Operação prende mais de 140 suspeitos de pornografia infantil pela internet em todo o País. 3 são de Mogi

Quarta fase da Operação Luz na Infância prendeu 141 em todo o País. Em SP foram 61. Três dos presos são de Mogi. Um é ex-policial

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * – Até as 16 horas desta quinta-feira (28/03), 137 pessoas haviam sido presas em todo o País, suspeitas de cometer crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, durante a quarta fase da Operação Luz na Infância. Além das detenções, policiais civis dos 26 estados e do Distrito Federal estão cumprindo 266 mandados judiciais de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, em todo o país.

A pena para crimes de abuso e exploração sexual de menores varia de 1 a 4 anos de prisão para quem armazena conteúdo, de 3 a 6 anos de prisão por compartilhar e de 4 a 8 anos de prisão por produzir conteúdo.

Em todo o Estado de São Paulo, a  Polícia Civil cumpriu 92 mandados, resultando em 61 prisões em flagrante e cumpriu 92 mandados de busca e apreensão. O estado paulista liderou as prisões.

Em seguida, aparecem os estados de Goiás e Minas Gerais, com dez prisões cada. No Acre, foram cumpridos seis mandados de detenção, mesmo número que no Paraná.

Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso e Rio de Janeiro registraram cinco ocorrências, cada.

Quatro prisões em flagrante foram cumpridas em Mato Grosso do Sul – mesmo número que no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No Pará, houve três mandados de prisão.

Em Alagoas e em Pernambuco houve duas detenções em cada estado. Por fim, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe registraram, cada um, uma prisão.

Além das detenções em flagrante, foram cumpridos 266 mandados judiciais de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em todo o país.

Perfil dos suspeitos e das vítimas

Segundo o delegado Alesandro Barreto, coordenador do laboratório de Inteligência Cibernética, da Secretaria de Operações Integradas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. a maioria dos presos é do sexo masculino, tem entre 19 e 29 anos, vive em estados da Região Sudeste e pertence a diferentes classes sociais.

Já entre as vítimas, há crianças a partir dos 2 anos de idade. “São crianças que são abusadas por parentes, por pessoas próximas. Nas operações anteriores, vimos que a parte mais importante deste trabalho é identificar vítimas e tirá-las da situação de abuso e exploração”, disse Barreto, destacando a capacidade das polícias estaduais e federal de identificar quem comete crimes cibernéticos.

 

Em Mogi das Cruzes foram três os presos na operação

Três dos suspeitos de crimes virtuais foram presos em Mogi das Cruzes, uma das dez cidades do Alto Tietê – região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo. De acordo com a Polícia Civil mogiana, um dos presos em flagrante é um  ex-policial.

Segundo policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG), dois computadores foram apreendidos na casa do ex-policial. Nele há mais de 3 mil vídeos pornográficos adultos, além de seis vídeos e uma foto com pornografia infantil.

 

São Paulo apreendeu mídias, computadores e armas de fogo

Em todo o Estado foram apreendidos, cerca de 1.400 mídias de armazenamento de dados, 59 notebooks, 59 computadores, além de 4 armas de fogos e 193 munições de calibres variados. Todo o material foi encaminhado ao Instituto de Criminalística (IC) para perícia e, após análise, será apresentado à Justiça. O delegado geral de Polícia de São paulo, Ruy Ferraz Fontes, ressaltou a importância de ações integradas no combate ao crime. “Nós, em conjunto com as demais polícias civis do Brasil conseguimos, com muita intensidade, atuar contra a prática de um delito tão vil como é esse da pedofilia”, afirmou.

A atuação de campo reforçou a ideia de punição a todos os envolvidos. “Na medida do nosso alcance, todos os casos serão identificados, é muito difícil escapar da rede que nós lançamos na internet com os sistemas que temos de pesquisa”, explicou o delegado.

A produção, guarda e disseminação de material digital contendo cenas de pornografia infantil foram identificadas por equipes do Laboratório de Inteligência Cibernética, da recém-criada Secretaria de Operações Integradas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo o coordenador do laboratório, delegado Alesandro Barreto, a maioria dos presos é do sexo masculino, tem entre 19 e 29 anos e vive em estados da Região Sudeste. Os suspeitos pertencem a diferentes classes sociais. Já entre as vítimas, há crianças a partir dos 2 anos de idade.

“São crianças que são abusadas por parentes, por pessoas próximas. Nas operações anteriores, vimos que a parte mais importante deste trabalho é identificar vítimas e tirá-las da situação de abuso e exploração”, disse Barreto, destacando a capacidade das polícias estaduais e Federal de identificarem quem comete crimes cibernéticos.

Internet não é território sem lei

“Há uma impressão de que a internet é um território sem lei, mas as polícias dos estados estão sendo capacitadas para buscar as evidências neste ambiente. E a operação de hoje é uma demonstração de que as polícias estão cada vez mais aptas a identificar os autores de crimes neste ambiente”, disse o coordenador do Laboratório de Inteligência Cibernética da Diretoria de Inteligência da Seopi, delegado Alesandro Barreto.

A produção de conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual de crianças e adolescentes pode ser punida com quatro a oito anos de detenção. Somadas, as três primeiras fases da Operação Luz na Infância resultaram em mais de 400 prisões e instauração de vários inquéritos.

“Ocorrem verdadeiros absurdos no ambiente online e estamos identificando algumas pessoas que, em tese, são acima de qualquer suspeita, pois não têm antecedentes [criminais], nem nada. Já foram presos policiais, profissionais que tratam com crianças e da área de saúde”, afirmou Barreto.

Mais de 1,5 mil policiais civis participam da nova fase, deflagrada nas primeiras horas da manhã de hoje, em todo o país. Após destacar a dificuldade da coleta de provas capazes de responsabilizar os investigados, o coordenador do Laboratório de Inteligência Cibernética destacou a importância dos pais estarem atentos às atividades dos filhos na internet.

“Nós falamos para nossos filhos não falarem com estranhos na rua. Precisamos ter este mesmo cuidado com o ambiente online. É importante que os responsáveis legais orientem as crianças e denunciem [os casos suspeitos] pelos canais digitais, às delegacias de proteção ou pelo Disque 100 para que as polícias possam identificar esses criminosos”, defendeu o delegado.

Todo o monitoramento nacional da operação, com dados em tempo real e cooperação com suporte técnico do MJSP, está sendo conduzido, desde as primeiras horas do dia, no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN) do MJSP, em Brasília (DF).

 

Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN) do MJSP, em Brasília (DF)

Novas ações voltarão a ser realizadas

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que operações semelhantes voltarão a ser realizadas. “A operação revela os propósitos da criação da Secretaria de Operações Integradas, com todo o poder de coordenação e operações entre as polícias estaduais; entre as polícias estaduais e federais e entre as forças federais”, comentou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. “Já foram feitas operações semelhantes a esta no passado, mas não com esta envergadura. Certamente, vamos realizar novas ações desta espécie”, acrescentou o ministro.

De acordo com o ministro, as investigações vão continuar e, a partir da análise do material apreendido, será possível identificar a eventual rede de conexões existente entre os investigados e outros internautas.

“Este é um crime muito grave e que nos traz um desgosto por atingir muito fortemente a nossa infância e adolescência”, acrescentou Moro, garantindo que as autoridades não vão tolerar as práticas criminosas.

“É importante realizarmos esta operação cumprindo todos os mandados numa mesma data porque, assim, mandamos um recado claro: este tipo de crime não pode ser tolerado”, afirmou Moro.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, destacou os resultados obtidos com a atuação integrada entre governo federal e polícias civis de todo o país 

As etapas anteriores da Luz na Infância

Somadas, as três primeiras fases da Operação Luz na Infância resultaram em mais de 400 prisões e instauração de vários inquéritos, como segue abaixo:

Na Operação Luz na Infância 1, em 20 de outubro de 2017, foram cumpridos 157 mandados de busca e apreensão de computadores e arquivos digitais pelas polícias civis dos Estados, resultando em 108 pessoas presas.

Já na Operação Luz da Infância 2, que foi deflagrada em 17 de maio de 2018, foram cumpridos 579 mandados de busca, e o resultado final foi 251 pessoas.

Na Operação Luz da Infância 3, em 22 de novembro de 2018 – que abrangeu o Brasil e a Argentina, foram cumpridos 110 mandados de busca, com 46 pessoas presas.

 

*Com informações da  Agência Brasil, Polícia Civil de São Paulo e Ministério da Justiça e Segurança Pública