Polícia descobre galpão com 2 milhões de máscaras, EPIs roubados e armas,de chinês que levou Marcus Melo e Ashiushi à China

Chinês que esteve com prefeitos de Mogi e Suzano pode integrar o crime organizado

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A Polícia Civil de São Paulo prendeu 14 pessoas neste sábado (11), em São Paulo, com vários equipamentos de combate ao Coronavírus que haviam sido furtado do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos. O grupo, formado por pessoas com idade entre 22 e 59 anos, estava com o material roubado em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Ao todo foram encontradas 15 caixas com 14.500 kits e 435 caixas de máscaras descartáveis contendo 2.175,000 unidades, termômetros, material de proteção para médicos (macacões especiais e álcool gel. Também foram recolhidas ferramentas, dinheiro e armas – incluindo um machado, uma faca, uma carabina calibre 40, uma espingarda calibre 12 e três pistolas calibre 380

O galpão é de propriedade de um chinês que esteve em 2019 em Mogi das Cruzes e Suzano, com os prefeitos Marcus Melo e Rodrigo Ashiuchi e os recepcionou em 2018 na China. Ele é um dos presos e apontado pela polícia como chefe da quadrilha.

De acordo com o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, diretor Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), a carga, que teria sido levada do aeroporto na segunda-feira passada (06/04), Segundo o delegado,  a maior parte desse material roubado seria vendida para outros países pela quadrilha.

O dono do galpão onde os objetos furtados foram encontrados é Marcos Zheng, mas o nome verdadeiro é Zheng Xiao Yun, apontado como líder da quadrilha pelos investigadores. Ele esteve em 19 de abril do ano passado na Prefeitura de Mogi das Cruzes, onde foi recebido pelo prefeito Marcus Melo e secretários, acompanhado de alguns empresários, para prometer investimentos na cidade de empresas chinesas. A visita ocorreu antes de Melo e assessores viajarem para a Bélgica e Japão. Na mesma semana ele também esteve na cidade vizinha de Suzano, com o prefeito Rodrigo Ashiuchi. Os prefeitos da região já haviam viajado para a China sete meses antes, em setembro de 2018.

Na ocasião, Ashiuchi presidia o Condemat (Consórcio de Desenvolvimento do Municípios do Alto Tietê), que agrega 12 municípios, e teria sido o responsável por trazer Zheng para a região.

Zheng  é responsável por diversas negociações e intermediações de negócios entre a Secretaria Estadual de São Paulo, Governo Estadual – pelo ex-governador Geraldo Alckmin e o atual João Doria, e a China, incluindo a conexão entre São Paulo e empresas de Wuhan, cidade chinesa onde o Coronavírus teve início’.

O flagrante da polícia paulista foi ao vivo pela TV Bandeirantes, durante o programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, e também pelo programa Cidade Alerta, da Record TV. Na Band, enquanto Datena narrava e apurava junto com a equipe externa de reportagem o que aconteceu, uma foto do encontro do prefeito mogiano Marcus Melo e o chines Zheng era exibida no telão do fundo do estúdio.

Segundo o delegado Osvaldo Nico, delegados da equipe do Dope se passaram por potenciais compradores para poder chegar até o carregamento roubado. Na tarde deste sábado, ele dirigiu-se a esse depósito localizado no bairro Ipiranga, acompanhado de agentes do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e escoltado pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra).

Ainda de acordo com o delegado Nico, no depósito foi encontrada a carga roubada e foram efetuadas as prisões. Um dos criminosos apresentou-se como integrante da Câmara de Comércio Brasil-China, mas a entidade afirmou, em nota oficial – e ao vivo pela Band, desconhecer os envolvidos. Em nota oficial o presidente honorário Charles Tang afirmou que desconhece os envolvidos.

“Eles estão praticando o crime mais terrível que existe, roubando material de combate ao novo coronavírus. Isso não existe”, disse Tang em entrevista ao Brasil Urgente.

O que levou a polícia até o local foi o valor pedido pelos produtos que, segundo a polícia, seria em torno de R$ 3 milhões, embora os preços de mercado estariam muito acima, na casa dos R$ 4 milhões ou mais.

O caso foi registrado como furto, receptação qualificada e resistência na 3ª Delegacia Especializada no Atendimento ao Turista (Deatur) do Aeroporto Internacional de Guarulhos, que instaurou inquérito policial para prosseguir com as investigações.

Os presos (três além dos que estavam no galpão) são Zheng Xiao Yun (que usava o nome abrasileirado de Marcos Zheng), Paulo Sérgio Perniciotti, Lanfen Zong, Antonio Ricardo dos Santos Lima, João Rodolfo Rodrigues da Silveira, Kawe Mycon Brito dos Santos, Cleber Marcelino da Silva, Marcelo Martins da Silva, Hilmar Jose Duppre Junior, Alex Liberato dos Santos, Dagoberto da Silva Tomo, Fu Zhihong, Wu Hang e Zhang Ruifeng.

Marcus Melo

O prefeito de Mogi das Cruzes, Marcus Melo, falou por telefone com o apresentador Datena. Segundo ele, não foram feitos nenhum negócio nem com o Marcos Zhen e nem com os empresários que estiveram acompanhados por ele. Melo confirmou que na ida a China, em setembro de 2019, Zheng era o responsável pela entrada naquele país. “Nós recebemos ele como recebemos qualquer empresário que queira investir na cidade”, disse o prefeito mogiano por telefone ao apresentador.

Clique e veja entrevista que o prefeito Marcus Melo concedeu, por telefone, ao Datena

Fotos do flagrante: Torchi Filmes 

Foto do principal suspeito: Palácio dos Bandeirantes