Vereador Antonio Lino e Pablo Bezerra seguem foragidos. Assessores e empresários foram para CDP de Mogi e vereadores a Tremembé

Dos 12 mandados de prisão, 2 seguem foragidos. Assessores e empresários foram para CDP e 4 vereadores para Tremembé

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Dos 12 mandados de prisão contra vereadores de Mogi das Cruzes, assessores, familiares e empresários, na Operação “Legis Easy”, do Ministério Público do Estado de São Paulo, três ainda não foram cumpridos até esta terça-feira )08/09), quatro dias após a ação das autoridades, na última sexta-feira (04/09). A operação “Legis Easy” – que em português significa “legislação fácil”, denunciou 12 pessoas por  suspeita de envolvimento em crime de corrupção.

Os oito presos estavam na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no Parque Monte Líbano, e um dos presos em domiciliar, em razão de ter passado mal.

Nesta terça-feira (08/09), os empresários e assessores presos foram transferidos da Cadeia da cidade para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes. Na manhã desta quarta-feira (09/09) os 4 vereadores presos firam transferidos ou para o Complexo Prisional de Tremembé, no Vale do Paraíba, local onde presos famosos estão ou já estiveram.

 

Dois ainda não foram presos

A operação “Legis Easy” – que em português significa “legislação fácil”, denunciou 12 pessoas por  suspeita de envolvimento em crime de corrupção. Ainda estão soltos o vereador Antonio Lino da Silva (PSD), o filho do vereador Chico Bezerra – que está em prisão preventiva domiciliar em razão de ter passado mal, Pablo Bezerra, e a empresária Carla Salvino Bento.

Nesta quinta-feira (10/09), a Justiça concordou em transformar em prisão domiciliar a prisão preventiva da empresária Carla Salvino Bento. Clique e leia

Sobre os três já surgiram boatos de toda ordem. Um exemplo é que Antonio Lino estaria em Bertioga, cidade da Baixada Santista, ou no interior do Paraná, local onde nasceu. Sobre Pablo e Carla também, mas nada até agora foi confirmado. Lino, por exemplo, foi dado como preso, desde sábado – o que não ocorreu – em diversos perfis no Facebook. Mas de verdade não ha nada.

Foram presos na própria sexta (04/09), os vereadores Jean Lopes (PL), Diego de Amorim Martins,o Diegão, (MDB), Carlos Evaristo da Silva, o pastor Evaristo (PSB), Francisco Moacir Bezerra, o Chico Bezerra (PSB) e e Mauro Araújo (MDB). Chico Bezerra está em casa, como explicado acima. Além deles, na sexta ainda foram presos Carlos César Claudino de Araújo, irmão do vereador Mauro Araújo,além de Willian Casanova (empresário e consultor de assuntos governamentais da Câmara de Mogi) e Joel Leonel Zeferino.

No sábado (05/09), outro assessor parlamentar foi preso pela polícia enquanto caminhava por uma rua do bairro Mogi Moderno. Trata-se de André Alvim de Matos, apelidado de Gordão, assessor do vereador Diego de Amorim Martins (MDB), o Diegão.

 

Transferência da Cadeia para o CDP

Nesta terça-feira (08/09), pós feriadão nacional, foram transferidos da Cadeia Pública mogiana para o CDP do Taboão, em Mogi, Carlos César Claudino de Araújo, empresário e irmão de Mauro Araújo, Joel Leonel Zeferino, empresário, Willian Casanova, empresário do ramo da construção civil e também funcionário da Câmara e André Alvim de Matos, o Gordão, assessor do vereador Diego de Amorim Martins (MDB), o Diegão.

O que afirma o Ministério Público

A investigação do Ministério Público, por meio da Promotoria do Patrimônio Público, levou a 3ª Vara Criminal do Fórum de Mogi das Cruzes a expedir 12 mandados de prisão e 12 de busca e apreensão. O Ministério Público sustenta que os empresários compravam apoio para aprovar leis encomendadas por eles, e apura se houve organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As apurações estão a cargo do promotor Kleber Henrique Basso.

A operação da sexta-feira é uma sequência da que foi feita na Câmara Municipal em novembro de 2.019, mais especificamente no gabinete do vereador Mauro Araújo, quando o órgão apreendeu documentos e aparelhos celulares. Nessa ocasião também houve quebra de sigilo bancário. E investiga denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, no Semae (Serviço Municipal de Águas e Esgotos) e na Secretaria Municipal de Saúde.

Após a apreensão feita no gabinete do vereador Mauro Araujo, no fim do ano passado, as investigações identificaram três empresas que seriam utilizadas para lavagem de dinheiro. São elas a WA, do próprio vereador, a MLC, de Carlos César Claudino de Araújo, irmão do vereador, além da Casanova Mix, empresa do setor de materiais de construção.

O MP sustenta que dentro de um sofisticado esquema criminoso, o vereador Mauro Araújo é o principal articulador dele. Ele é o responsável pela relação junto a empresários que possuem contratos com a administração pública, bem como é aquele que controla as finanças da organização criminosa, distribuindo aos demais vereadores denunciados os recursos respectivos e se apropriando de outra parte.
Mauro Araújo, diz o MP, recebe recursos públicos dos empresários por meio das contas bancárias das empresas M.A. Assessoria Financeira Ltda, MLC de Araújo e Casa Mix Comércio de Produtos em Geral Ltda e MLC de Araújo ME.

Por meio de vários documentos juntados na denúncia, o Ministério Público diz que a empresa M.A. Assessoria Financeira Ltda, pertencente a Mauro Araujo, e as outras duas pertencem ao irmão de Mauro e ao seu chefe de gabinete na Câmara Municipal, quais sejam, os investigados Carlos Cézar Claudino de Araújo, vulgo “Cezinha” e Willian Casanova.

Ainda segundo o MP, os investigados José Pedro Beraldo (já falecido), Carla Salvino Bento, Pablo Henrique de Souza Bezerra e Joel Leonel Zeferino também integram o esquema criminosa, pois são eles os responsáveis pelos repasses financeiros a Mauro Araújo, por intermédios de pessoas jurídicas ou mesmo diretamente, haja vista que possuem contratos e interesses junto à administração pública.

Em resumo, de posse desses documentos e telefones celulares apreendidos no ano passado, o MP cruzou dados e conversas de WhatsApp e identificou as três empresas acima, que seriam utilizadas para lavar dinheiro e, por fim, eram as beneficiadas por repasses financeiros de dinheiro público. Empresas com contratos com a Prefeitura de Mogi das Cruzes, beneficiadas pelo esquema, repassavam, depois, o dinheiro para empresas ligadas ao vereador Mauro Araújo.

O que o MP confirmou, ainda, é que leis eram encomendadas pelos empresários, que compravam apoio dos vereadores para que fossem aprovadas na Câmara de Mogi, por isso a circulação financeira entre eles.

Abaixo, clique e leia a íntegra da denúncia do MP à justiça contra vereadores de Mogi das Cruzes, assessores parlamentares e empresários.

DENÚNCIA MP VEREADORES ASSESSORES EMPRESÁRIOS MOGI