Operação MedCruz da Polícia Federal e CGU combate o desvio de verbas públicas do SUS e chega a Mogi das Cruzes, Suzano e Poá

Operação foi deflagrada em Cruzeiro, cidade do Vale do Paraíba, mas chegou também em Mogi das Cruzes e outras duas cidades do Alto Tietê

 

DE SÃO PAULO – Nesta quinta-feira (21/05), a Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU), deflagrou a Operação MedCruz, voltada ao combate do desvio de verbas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) destinadas à Prefeitura do Município de Cruzeiro/SP, no Vale do Paraiba, interior paulista, e também chegou a três cidades do Alto Tietê – região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo.

De acordo com as assessorias da PF e CGU, a operação consiste no cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Federal de Guaratinguetá/SP, também no Vale do Paraíba. As ações policiais ocorrem nas cidades paulistas de Cruzeiro, Piquete, Taubaté – três no Alto Tietê, Po, Mogi das Cruzes e Suzano, além de Resende, no Estado do Rio de Janeiro Ao todo, foram mobilizados 62 policiais federais e 5 auditores da CGU. Além dos mandados de busca e apreensão expedidos, a Justiça Federal decretou ainda o afastamento cautelar da função pública exercida por investigados e o sequestro dos bens dos envolvidos.

A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE buscou junto à PF e AGU saber os nomes dos envolvidos, e órgãos públicos ou particulares, nas três cidades do Alto Tietê – Mogi das Cruzes, Poá e Suzano – mas não obteve resposta. A única informação adicional é que esse esquema de superfaturamento causou prejuízo em torno de R$ 470 mil.

 

Fraudes em Organização Social iniciou investigações

As investigações tiveram início há aproximadamente um ano, a partir de Relatório de Fiscalização da CGU, que apontou indicativos de fraudes nas contratações de uma Organização Social (OS) para gerenciamento, operacionalização e execução das ações e serviços de saúde (Atenção Básica, Atenção Especializada e Assistência Farmacêutica) no município de Cruzeiro/SP, envolvendo gestores públicos municipais, pessoas físicas e jurídicas.

Segundo se apurou, há indícios da existência de relacionamentos entre gestores municipais, membros da Comissão de Qualificação de Organizações Sociais (CQOS), dirigentes da OS e as empresas subcontratadas para prestação de serviços no âmbito dos contratos de gestão com a Prefeitura do Município de Cruzeiro/SP, com o recebimento de vantagem econômica indevida por funcionários públicos.

Além de possível favorecimento na contratação da OS, foram verificados indícios de falsidade documental, repasses de valores acima dos devidos à OS, pagamentos por serviços não prestados, apropriação indevida de valores e movimentações bancárias consideradas atípicas pelo COAF.

O prejuízo estimado, até o ano de 2018, é de mais de R$ 3,5 milhões. Todavia, considerando que o contrato de gestão foi prorrogado, o valor do prejuízo possivelmente é maior.

De acordo coma assessoria da Polícia Federal, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude a licitações, falsidade documental, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas cominadas podem chegar a 49 anos de prisão.