Óleo, arroz, feijão, leite, etc. Preços altos assustam os consumidores

Arroz, feijão, óleo de soja, leite e seus derivados estão entre os produtos com maior aumento nas gôndolas

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A alta de preços de alguns itens básicos do alimento do brasileiro assusta mogianos e moradores do Alto Tietê – na sub-região Leste da Grande São Paulo, com altas do arroz, feijão, óleo de soja e o leite e seus derivados, entre outros produtos. Um que teve o preço aumentado – e muito – foi o óleo de soja, que segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), subiu 14,18%. Mas a sensação é de que aumentou mais ainda.

O óleo de soja foi aumentando ao longo dos meses. Em abril, custava em torno dos R$ 2,90, em julho pouco acima de R$ 4,00 e hoje há locais em que o produto já passa dos R$ 6,00. De acordo com tabela fornecida pela Associação Paulista de Supermercados (APAS), o óleo de soja aumentou, de janeiro a julho deste ano, 9,56%, mas o salto maior foi na contagem de 12 meses – de julho de 2019 a julho deste ano, quando a alta alcançou 23,51%.

O queijo mussarela, por exemplo, há dois meses havia ofertas, nos atacadistas da cidade, em torno dos R$ 18,00 o quilo. A reportagem do CORREIO INDEPENDENTE percorreu os mesmos atacadistas de Mogi no último fim de semana e o menor preço por quilo desse produto estava em torno dos R$ 28,00, e o maior acima de R$ 35,00.

E foi justamente leite – e seus derivados – que atingiram um dos maiores índices de aumento este ano. Pesquisa da APAS indica que de janeiro a julho de 2.020 o produto foi reajustado em 21,62%.

“Está difícil, reduzir, ou até deixei de comprar, alguns produtos derivados do leite, mas não sei o que fazer nas próximas semanas, disse a dona de casa Mariângela Braga, que fazia compras em um atacadista de Mogi na manhã deste domingo.

Feijão, o grande vilão

Mas a maior alta, seja em 12 meses ou este ano, foi do feijão. Relatório da APAS mostra que de janeiro a julho deste ano, o aumento foi de 23,14%, mas a pancada maior na cabeça (e no bolso) do consumidor ocorreu em 12 meses, de julho do ano passado a julho deste ano: 48,37%.

A APAS afirma que tem reforçado, desde o início da pandemia, para que os supermercados associados não aumentem suas margens de lucro e repassem aos consumidores apenas o aumento proveniente dos fornecedores. “Isso para que possamos assegurar o emprego dos nossos colaboradores e garantir que a população tenha alimentos de qualidade à disposição”, diz a entidade.

E para agosto – mês subsequente á essa pesquisa da APAS, a cesta básica do brasileiro continuou subindo. De acordo com o Dieese, Houve uma aumento em 13 das 17 capitais pesquisadas, na comparação com o mês anterior.

 

Arroz, disparando

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o produto comprado dos produtores pelas indústrias ficou 30% mais caro somente em agosto. Para a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), que representa as 27 associações estaduais afiliadas, o setor supermercadista tem sofrido forte pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores. Itens como arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja com aumentos significativos. “Vemos essa conjuntura com muita preocupação, por se tratar de produtos da cesta básica da população brasileira”, diz a entidade.Nos supermercados, há sacos de 5 kg sendo vendido de R$ 20,00 até R$ 40,00.

Razões para os aumentos

No caso de alimentos como arroz, feijão e soja (de onde é extraído o óleo), as importações feitas pela China são uma das razões da alta dos preços aqui no Brasil. Com medo de faltar comida para sua população – de 1,4 bilhão de habitantes, sete vezes a do Brasil – a China importou, somente de janeiro a julho deste ano, 50,5 toneladas de soja, 32% a mais que nos mesmos sete meses do ano passado.

 

Avaliação da APAS

Na avaliação da Associação Paulista de Supermercados, o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) está controlado porque, no acumulado do ano, itens como os transportes, combustíveis e recreação estão com deflação, já a habitação, por sua vez, está com acumulado de apenas 0,76%. “Mas esta não é a realidade do grupo dos alimentos, que possuem grande importância na composição do orçamento familiar. O feijão e o arroz, por exemplo, estão respectivamente com inflação acumulada em 23,1% e 21,1% em 2020. Está cada vez mais difícil para o consumidor comprar os itens que costumeiramente eram os primeiros a entrar no prato do brasileiro”, diz a entidade, ilustrando com a informação de que o arroz, feijão, leite e óleo de soja, por exemplo, estão com aumento acumulado médio em 18,85% no ano, número quase quatro vezes maior que o índice geral de preços dos alimentos (5%).

Assim como Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e as demais 26 associações estaduais afiliadas à entidade que representa o setor supermercadista nacionalmente, a APAS recomenda aos supermercadistas que continuem negociando com seus fornecedores e comprem somente a quantidade necessária para a reposição, bem como ofereçam aos seus consumidores opções de substituição aos produtos mais impactados por esses aumentos provenientes dos fornecedores de alimentos.

 

Levantamento da APAS do comportamento dos preços

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil