Pesquisa do CIESP aponta piora no mercado para 70% das indústrias do Alto Tietê

Levantamento regional mostra que maioria das empresas recorre à suspensão de contrato e redução de jornada para não demitir

 

DE MOGI DAS CRUZES – Pesquisa elaborada pela Diretoria Alto Tietê do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) confirma as dificuldades que o setor enfrenta nesta pandemia. A maioria das empresas da região apontou piora nas principais variáveis de mercado em maio, em especial, nas vendas. Na mão de obra, a maior parte das indústrias mantém o quadro, mas sob as condicionantes de redução de horário e suspensão temporária de contrato.

A pesquisa de amostragem do CIESP se baseia em informações colhidas das empresas do Alto Tietê entre os dias 3 e 5 de junho. Sobre o mercado, predomina a piora no cenário nas variáveis consultadas de vendas, liquidez e negociação de preços/prazos na venda.

Para 71% das indústrias as vendas regrediram, enquanto para 17% foram regulares, 8% iguais e apenas 4% registraram melhora. No indicador de liquidez, que mede a velocidade da perda de valor do produto frente ao investimento, 54% das empresas apontaram piora no último mês, enquanto 36% consideraram regular e 10% igual. Já na negociação de preços/prazos para a venda, 58% responderam que houve piora, enquanto 21% disseram ter mantido a regularidade, para 17% nada mudou e 4% tiveram melhora.

Sobre o crédito, no que pese os muitos anúncios de linhas de financiamento e facilidades de contratação, apenas uma minoria (6%) apontou melhora. Para 40% das empresas houve pioria no acesso aos créditos, enquanto 36% apontam que ele se manteve no patamar regular e 18% de igualdade com os períodos anteriores.

Na compra de produtos, 40% das empresas disseram ter tido piora na negociação de preços e prazos. Outras 27% das indústrias citaram regularidade, 23% igualdade e 10% melhora.

“A pesquisa confirma o que os empresários enfrentam no dia a dia. Com exceção de alguns segmentos que tiveram alta nos pedidos por conta da pandemia, como é o caso de alimentos, medicamentos e produtos de higiene, a maioria amarga uma queda na demanda, na negociação de preços e, principalmente, dificuldade de crédito. É tanta burocracia que o recurso não chega na ponta de quem realmente precisa.  Abril foi ruim, maio foi pior ainda e junho também deverá ser bem complicado. A expectativa é de que com o início da retomada das atividades, o mercado aos poucos tenha uma melhora”, avalia o diretor do CIESP Alto Tietê, José Francisco Caseiro.

O CIESP também consultou as empresas do Alto Tietê sobre a mão de obra. A maioria – 63% – disse que o quadro de funcionários se manteve, porém está sendo necessário recorrer às alternativas legais que o momento de pandemia prevê. Inclusive adotando diferentes estratégias com um mesmo funcionário. Das indústrias da Região, 81% disseram utilizar, em algum período, a antecipação de férias como meio de evitar o desligamento do colaborador. Outras 48% das empresas adotaram a redução da carga horária  e 40% optaram pela suspensão temporária do contrato de trabalho.

Essas alternativas não foram suficientes para 33% indústrias, que demitiram funcionários durante essa pandemia. E apenas 4% das empresas da Região ampliaram os quadros com admissões de trabalhadores.

“A demissão é o último recurso porque implica em gastos e na perda de funcionários já treinados.  Por isso, a maioria está recorrendo as alternativas, como a suspensão temporária do contrato. Esperamos que o mercado reaja a tempo delas serem suficientes para que o impacto na mão de obra não seja ainda mais acentuado”, diz o diretor Caseiro.

O parque industrial do Alto Tietê conta com aproximadamente 1.900 indústrias, distribuídas nas cidades de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano.

Foto:  José Paulo Lacerda / CNI