Polícia Civil prende 21, entre eles o criminoso que tinha o cadastro de todos membros do PCC no Brasil

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * – A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (29/11) a operação “Linhas Cruzada” e cumpriu ordens judiciais na Capital e em municípios da Grande São Paulo, prendendo 21 pessoas. Quatorze alvos já estavam detidas em unidades prisionais., totalizando 35 criminosos. Todos são suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e comandar o tráfico de drogas em São Paulo e outros municípios.

A operação “Linha Cruzada”, do Denarc teve oito meses de investigação e nasceu da Operação Campos Elísios 1, de maio de 2017, que desmontou a “feira da droga” na região da Cracolândia. Estre os presos está Gilberto Ferreira, o Beto – que é apontado como o “pen drive geral”, que na prática significa ser o criminoso responsável por manter e guardar o cadastro de todos os membros do PCC no Brasil. Beto foi preso em São Miguel Paulista, bairro da zona leste paulistana.

No PCC, “pendrive” é a denominação utilizada para o departamento pessoal da facção, responsável por coletar informações, manter os dados de participantes arquivados e transferi-los para a liderança.

No endereço onde Beto foi preso, policiais do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil paulista (Denarc) encontraram livros de anotações gerais da organização criminosa., além de arquivos virtuais. Esse material apreendido compreende o chamado “Livro Branco”, com o nome, local, data de ingresso no PCC e padrinhos de batismo – ou seja, o criminoso que deu o aval para a entrada desse integrante na facção), e também o chamado “Livro Negro”, onde está a lista de criminosos em débito com a organização.

A ação foi deflagrada por agentes da 6ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e contou ainda com apoio de equipes da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

“As diligências foram realizadas após cerca de oito meses de investigações para combater o tráfico de drogas. As apurações contaram, inclusive, com interceptações telefônicas”, explicou o delegado Carlos Batista, que coordenou os trabalhos pela 6ª Dise.

Todo o PCC, nas mãos da polícia

De acordo com os investigadores da Polícia Civil, com o material apreendido na operação deverá ser possível mapear a hierarquia funcional do PCC em todo o País, suas lideranças estaduais, quantos membros existem ligados a facção criminosa, onde eles estão, incluindo detalhes importantíssimos para identificá-los e localizá-los para futuras prisões.

O delegado Alberto Pereira Matheus Junior, do Denarc, destaca que até hoje, o que a Polícia Civil tem sobre o PCC foi erguido sobre suposições, especulações. E dá a dimensão do que o material apreendido representa.  “Não é o Livro Branco apenas do Estado de São Paulo, é sim o Livro Branco do Brasil, de todos os Estados da federação”.

“Parte das prisões foi feita na Cracolândia, em razão desse trabalho em conjunto das três instituições, proporcionando queda de venda de drogas, na parte criminal e, consequentemente, uma melhora social”, afirmou o delegado.

Todos os materiais recolhidos ao longo da atuação serão analisados. A Polícia Civil prossegue com as investigações para identificar, localizar e prender outros integrantes da facção criminosa.