Os 50 anos da chegada do homem à Lua. Brasil comemora esse feito

 

Agência Brasil – Brasília – O Brasil não vai ficar de fora das comemorações dos 50 anos da chegada do homem à Lua com a missão Apollo 11, em 20 de julho de 1969, um domingo. Diversos eventos, organizados pelos Correios e pela Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil vão celebrar a data em que os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins pisaram na superfície lunar.  Palestras, apresentação de filmes, exposições e também o lançamento de um selo comemorativo vão acontecer em Brasília, Belo Horizonte,  Rio de janeiro, Porto Alegre e  São Paulo.

O selo comemorativo sobre a jornada do homem à Lua trará um recorte da clássica foto, cedida pela NASA, de uma pegada deixada na Lua representando simbolicamente a famosa frase de Neil Armstrong: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”.

De acordo com o encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA, William Popp, o objetivo é fomentar o interesse pela ciência, tecnologia, engenharia e matemática: “A nossa expectativa é compartilhar essa experiência histórica com as novas gerações, incentivando maior curiosidade pela área científica”, disse.

A programação em Brasília prevê uma série de atividades como palestras e mesas-redondas, no período de 25 a 27 de julho com a astronauta e primeira mãe no espaço, Anna Fisher, que falará sobre seu período trabalhando na agência espacial estadunidense, a NASA, e o impacto das mulheres nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No dia 31 de julho, o encarregado de Negócios, William Popp, o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, e o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, farão o lançamento do selo comemorativo da chegada do homem à Lua no Planetário.

Em Belo Horizonte a cerimônia de lançamento do selo comemorativo da chegada do homem à Lua ocorre neste sábado (20/07), no Planetário do Espaço do Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais. O evento faz parte das atividades da Virada Cultural da capital mineira. Também haverá observação noturna e exibição de sessões no Planetário.

No Rio de Janeiro, o Planetário abre hoje a exposição “Um gigantesco salto: a jornada para a Lua”, que reúne fotos, ilustrações e vídeos dos arquivos da NASA sobre a trajetória das missões Apollo até o bem-sucedido pouso em solo lunar em 20 de julho de 1969. Haverá também o lançamento do selo comemorativo dos Correios. A exposição ficará aberta ao público por um ano. Em julho e agosto, serão exibidos filmes sobre a época da exploração espacial, seguidos de bate-papos com astrônomos e pesquisadores sobre as missões espaciais.

Em Porto Alegre, a programação já teve início, com a abertura, no dia 15, da exposição temática intitulada: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade – Celebração dos 50 anos da chegada do homem à Lua”, no Observatório Astronômico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Em São Paulo, as atividades tiveram início na sexta-feira (19/07), no Planetário Professor Aristóteles Orsini no Parque Ibirapuera, com a abertura da exposição “Lua à vista: 50 anos do primero passo”. Nos dias 28 a 30 de julho, estão previstas palestras com a astronauta Anna Fisher. As atividades ocorrerão no Planetário e no Museu Catavento.

 

APOLLO 11 RECOVERY = RECOVERY OF C/M; ARRIVAL OF PRES. NIXON; NIXON GREETS ASTROS; ASTROS. TRANSFER FROM HELICOPTER TO MQF

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A maior descoberta das viagens à Lua foi a Terra

 

Gilberto Costa* – Agência Brasil- Brasília – O cancioneiro nacional tem mais de uma dezena de músicas que tratam de temas ligados à epopeia humana no espaço sideral. Vinicius de Moraes e Baden Powell compuseram “O astronauta”, após o soviético Iuri Gagarin ir à órbita da Terra (abril de 1961) e revelar à humanidade que “a Terra é azul”.

O cosmo, os astros e o homem no espaço também mobilizaram Erasmo e Roberto Carlos, que nos tempos da jovem guarda compuseram a homônima “O astronauta”; “O disco voador” e “Na lua não há”. Naves espaciais, a Lua, o Sol, as estrelas, e até seres extraterrestres inspiraram Gilberto Gil (“Lunik 9”); Jackson do Pandeiro (“Cantiga da Perua”); Batatinha (“Foguete Particular”), Jorge Benjor (“O dia que o Sol declarou o seu amor pela Terra”); e Rita Lee (“Alô alô, marciano”), entre outros compositores, cantores e músicas.

Caetano Veloso registra na canção “Terra” (impressa em disco de 1978) o impacto de ter visto “as tais fotografias” do planeta obtidas pela tripulação norte-americana da Apollo 8, ao registrar “o nascer da Terra” – quando o módulo espacial voou na órbita lunar em fins de dezembro de 1968.

Em seu livro de memórias Verdade Tropical, Caetano conta como foi ver aquela imagem pela primeira vez. “Um dia Dedé [Gadelha, primeira esposa,] me trouxe uma revista Manchete com as primeiras fotografias da Terra tiradas de fora da atmosfera. Eram as primeiras fotos em que se via o globo inteiro – o que provocava forte emoção, pois confirmava o que só tínhamos chegado a saber por dedução e só víamos em representações abstratas”.

O efeito no compositor, então preso em quartel do Exército em Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, repetiu aquele partilhado por centena de milhões ou bilhão de pessoas que assistiram na véspera do Natal a transmissão via satélite em que os astronautas leram os primeiros dez versos do Gênesis, enquanto pairavam sobre a Lua e faziam imagens do satélite e da Terra.

Naquele instante ou depois, ao ver as imagens em revistas e jornais, a população mundial percebeu como a Terra era pequenina suspensa em imensurável e pacato fundo negro. “Segundo dizia [o astrônomo] Carl Sagan, foi com aquela foto, foi naquele momento, que se percebeu que a Terra está sozinha em um enorme oceano escuro, que a Terra é pequena e de certa forma frágil”, cita o físico e astrônomo Roberto Dell’Aglio, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Para ele, o legado da foto da Apollo 8 foi “florescer a consciência ecológica” e o homem perceber a finitude da Terra. Uma perspectiva até então inédita e que baseou as preocupações preservacionistas e conservacionistas que surgirão a partir dali.

“A maior descoberta da ida à Lua foi a Terra. Ou seja, a partir das viagens, nós obtivemos da órbita da Lua uma visão extraordinária da Terra”, assinala o engenheiro mecânico José Bezerra Pessoa Filho, que trabalhou por mais de 30 anos no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP).

 

Alunissagens e guerra fria

Eclipse parcial da lua

 

As imagens que comoveram artistas e cientistas, e apresentaram o mundo ao mundo, não foram, no entanto, o maior feito da aventura do homem no espaço. Esse aconteceu em 20 de julho de 1969, um domingo, quando o engenheiro aeroespacial e astronauta Neil Alden Armstrong, então com 38 anos, colocou o pé esquerdo pouco antes da meia noite (horário de Brasília) em solo lunar.

O gesto foi acompanhado das célebres palavras pronunciadas por Armstrong e escutadas em cadeia televisiva: “um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

A caminhada de Neil Armstrong e de seu colega Buzz Aldrin, por duas horas e meia, pela superfície da Lua selou a vitória simbólica dos Estados Unidos da América (EUA) sobre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) na corrida espacial iniciada na década de 1950. As demais alunissagens foram feitas exclusivamente pelos norte-americanos até 1972, em cinco seguintes missões (Apollo 12;14; 15; 16 e 17), e confirmaram a hegemonia alcançada pelo Ocidente.

Até o programa Apollo, da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), a corrida espacial era vencida com folga pelos soviéticos. Antes de colocar Gagarin no espaço e inspirar Vinicius de Moraes, a URSS lançou o Sputnik em volta da Terra (1957); enviou a cadela Laika (primeiro ser vivo) à órbita (também em 1957) e fotografou a face oculta da Lua (1959) – onde a sonda chinesa Chang’e-4 posou este ano.

“A intenção dos americanos naquele mundo bipolar era mostrar que eram melhores que o mundo comunista”, comenta Bezerra Pessoa ao lembrar da guerra fria entre EUA e URSS, e que as naves espaciais eram transportadas por foguetes que também podem servir como mísseis de longo alcance, como o foguete R7 que levou o Sputnik à órbita da Terra ou o Saturno 5 que transportou a Apolo 11 ao espaço.

“A ida à Lua tem o contexto da propaganda e do marketing, mas foi fomentado pela questão militar. O contexto era de disputa pela hegemonia no planeta. As missões do programa Apollo são resultado direto da guerra fria”, acrescenta.

Poeira das estrelas

APOLLO 11 ONBOARD PHOTO: GOOD VIEW OF ASTRONAUT FOOTPRINT IN LUNAR SOIL.
Com o pé esquerdo, o astronauta Neil Armstrong pisou em solo lunar pela primeira vez  –
Foto:  NASA/Direitos reservados

 

Para a astrofísica Duília Fernandes de Mello, vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington, “a missão Apollo ainda é uma inspiração para todos. Daqui a 500 anos a gente ainda vai lembrar do século 20 como o século que nós pisamos em outro corpo celeste”, declara com entusiasmo científico.

Na opinião de Carlos Augusto Teixeira de Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o desenvolvimento tecnológico é o maior legado daquele momento. “Havia tecnologia para lançar objetos ao espaço, colocar objetos em órbita. Mas com uma envergadura desse tipo, de ir até outro objeto no universo, orbitá-lo, pousar nesse objeto e retornar foi grande conquista”, declara ainda impressionado pela garantia de segurança, alimentação e sobrevivência das tripulações que desceram na Lua (12 homens no total).

Para além dos meios e modo de fazer alunissagem, às viagens espaciais implicaram no desenvolvimento de tecnologia em uso no cotidiano como a miniaturização eletrônica dos computadores de bordo, hoje em carros e aviões; uso de satélites para transmissão de imagens e informações; o monitoramento e ações a distância (próprio da telemedicina).

Há outras tecnologias mais comezinhas, importantes nas viagens espaciais, e presentes no dia a dia das pessoas comuns, como os tênis com absorção de impacto, as roupas térmicas, a comida desidratada e as refeições embaladas a vácuo.

Em termos científicos, o maior progresso se deu com o exame do material recolhido na Lua. A coleta de um total de 382 kg de rochas, pedra e areia da Lua, feita em seis missões do programa Apollo, ajudou o desenvolvimento da teoria de que a Lua é resultado do choque, no começo da formação do sistema solar, de um corpo celeste do tamanho de Marte com a Terra.

“O resultado dessa colisão foi um monte de partículas que ao longo do tempo foi se aglomerando e daí surgiu a Lua”, resume Bezerra Pessoa Filho. “Nós somos feitos da mesma coisa. Como disse Carl Sagan, somos feitos de poeira das estrelas. Não tem nada especial”, comenta.

“A chegada do homem à lua tem a ver com um determinado momento da construção do conhecimento, em especial com a investigação sobre como evoluiu o sistema solar, como a Terra e a Lua se formaram”, confirma o progresso Roberto Dell’Aglio, da USP.

Programa Espacial Brasileiro

O astronauta brasileiro Marcos Pontes, quando foi ao espaço em 2006
O astronauta brasileiro Marcos Pontes, quando foi ao espaço em 2006 – Foto: Nasa/Divulgação

 

A corrida espacial gerou interesse do governo brasileiro antes das descobertas das missões Apollo. Em agosto de 1961, menos de 20 dias antes de renunciar, o presidente Jânio Quadros instituiu por decreto o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Estudos Espaciais, a pedra fundamental do Programa Espacial Brasileiro. No mesmo dia do decreto, Jânio condecorou o astronauta soviético com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

“No final da década de 1950 e começo dos anos 1960, nós vivemos um momento muito promissor no Brasil de desenvolvimento tanto científico quanto tecnológico”, avalia o presidente da AEB. Conforme Teixeira de Moura, “era um momento especial. De um país essencialmente agrícola, começávamos a arranhar a fronteira do conhecimento que era a área espacial”.

Para ele, a chegada do homem à Lua oito anos após a instituição do programa espacial, “foi uma injeção de ânimo grande nas pessoas que viram que elas não estavam apenas fazendo algo como a pesquisa pela pesquisa ou a ciência pela a ciência, mas tinha a possibilidade de participar de investimentos de grande envergadura que teriam influência no nosso cotidiano”.

De acordo com o presidente da AEB, o Brasil passou na década seguinte a “ambicionar” a capacidade de projetar satélites, dispor dos serviços desses satélites e usar os centros de lançamento – a base Barreira do Inferno, fundada em 1965 em Parnamirim (RN); e de Alcântara (MA), inaugurado em 1983 – para essas operações, além de ter um foguete próprio para levar objetos ao espaço.

Segundo especialistas, a ambição do Brasil esbarrou em dois obstáculos. Uma externa e outra interna. A primeira é a diminuta cooperação internacional para realizar os feitos projetados. A sensibilidade da cooperação tem razões estratégicas. Quem fabrica foguete também pode ter míssil – como ocorreu com os Estados Unidos e a União Soviética no início da corrida espacial.

“A participação americana nos primeiros dez anos do programa espacial foi essencial. Sem eles, não teríamos chegado onde chegamos. Quando perceberam que tínhamos ambições para outras coisas, queríamos construir um foguete lançador de satélite, perceberam que não era interessante continuar apoiando”, analisa Bezerra Pessoa Filho, que se doutorou nos EUA e passou três décadas no DCTA.

Em termos formais, a cooperação técnica para construir foguete é limitada também pelo tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP), assinado em Londres, Moscou e Washington, em 1º de julho de 1968, e que o Brasil se tornou signatário em 1998.

Conforme o primeiro artigo do termo que tem valor de lei, os países nuclearmente armados comprometem-se a não transferir, ”para qualquer recipiendário”, armas nucleares ou outros artefatos explosivos nucleares.

A limitação da transferência tecnológica dificulta progressos locais, e a aquisição de soluções já prontas. “Toda vez que tem que parar uma iniciativa para reprojetar alguma coisa, que se comprava no mercado [internacional] e de repente tem que produzir por meios próprios, acaba por haver atrasos e aumento de custos”, explica Teixeira de Moura.

O presidente da AEB avalia que o bloqueio interno criou mais dificuldades do que a imposição estrangeira. “O principal fator foi a falta de prioridade política”, considera. “Sem ter isso como uma prioridade de Estado, vai ter menos prioridade de recursos, tanto materiais e financeiros quanto humanos, e as coisas começa a atrasar”.

O astronauta Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, corrobora a visão do dirigente da Agência Espacial Brasileira. “Quando uma nação se dedica a fazer alguma coisa, ela consegue fazer”, disse o ministro que esteve na Estação Espacial Internacional (ISS) em abril de 2006.

Pontes vislumbra a revitalização do programa espacial com a possibilidade do uso comercial do Centro Espacial de Alcântara. O uso da base por países estrangeiros pode gerar US$ 3,5 bilhões por ano ao Brasil, calcula o ministro

“Esse esforço de trabalhar com o Centro Espacial de Alcântara, de gerar recursos para suplementar recursos para desenvolver nossos satélites, desenvolver mais formação de técnicos e engenheiros”, descreve o ministro.

O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), assinado em março entre o governo do Brasil e o governo dos Estados Unidos, é o primeiro termo que pode viabilizar o uso da base que próxima à Linha do Equador, que garante o lançamento de foguetes com gasto menor de combustível.

Missão a Marte

Cientistas italianos descobrem água em estado líquido em Marte
Cientistas italianos descobrem água em estado líquido em Marte –
EFE/EPA/USGS Astrogeology Center/Direitos reservados

 

O ministro Marcos Pontes também é otimista com a retomada das viagens à Lua. “O ser humano tem isso de explorar o desconhecido. Foi isso que nos trouxe aqui. Foi o que nos trouxe a tecnologia, o começo da ciência, o raciocínio”, salientou em conversa com jornalistas da EBC após entrevista à TV Brasil.

“É a necessidade de conhecer que empurra a natureza humana”, disse Pontes ao comentar o interesse chinês em fazer visitas tripuladas ao satélite da Terra, intenção declarada inicialmente na Conferência de Exploração Espacial Global, ocorrida em 2017.

Roberto Dell’Aglio, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, também observa o interesse chinês em fazer um pouso no lado oposto da Lua, “que não é escuro como se pensa”. Em sua percepção, uma base na Lua pode servir como plataforma de exploração do sistema solar.

Depois de chegar à Lua, o corpo celeste mais próximo que poderia ser visitado pelo homem seria Marte. “Mas para que isso seja verdade uma quantidade grande de tecnologia precisa ser desenvolvida”, indica Dell’Aglio. Para ele, “a Lua é o lugar ideal para se testar esse tipo de tecnologia”.

O maior limitante para uma viagem tripulada à Marte “é o fator humano”, pondera o engenheiro Bezerra Pessoa Filho. Ele calcula que com a tecnologia disponível, a viagem levaria cerca de três anos e meio. “Nós nunca passamos tanto tempo no espaço assim”, ressalta.

Além do longo tempo exigido, a aventura exigiria um carregamento inédito de combustível para garantir a volta dos astronautas. “Se a gente levar o combustível que precisa para voltar, o foguete ficaria tão pesado que não sairia da Terra”, prevê.

Segundo Bezerra Pessoa Filho, a tecnologia de lançamento pode ser beneficiária dos avanços obtidos com a eletrônica após a ida à Lua, mas o foguete não seria muito diferente em peso e tamanho que o Saturno V (da altura de um prédio de 35 andares e carga de três toneladas).

O empreendimento resultaria em um gasto elevado. A preço de hoje, o especialista estima que o Programa Apollo tenha tido um custo total entre US$ 150 e US$ 250 bilhões – no teto, o valor que o Brasil deve economizar em 10 anos com a reforma da Previdência Social.

A impossibilidade tecnológica e o altíssimo custo não vão deter o gênio humano, assegura Bezerra Pessoa Filho. “A exploração espacial faz parte da natureza humana, nós somos assim. Certamente continuaremos nossa exploração. Somente neste século descobrimos 4 mil planetas fora do sistema solar”, diz lembrando das observações por telescópios gigantes.

A ciência ainda não sabe quando o homem poderá ir à Marte, mas a poesia anteviu o feito. “O homem chateia-se na Lua / Vamos para Marte – ordena a suas máquinas / Elas obedecem, o homem desce em Marte /Pisa em Marte / Experimenta / Coloniza / Civiliza / Humaniza Marte com engenho e arte”, escreveu Carlos Drummond de Andrade no poema “O Homem; As Viagens”, publicado em 1973 no livro As impurezas do Branco.

Entrevista – Pesquisa Espacial

Clique aqui e leia a entrevista com engenheiro mecânico e professor Luís Eduardo Loures da Costa, responsável pelo projeto Itasat-1, um microssatélite brasileiro construído pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Caminhos da Reportagem – O grande salto: 50 anos do homem na Lua

Algumas pessoas ainda duvidam dessa viagem, outros não têm a menor dúvida de que aconteceu. O fato é que, 50 anos depois, a Lua ainda fascina e é objeto de interesse e pesquisas nas mais diversas idades. Assista na TV Brasil.

 

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Astronauta Neil Armstrong visitou o Brasil antes de ir à Lua

APOLLO 11 CREW PORTRAIT. REF: JSC-S69-31740. ARMSTRONG, NEIL-A, COMMANDER; COLLINS, MICHAEL, MODULE PILOT; ALDRIN "BUZZ", EDWIN E., LUNAR MODULE PILOT.

 

Antes de vir ao Brasil e mesmo de saber se iria para o espaço, os astronautas Richard Gordon e Neil Armstrong concederam uma entrevista ao programa Conquista do Espaço, transmitido pela Voz da América, serviço de radiodifusão oficial financiada pelo governo dos EUA e transmitida em vários países.

A entrevista foi concedida em 1966, logo após o retorno da Missão Gemini XI, segundo programa espacial tripulado da Nasa. Naquela época, Armstrong ainda não sabia que seria convidado a participar da Missão Apollo11, que levaria o homem à Lua.

 

APOLLO 11 COMMANDER NEIL A. ARMSTRONG IN SPACESUIT.
Astronauta Neil Armstrong esteve no Brasil mais de uma vez para falar sobre programas espaciais Foto – NASA/Direitos reservados

 

Durante a entrevista, Gordon e Armstrong contam que estavam prestes a visitar países da América do Sul para falar sobre o programa espacial. No Brasil, os astronautas visitaram Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. E ambos demonstraram estar ansiosos por conhecer a nova capital brasileira. “Todos nós estamos ansiosos por ver as três cidades brasileiras. Mas eu concordo se fossemos construir uma cidade em Marte poderíamos muito bem copiar Brasília”, disse Neil Armstrong.

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Pegada de Armstrong na Lua vira selo comemorativo

Agência Brasil – Brasília – A foto da pegada do astronauta norte-americano Neil Armstrong na primeira visita tripulada à Lua é estampa de selo comemorativo dos Correios.

A chegada do homem ao satélite da Terra completa 50 anos neste sábado (20). A imagem reproduzida pelos correios foi autorizada pela Nasa, agência espacial norte-americana.

A tiragem do selo será de 240 mil unidades. O selo tem valor de R$ 3,75 a unidade.

 

Selo dos Correios: Pegada do Homem na Lua

 

Os Correios prometem vender as peças “nas principais agências de todo o país “e também na loja virtual dos Correios.

O lançamento do selo ocorrerá neste sábado em Belo Horizonte (Espaço do Conhecimento da UFMG, às 18h30), no Rio de Janeiro (na Fundação Planetário, às 14h40), e em São Paulo (no planetário do Parque Ibirapuera, em horário não confirmado).

Haverá no dia 31 de julho lançamento no Planetário de Brasília. Os Correios não informaram sobre lançamentos em outras cidades.

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Após 50 anos da ida do homem à lua, empresas ganham espaço em nova corrida espacial

Foto: Pixabay

 

A ida do primeiro homem à lua completa 50 anos. De lá para cá, iniciou-se uma nova corrida espacial. Estados Unidos e União Soviética, que disputavam o espaço de protagonistas durante a Guerra Fria, deram lugar também a empresas e até a alguns bilionários.

Hoje, já se fala em levar mulheres à lua, em explorar o espaço de forma comercial e até em colonização lunar – por meio de uma estação espacial inflável, onde o habitat vai oferecer tanto um laboratório orbital para cientistas como acomodação para turistas milionários.

O professor Cassio Barbosa, do Centro Universitário da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), lembra que essa corrida espacial teve início no fim da década de 50 como uma estratégia militar. Segundo ele, os mesmos foguetes que lançaram satélites eram os que poderiam lançar armas nucleares no país inimigo. Após a emblemática conquista em 20 de julho de 1969, Cassio afirma que atualmente os interesses dos países na corrida espacial são outros.

“Agora a motivação é econômica. Já se sabe que a lua pode ser explorada comercialmente para fazer mineração. Existem empresas de mineração espacial, principalmente na Europa e no Japão, para minerar asteroides. Então, agora começou uma outra corrida para colonizar, por exemplo, a lua, já que a lua tem uma gravidade muito menor do que a da Terra”, explicou.

O Brasil ganhou visibilidade nesse segmento em março de 2006, ano em que Marcos Pontes se tornou o primeiro cidadão do país a embarcar em uma missão espacial. O atual ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações conta que a experiência foi muito especial em sua vida.

“Eu lembro o momento durante a decolagem que o comandante falou ‘faz um sinal para o seu país’ e eu queria dizer que estava indo todo mundo comigo. Eu tinha uma bandeira do Brasil nos braços e a única coisa que eu lembrei no momento foi a bandeira do Brasil. Então, eu vou apontar para a bandeira. E eu pensei: ‘estamos todos indo juntos, para cima’. E é até interessante, que a hora que eu fui apontar, um dedo só não dá, estamos juntos, foi por isso que eu apontei com dois dedos. É uma coisa que nós realizamos, mas é para o país. Ali eu representava o Brasil inteirinho”, recorda Pontes.

Ocupação americana

A responsável pela incubadora da inovação da NASA no Brasil, Carine Elpidio, conta que a agência espacial americana tem como nova diretriz uma presença permanente na lua até o ano de 2024.

“O governo dos Estados Unidos havia planejado que a NASA retornasse presencialmente à lLua em 2028, como tinha previsto. E aí, agora, mudou o desafio e a NASA vai chegar com novos astronautas até o ano de 2024. Pretende fazer com que as pessoas que estejam indo nessa missão passem a viver lá por um tempo para poder entender realmente como é que funciona”, salienta.

Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura, o espaço se tornou um “ambiente de prestação de serviços”.

“Dos anos 60 para agora, nós passamos por uma revolução e eu diria que o essencial, no fundo, é isso: o espaço não é mais um ambiente só tecnológico, mas ele é um ambiente de prestação de serviços. E tudo isso que a gente costuma falar de foguetes, satélites, antenas e tal, são apenas instrumentos que permitem ao ser humano explorar melhor oportunidades mercadológicas, de apoio à educação, telemedicina e coisas do gênero”, projeta Moura.

Para quem ficou interessado pelo tema, entre os dias 18 e 20 de outubro deste ano, a NASA realizará um evento em Brasília, chamado NASA Space Challenge. Durante 48 horas, os participantes terão que resolver problemas relacionados ao espaço e aos astronautas – uma espécie de colaboração internacional em massa focada em exploração espacial. O objetivo é acelerar negócios, aumentar o empreendedorismo, aproximar as pessoas da tecnologia e, quem sabe, ir para a sede NASA, nos Estados Unidos. Isso porque os melhores projetos vão ser desenvolvidos junto com a agência espacial americana.