Polícia Civil indicia quatro pelo Massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, ocorrida dia 13 de março em Suzano

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A Polícia Civil do Alto Tietê concluiu o inquérito que investigava o ataque a Escola Estadual Raul Brasil, ocorrido no dia 13 de março, em Suzano, e indiciou quatro homens – todos já presos e um jovem também apreendido – por homicídio e venda ilegal de arma de fogo aos atiradores para Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro — que praticaram o massacre.

A denúncia foi oferecida pelo promotor de Justiça Rafael Ribeira do Val, no último dia 30 de maio. Todos ps quatro vão responder  por dez assassinatos (incluindo os dois atiradores), além de outras 11 tentativas – referente aos feridos no ataque.

As investigações apontaram que os quatro presos comercializaram as armas e munições utilizadas no crime. O jovem, por sua vez, teve participação intelectual, uma vez que ajudou a idealizar o ataque e sabia que ele iria ocorrer, sem ter a certeza da data.
“Os quatro presos auxiliaram os autores na concretização do crime. Sem eles, o ataque não teria ocorrido. Eles foram fundamentais no resultado final”, explicou o delegado Alexandre Dias, responsável pelo caso, em coletiva de imprensa realizada no final da tarde desta terça-feira (04/06) na sede da Delegacia Secional de Mogi das Cruzes, no Centro Cívico da cidade.
Ainda segundo o delegado Dias, o grupo será indiciado por homicídios consumados e tentados, além do comércio ilegal de arma de fogo e munições. O adolescente já foi condenado pela Vara da Infância e Juventude.
O inquérito policial foi concluído no dia 27 de maio, após a polícia ouvir diversas testemunhas e analisar os celulares dos autores. A investigação durou cerca de 80 dias e, segundo o delegado Jair Ortiz, titular da Seccional de Mogi, foi concluído rapidamente por causa da inteligência policial empregada.
“A Polícia Civil tem investido em inteligência e tecnologia por meio de cursos e aquisição de equipamentos”, destacou Ortiz. “Com isso, conseguimos resgatar conversas deletadas dos celulares dos autores e entender todo o esquema planejado”, completou o delegado Dias.
Todos os réus já estão presos preventivamente. Como eles respondem a processo por homicídio, devem ser julgado pelo Tribunal do Júri (composto por sete pessoas comuns) – e não por um juiz togado.
Foram indiciados Cristiano Cardias de Souza, de 47 anos, o Cabelo;  Geraldo de Oliveira Santos, de 41, o Buiu; Marcio Germano Masson, de 33, o Alemão; além de  Adeilton Pereira dos Santos. Na quinta-feira passada (30/05), a denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE-SP) e aceita pela Justiça no dia seguinte.
As prisões desse quarteto ocorreram na seguinte ordem cronológica, começando por dois que são acusados de participar das negociações do armamento utilizado pelos dois atiradores no massacre: o primeiro a ir para atrás das grades foi o mecânico Cristiano Cardias de Souza, no dia 10 de abril. Um dia depois a polícia prendeu Adeílton Pereira dos Santos.

Ainda em abril a Polícia Civil prendeu os outros dois indiciados Geraldo Oliveira dos Santos –  que é apontado como quem vendeu o revólver calibre 38 – com a numeração parcialmente raspada – para os atiradores – e Márcio Germano Masson – que vendeu munição ao fornecedor dos adolescentes que realizaram o massacre na escola.

De acordo com a denúncia, a arma de fogo, uma revólver calibre 38, foi vendida pelo valor de R$ 2.500,00 em meados de outubro de 2018. Já as munições, negociadas via Facebook, foram compradas por R$ 200,00, as 20 unidades. A estimativa é que os atiradores tenham investido, ao todo, cerca de R$ 7 mil.

Ainda segundo o inquérito, mais 30 balas foram compradas por R$ 510,00 de Adeilton Pereira dos Santos, que de acordo com as investigações usou um perfil falso no Facebook para tratar da negociação.

O Ministério Público e a Polícia Civil ainda investigam se um quarto ex-aluno incentivou o atentado – a participação dele é considerada como “de menor importância”. Outro inquérito também segue aberto para responsabilizar pessoas que comemoraram ou fizeram apologia ao massacre na internet.

Apesar da conclusão do inquérito, ambos os delegados destacam que as investigações prosseguem caso apareçam novas provas que liguem outras pessoas ao crime. “O caso Suzano não se encerra jamais”, finalizou o delegado Ortiz.

 

Crime foi idealizado há quatro anos, diz polícia

Segundo as investigações, o crime foi idealizado ainda em 2015 pelo adolescente autor junto com o jovem apreendido. motivados pelo atentado em um colégio de Columbine, nos Estados Unidos, que terminou com 15 mortos em 1999. A meta seria superar esse número, diz a Polícia Civil. Depois disso, surgiu o terceiro rapaz, maior de idade.
O trio passou a falar do crime e a ideia só começou a ser concretizada em 2018 pelo primeiro jovem e o adulto quando os autores passaram a comprar uma série de itens, entre eles coturnos, máscaras, uma machadinha e uma besta – além dos armamentos e revólver no contato feito com o quarteto preso.
O segundo adolescente, segundo as investigações, se afastou da dupla e, ao mesmo tempo foi excluído, já que a intenção do jovem autor era praticar o ataque com apenas duas pessoas, justamente para imitar o ataque da escola norte-americana.
No dia 13 de março, no entanto, Guilherme e Luiz usaram a arma com as munições e outros equipamentos para matar duas funcionárias e cinco estudantes da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano e depois se matarem. Minutos antes, Guilherme matou o tio dentro da loja de carros onde era proprietário – cerca de 750  metros de distância da escola.
Foto: Nathalia Pagliarini