Outubro bastante seco: choveu apenas 34% do previsto sobre as represas do Sistema Alto Tietê, em Mogi das Cruzes e região

Dados coletados pela Sabesp apontam que choveu pouco mais de um terço do esperado. Mas represas estão com 81,8% da sua capacidade

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Outubro foi muito seco sobre as cinco represas que compõem o Spat – Sistema Produtor Alto Tietê, de acordo com os dados diários fornecidos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Dos 113,8 milímetros de chuva esperados, ocorreram apenas 38,7 milímetros, ou seja, 34% do total aguardado – pouco mais de um terço da média histórica de precipitações aguardadas no mês .

Assim mesmo, a situação das represas do Alto Tietê fecham o mês de outubro com 81,8% da capacidade com água acumulada apenas atrás de outros dois sistemas, dos sete existentes no Estado de São Paulo – os de Rio Grande e de Rio Claro – 82,2% e 101,9% respectivamente, mas acima de outros quatro sistemas: Cantareira, que fecha o mês com 41,1%, Cotia, com 80,4%, Guarapiranga, com 69,1  e São Lourenço, com 46,4% de água acumulada.

No caso das cinco represas da região de Mogi das Cruzes, do Spat – Sistema Produtor Alto Tietê, a situação da água acumulada era bem pior no ano passado. No final de outubro de 2018, os reservatórios da região fecharam com apenas 48,7 milímetros de água, acima apenas de outros dois: Cantareira, com 34,4 mm e Cotia, com 41,8 mm. Outros quatro sistemas tinham mais água que no da região de Mogi das Cruzes.

Mas este ano o Spat vai começar novembro num patamar diferente do ano passado e muito mais favorável. Confira abaixo como devem ser as chuvas esperadas para toda a região onde estão as cinco represas.

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Mesmo com ‘outubro seco’, o Sistema vai iniciar o novembro com muita água

Mesmo com pouca chuva em outubro, novembro de 2019 começa com bastante água armazenada nos cinco reservatórios do Alto Tietê, com 81,8% da capacidade das represas. Vale lembrar que a época das chuvas fortes vai começar agora em novembro, quando a pluviometria nos cinco reservatórios da região é 130,8 milímetros.

Isso significa que o risco de desabastecimento está afastado, pois o período de chuvas está apenas começando. Esse cenário é bem diferente dos anos em que houve uma crise severa de chuvas e consequentemente abastecimento em todo o Estado de São Paulo.

E para quem se lembra, durante os meses do verão passado (2018 e 2019) – e até maio e início de junho – alguns desses cinco reservatórios do Alto Tietê chegaram a limites acima da segurança e água foi vertida para rios da região. Em junho, para evitar o transbordamento das represas, água foi despejada em rios do Alto Tietê.

Isso acontece, segundo a Sabesp, em razão das barragens do Sistema Produtor do Alto Tietê não terem comportas, e sim vertedouros de superfície e de válvulas de descarga de fundo, que automaticamente despejam água quando atingem o limite máximo. É como o chamado ‘ladrão’ das caixas d’água que cada um tem em casa. Quando fica cheia demais, acima do nível máximo, deixa escapar o excesso para evitar o transbordamento (embora as caixas tenham uma boia que evita que mais água entre quando já está no limite).

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Veja os níveis de água armazenada em cada represa da região

Em termos das cinco represas do Sistema Alto Tietê, o nível de água armazenada às 9h desta sexta-feira (01/11) é de 458,46 hectômetros cúbicos. O hectômetro cúbico é uma unidade de volume que corresponde ao volume de um cubo de cem metros (um hectômetro). Por ser uma unidade de certa envergadura, usa-se para definir a capacidade das represas ou dos lagos artificiais.

Na prática, esses 458,46 hectômetros cúbicos acumulados na manhã desta segunda nas cinco represas juntas equivalem a 458,460.000.000 – quatrocentos e cinquenta e oito bilhões, quatrocentos e sessenta milhões de litros cúbicos de água armazenadas.

Já em termos de porcentagem de água acumulada em relação à capacidade de armazenamento, as cinco represas juntas têm nesta segunda-feira (31/10) 81,8% da capacidade total. Mas  há represas mais cheias e outras menos, e esse total  está distribuído da seguinte maneira:

Represa de Paraitinga: 79,76%

Represa da Ponte Nova: 93,93%

Represa de Biritiba: 31,23%

Represa do Rio Jundiaí: 69,00%

Represa de Taiaçupeba:  67,70%

Total médio de ocupação de água mas 5 represas: 81,8%

 

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Saiba onde ficam as cinco represas
do Sistema Alto Tietê (Spat)

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova e Paraitinga (amba sem Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) e Taiaçupeba (em Mogi das Cruzes e Suzano), conforme o mapa acima).
Essas represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros.
O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.