Polícia Civil investiga tenista Feijão e a irmã Maria Clara por suposta propagação do Coronavírus em Mogi das Cruzes

Caso chegou ao distrito policial mogiano por meio de um promotor de justiça
PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A Polícia Civil de Mogi das Cruzes foi acionada na tarde deste sábado (21/03) por um Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, para apurar uma suposta propagação do Coronavírus na cidade, após a publicação de um vídeo no perfil oficial do tenista João de Souza – o Feijão, no Instagram (perfil @feijaosouza) – em que um diálogo entre ele e a irmã, Maria Clara (perfil @mclarassouza), sugere que isso tenha acontecido.
Na Polícia Civil, um Boletim de Ocorrência foi registrado para investigar se João Souza e a irmã Maria Clara  cometeram crimes definidos nos artigos 267 (epidemia) e 268 (infração de medida sanitária administrativa), ambos do Código Penal.
O diálogo foi o seguinte:

— Você levou, você levou (Feijão ri) o Coronavírus para Mogi — brincou o ex-tenista.

Maria Clara repetiu a frase junto com o irmão:

— – Eu levei o Coronavírus para Mogi.Desculpa, gente — respondeu a irmã.

—Mogi “tá” estado de calamidade publica por causa dessa pobre louca – Feijão concluiu o diálogo.

Feijão inseriu a legenda repetindo a sua última fala – Mogi “tá” estado de calamidade publica por causa dessa pobre louca.

Durante todo o vídeo, o tom sarcástico de Feijão e da irmã irritaram os internautas que acessaram o vídeo no perfil do ex-atleta.

 

 

Assista ao vídeo e tire suas conclusões

 

Vale lembrar que Feijão, 31 anos, natural de Mogi das Cruzes, chegou a ser o tenista brasileiro mais bem ranqueado da ATP, em 2015, quando alcançou a posição de nº 69 do mundo, mas foi banido do tênis para sempre e condenado a pagar multa de US$ 200 mil (cerca de R$ 830 mil) por manipulação de resultados e outros delitos de corrupção pela Unidade de Integridade do Tênis (TIU, em inglês).

O vídeo viralizou e uma enxurrada de críticas surgiram no perfil do ex-atleta. Também inconformado com essa suposta contaminação, e desejando uma investigação, o promotor de Justiça Leandro Lippi Guimarães, registrou um Boletim de Ocorrência no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, no Parque Monte Líbano. Tanto Feijão, quanto a irmã Maria Clara, serão investigados pela polícia.

Afinal, a cidade sobre com o novo Coronavírus (Covid-19), e tem, no momento, entre 80 e 100 casos suspeitos – ainda dependendo de confirmação – além de pelo menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar – um bebê de apenas 3 meses de idade, uma pessoa de 64 e uma terceira, com idade não confirmada.

Segundo o BO, “Maria Clara será investigada pelo suposto envolvimento nos artigos 267 e 268 do Código Penal, bem como, podendo caracterizar-se a incursão do irmão, João Souza, no delito definido no artigo 287 do Código Penal, por apologia aos supostos delitos cometidos pela pessoa que aparece no referido vídeo, posto que exalta, no mínimo, indiretamente, as condutas de tal pessoa”.

De acordo com o promotor – e como consta do Boletim, “ademais, nota-se no referido vídeo que a pessoa titular da conta do instagram de usuária @mclarassouza aparece fumando um cigarro aparentemente de maconha, conduta esta que também demanda a devida apuração, podendo caracterizar sua incursão,
também, no delito definido no artigo 287 do Código Penal, vez que o porte de drogas, ainda que para consumo pessoal, caracteriza fato típico definido no artigo 28 da Lei nº. 11.343/06”.

Feijão diz que foi uma brincadeira

“Galera, brincadeira de mau gosto para uns, falta de assunto para outros, motivo para julgarem e carinho das pessoas que se preocupam. Não estamos [contaminados] e muito menos passando corona para ninguém. Ali era um papo entre irmãos que gravei e postei. Quem achou que foi mau gosto, nos desculpem. Aos poucos [e aos] que realmente se preocupam, sim, estamos bem, saudáveis e em casa”, escreveu João Souza. (veja fac símila da postagem original abaixo)