Polícia Federal está em Mogi das Cruzes em alvo da “Operação E o Vento Levou”

PF cumpre 26 mandados de busca; em Mogi das Cruzes o investigado estava em um edifício que fica na Avenida Laurinda Cardoso Mello Frei

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A cidade de Mogi das Cruzes é um dos alvos da Operação E o Vento Levo – quarta fase da Descarte – deflagrada desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (11/04) em várias cidades do País. A ação é conjunta entre a Polícia Federal, Receita Federal e do Ministério Público Federal e tem como objetivo apurar desvios de valores de contrato firmado entre empresas do ramo de energia, com posterior repasse de parte do recurso, por meio de superfaturamento de um contrato, para empresas privadas.

Policiais federais deram cumprimento a 26 mandados de busca e apreensão, em endereços das pessoas e empresas envolvidas com os fatos investigados, nas cidades de São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, Belo Horizonte/MG, Taubaté/SP, Nova Lima/MG e Mogi das Cruzes/SP. As medidas judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo. Em Mogi das Cruzes, um dos alvos da ação teria sido feito em um prédio situado na Avenida Laurinda Cardoso Mello Freire, nas proximidades do Clube de Campo da cidade.

O alvo é apurar o desvio de dinheiro da empresa Cemig Geração e Transmissão por meio do aporte de R$ 850 milhões na empresa Renova Energia SA com posterior repasse de parte deste recurso por meio do superfaturamento de um contrato com a empresa Casa dos Ventos e escoamento dos valores através de sua transferência a várias empresas. Em seguida, o dinheiro foi convertido em espécie e distribuído a diversas pessoas.

O nome da fase da operação faz referência à participação das empresas do setor eólico que tiveram papel preponderante no esquema fraudulento – com esquema de lavagem de dinheiro para escoamento dos valores desviados do seu caixa.

Os investigados responderão, na medida das suas participações, pelos crimes de sonegação fiscal, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e associação criminosa.

No âmbito da operação Descarte, os auditores-fiscais responsáveis já identificaram que os operadores envolvidos também eram os autores de outros esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro, em operações que ainda estão sendo investigadas.

A Operação Descarte pediu a prisão temporária de dois investigados ligados ao deputado Aécio Neves (PSDB). Os pedidos foram negados pela Justiça.

Nesta fase da operação, apura-se também a participação de executivos e acionistas de empreiteira e de empresas públicas envolvidas no esquema da fraude, além dos operadores financeiros e outras empresas usadas para escoar o dinheiro desviado.

Aos investigados poderão ser imputados, na medida de suas participações nos fatos, os crimes de Associação Criminosa (art. 288 do Penal), Peculato (art. 312 do Código Penal), Evasão de Divisas (art. 22 da Lei 7.492/86) e Lavagem de Dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/98), e Falsidade Ideológica (art. 299 do Código Penal) cujas penas, somadas, poderão resultar em 9 a 38 anos de prisão.

Operação “E o Vento Levou” faz parte da quarta fase da Operação Descarte, trabalho conjunto da PF, da Receita Federal e do Ministério Público Federal – Foto: Divulgação