um atentado, de sofrer uma emboscada deles mesmo”, diz o empresário.

A Record TV questionou a Polícia Civil, que disse que o caso é investigado pela Corregedoria e afirma não compactuar com nenhum tipo de desvio dos seus agentes.

 

Clique e assista a reportagem exibida no Fala Brasil da Record TV