Pelo menos 4h30 sem energia. E em plena sexta-feira. Foi assim em área comercial e residencial de Mogi das Cruzes

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Imagine uma semana com dois dias de Carnaval, portanto sem trabalho, uma Quarta-feira de Cinzas com apenas meio expediente e depois, nos dois únicos dias de trabalho que restam – centenas de empresas ficam sem energia elétrica por pelo menos 4h30 em plena sexta-feira (08/03), dia de muito trabalho? Foi o que aconteceu em parte de Mogi das Cruzes, em uma área de pelo menos 30 quarteirões e causou transtornos não só a empresários, mas a assinantes particulares e ao trânsito. Detalhe: o dia estava ensolarado, sem ventos, quente (fez 33°C em Mogi) e com poucas nuvens no céu.

 

Pouco antes das 11h, a energia começou a falhar em uma área grande que compreende o Jardim Santista e proximidades, local de várias escolas particulares, restaurantes, clínicas médicas de todas as especialidades, bancos, supermercados e outros tipos de comércio. Um proprietário de uma imobiliária – setor que como os outros depende totalmente da energia elétrica para gerenciar o sistema de locações e vendas, a contabilidade e o próprio site da empresa, conta que ficou tudo parado. Clientes ligavam e muitas respostas dependiam do que estava no sistema, mas sem energia não havia como acessá-los.

 

Em dois restaurantes, a preocupação é com os alimentos que ficam no freezer. E como muitas vezes é preciso abri-lo a todo momento, o ar frio vai escapando e quando mais a falta de energia se prolonga, mais chances de algo estragar.

 

A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE estava nas ruas e viu a confusão na perigosa esquina das ruas Presidente Campos Salles com Santos Cardoso, onde há unidades do Colégio Objetivo, com milhares de alunos. Esse semáforo, apagado, não teve nenhum apoio dos homens do Departamento de Trãnsito de Mogi, que estavam tentando controlar a situação em dois outros semáforos de cruzamentos igualmente perigosos: da própria Campos Salles com a Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco e na mesma avenida com a Rua Basílio Batalha e o semáforo recém-instalado, um pouco mais à frente, na Praça dos Imigrantes.

 

Com os semáforos apagados, estudantes do Colégio Objetivo precisaram tomar muito cuidado para atravessar no cruzamento perigoso da Campos Salles com Santos Cardoso

 

“Isso é um absurdo. Além do problema da falta de energia, que deixa os semáforos desligados, os motoristas ainda não têm nenhuma educação, disparou Antonio Freitas, 63 anos, que por pouco não presenciou uma batida forte na esquina da Campos Salles com Santos Cardoso. Isso porque, segundo ele, tanto um carro que vinha pela primeira rua como um outro, na Santos Cardoso, simplesmente ignoraram o farol apagado e aceleraram. “Parecia que o mundo ia acabar. Se eles colidem, ainda iria atingir outros carros e pessoas”, reclamou. A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE foi para o local e viu que, na saída dos alunos do Objetivo – onde o fluxo de veículos e principalmente de pessoas aumenta – o caos foi total. Era preciso muito cuidado para não ser vítima de algum motorista apressado, pois as duas ruas ficaram com o trânsito travado.

Muitos veículos avançavam o cruzamento, ignorando que pudesse houver uma colisão. Na saída do Objetivo, com muito mais pessoas no local, os perigos aumentaram

 

A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE entrou em contato, por e-mail, com a Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura de Mogi para saber da atuação dos agentes de trânsito – que deixaram alguns cruzamentos sem semáforo sem cobertura, mas não houve resposta. O objetivo era saber quantos agentes teriam sido deslocados para a grande área que ficou completamente sem energia por quase cinco horas. No cruzamento da Campos Salles com a Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco – em frente ao Banco Santander – que também teve suas operações prejudicadas – havia dois agentes. A reportagem flagrou, inclusive, o momento em que um motorista reclamava com um agente e depois de conversar com ele rispidamente saiu xingando. Bastante irritado, ele não quis falar com a reportagem para explicar qual teria sido a sua reclamação com o agente.

 

Em nota enviada por e-mail ao CORREIO INDEPENDENTE, a concessionária de energia elétrica respondeu o seguinte:

A EDP informa que uma falha na rede que abastece a região central da cidade de Mogi das Cruzes interrompeu a energia para parte dos clientes. Equipes trabalharam para restabelecer o sistema, que foi normalizado de forma gradativa. Às 15h20, todo o serviço de fornecimento de energia estava restabelecido.

Ressarcimento de danos

A EDP esclarece que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), órgão regulador do setor, define as regras para ressarcimento de danos causados por anomalias no fornecimento de energia elétrica, que prevêem ressarcimento em caso de danos a equipamentos elétricos.
Para realizar o pedido de ressarcimento, a Concessionária orienta o cliente acessar o EDP Online, através do site www.edponline.com.br, e preencher formulário específico onde serão relatados o ocorrido e discriminado o(s) equipamento(s) danificado(s). O pedido também pode ser realizado pessoalmente nas Agências de Atendimento da Distribuidora ou pela Central de Atendimento, no telefone 0800 721 0123.