Outubro tem apenas 47% da chuva esperada para todo o mês nos 5 reservatórios do Alto Tietê; nível total cai para 55,3% da capacidade

Mesmo com menos da metade da chuva esperada, outubro foi melhor que setembro, onde choveu apenas 23% do esperado

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Mais um mês em que o total de chuva esperado para cair sobre as cinco represas do Sistema Produtor Alto Tietê, o Spat, na região de Mogi das Cruzes, fica abaixo do esperado. Outubro, que se encerra neste dia 31, teve apenas 47% da precipitação histórica para os reservatórios. Dos 113,4 milímetros esperados, choveu 53,4 milímetros. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) é composto pelos reservatórios de Ponte Nova e Paraitinga (amba em Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) – e Taiaçupeba (entre Mogi das Cruzes e Suzano).

As chuvas têm sido muito irregulares sobre as represas do Spat durante o ano. Em dez meses de 2020, somente em três choveu mais que o esperado: janeiro, fevereiro e agosto. Nos demais meses do ano – março, abril, maio, junho, julho, setembro e agora outubro – as precipitações foram menores que a média histórica.

Mais esse més com menos precipitação fez com que o nível geral das cinco represas caíssem um pouco mais: em outubro, juntas, as cinco represas do Alto Tietê fecharam o mês com 55,3% da capacidade total das represas, bem menos que no final de setembro, 60,3% – e de agosto, 65,2%.

Em volume de água armazenada, as cinco represas regionais juntas fecharam décimo mês de 2.020 com 309,59 hectômetros cúbicos (hm3) de água armazenada (contra 337,92 h3 do final de setembro e 365,29 h3 do final de agosto) , o que na prática significa que todas elas acumulam, neste último dia de outubro, 309.590.000.000. Traduzindo para melhor entendimento, essa quantia lida significa 309 bilhões e 590 milhões de litros de água acumulada.

 

Comparação de outubro deste ano e de 2.019

Se comparado com 31 de outubro de 2.019, quando o índice de água armazenada nas cinco represas era de 82,0% de água armazenada (ou 459,56 h3), outubro de 2.020 – com seus 55,3% de água referente à capacidade total de armazenamento (ou  309,59 h3), a perda de água acumulada nos cinco reservatórios da região é de 48,38% – ou praticamente a metade. Em hectômetros, a perda é de 149,97 h3, o equivalente a menos cento e quarenta e nove bilhões e novecentos e setenta milhões de litros a menos, em um ano.

 

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Veja o volume de água em cada um dos 5 reservatórios do Spat em 31 de outubro

 

Segundo os dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em outubro o volume médio total das cinco represas do Spat fecharam o último dia do mês, este 31, com 55,3% – de um total de 100% da capacidade total.

Mas engana-se quem acredita que todos os cinco reservatórios tenham níveis idênticos para se chegar à média de 55,3% de água armazenada. Três deles – o de Biritiba (na cidade do mesmo nome) o do Rio Jundiaí, entre a Rodovia Mogi-Bertioga e Taiaçupeba – e o de Taiaçupeba (entre Mogi das Cruzes e Suzano) operam com menos de 14% da capacidade de cada um deles. Ou seja,  13,51%, 7,10% e 11,26 respectivamente.

Já outros dois – Ponte Nova e Paraitinga, operam com 80,95% e 63,49% de suas capacidades.

A Sabesp tem uma explicação para os níveis diferentes de água armazenada em cada uma das cinco represas, em relação á capacidade total desses reservatórios, que pode ser lida mais abaixo.

Veja então como ficou a situação em cada uma dos cinco reservatórios do Sistema Produtor Alto Tietê neste 31 de outubro, e ao lado os dados de agosto e setembro.

Reservatório                                                                 Agosto 2020                 Set. 2020                  Out. 2.020

Represa de Paraitinga:           64,98%              65,25%                63,49%      

Represa da Ponte Nova:         88,46%              85,05%                80.95%

Represa de Biritiba:                 21.35%              15,08%                13,52%

Represa do Rio Jundiaí:           10,56%                 9,73%                  7,10%

Represa de Taiaçupeba:          34,81%               24,97%               11,26%

Totais gerais                                 65,2%                60,30%                 55,3%

Sabesp explica diferença entre a água armazenada em cada uma das represas

 

A Sabesp informa que os reservatórios do Sistema Integrado que abastece a Região Metropolitana – do qual fazem parte as cinco represas do Alto Tietê – estão com volume total hoje suficientes. A empresa lembra ainda que, embora 2018 tenha sido um ano de seca severa, não houve desabastecimento. “Isso porque o sistema é flexível e integrado, permitindo abastecer diferentes regiões com água de mais de um reservatório. Por isso é considerado o volume total. Essa integração se deve a obras realizadas desde a crise hídrica de 2014, como interligação de reservatórios e a entrada em operação de um novo sistema, o São Lourenço. Obras que permitiram essa flexibilidade e segurança maiores ao abastecimento”, enfatiza a Sabesp.

A empresa destaca, também, que a queda no nível das represas, inclusive do Sistema Alto Tietê, é normal nessa época do ano devido ao período de estiagem e ao volume de chuvas abaixo da média histórica, como as reportagens mensais a cada último dia mostram. “A situação não oferece risco ao abastecimento, mas a Companhia pede à população que use de forma consciente a água, evitando desperdício”, apela.

A Companhia reforça ainda que mesmo com condição de estiagem que o Estado passa, dentro das projeções, ainda tem uma boa perspectiva de recuperação dos reservatórios para o próximo ciclo. “A partir de janeiro o sistema já estaria em recuperação e em uma condição semelhante ao do início deste ano para passar por um novo período da estiagem em 2.021”, esclarece.

A Companhia segue à disposição pelos telefones 195 e 0800 011 9911 (ligação gratuita).

Veja algumas dicas de como economizar água:

1. Use vassoura e balde para lavar áreas como garagem, corredores, dentre outras. Não utilize mangueiras.

2. Não dê descarga à toa e não utilize o sanitário como lixeira. Em apenas seis segundos de válvula acionada vão embora cerca de 12 litros de água.

3. Não use água corrente para descongelar alimentos.

4. Fique muito atento a possíveis vazamentos. Eles podem passar despercebidos e são grandes causas do desperdício.

 

Saiba onde ficam as cinco represas do Spat

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova e Paraitinga (amba sem Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) e Taiaçupeba (em Mogi das Cruzes e Suzano)conforme o mapas acima e abaixo).

Essas represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros.

O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.

O Spat foi projetado visando o aproveitamento múltiplo de recursos hídricos, com ênfase para o controle de enchentes, abastecimento público, irrigação, diluição de esgotos e lazer.

As barragens auxiliam no combate às enchentes na Região e abastecem mais de 4,5 milhões de pessoas com água de qualidade, diminuindo o investimento do Governo do Estado em tratamento.

 

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Região Metropolitana de São Paulo possui 7 sistemas com várias represas interligadas

O Spat – Sistema Produtor do Alto Tietê é apenas um entre os sete sistemas de represas que armazenam e abastecem de água para a Região Metropolitana de São Paulo – composta pela Capital e outros 38 municípios (Arujá, Barueri, Biritiba Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema,Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel, Santana do Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista).

Os sete sistemas são: Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço.