Perdas no mundo artístico nacional: morrem Aldir Blanc e Flávio Migliaccio

Ambos morreram nesta segunda-feira, 4 de maio

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * – Esta segunda-feira (04/05) registra duas perdas no mundo artístico nacional: morreram o compositor e escritor Aldir Blanc, aos 73 anos, e o ator Flávio Migliaccio, de 85 anos. Ambos morreram no Rio de Janeiro, mas por causas diferentes.

Blanc morreu por complicações causadas pela Covid-19, depois de ficar mais de duas semanas na UTI do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). Ele havia sido hospitalizado em 10 de abril, com um quadro de pneumonia, pressão alta e infecção urinária. Uma semana depois, foi confirmada a infecção pelo novo Coronavírus.

Nos anos 1960, Aldir dividia seu tempo entre a música e a medicina, curso em que se formaria com especialidade em psiquiatria. Foi nesta década que ele participou de diversos festivais da canção, compondo músicas interpretadas por Clara Nunes, Taiguara e Maria Creuza.

No início dos anos 1970, abandonou a medicina para se dedicar exclusivamente às artes. E foi nesta década que ele compôs o seu maior sucesso. Com a parceria de João Bosco e na voz de Elis Regina, o mundo conheceu O bêbado e a equilibrista.

Em 1978, publicou as crônicas Rua dos Artistas e arredores. Em 1981, Porta de tinturaria (1981). As duas obras foram reunidas, posteriormente, em 2006 na edição Rua dos Artistas e transversais, que ainda trouxe 14 crônicas escritas para a revista Bundas e para o Jornal do Brasil.

 

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Migliaccio deixa carta após suicídio

O ator Flávio Migliaccio, de 85 anos, foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (04/05) pelo caseiro no sítio onde morava, no município de Rio Bonito, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A família ainda não sabe a causa da morte. Migliaccio nasceu no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 26 de agosto de 1934.

Ele iniciou a carreira na década de 50 no teatro, junto com a irmã, Dirce Migliaccio, já falecida, e ingressou na TV Globo em 1972, desempenhando o papel de Xerife, na novela O Primeiro Amor. O sucesso alcançado pelo personagem deu origem, naquele mesmo ano, ao seriado Shazan, Xerife e Companhia, estrelado também pelo ator Paulo José.

Migliaccio trabalhou ainda no cinema, ficando conhecido pelo personagem título do filme Aventuras com Tio Maneco, de 1971, do qual foi também diretor.

O último trabalho de Migliaccio na televisão foi como o personagem Mamede Al Aud, na novela Órfãos da Terra, que foi ao ar no ano passado na TV Globo.

Casado com Ivone Migliaccio, Flávio é pai do jornalista Marcelo Migliaccio.

O ator deixou uma carta justificando o seu ato:

“Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é (…) como tudo aqui. A humanidade não deu certo. A impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este e com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje”, disse na carta.

 

*Com Agência Brasil

 

Fotos: Reprodução