Oitentena: Mogi das Cruzes e todo Alto Tietê seguem na fase vermelha, a mais restrita, e sem a tão esperada flexibilização do comércio

Tudo continua como está. Na próxima quarta-feira, 10, Doria “pode” – ou não, anunciar flexibilização

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE*  – A expectativa dos prefeitos e da população das 12 cidades do Alto Tietê – região do Condemat (Alto Tietê geográfico (mais Guarulhos e Santa Branca) passasse da zona vermelha – a mais restrita – para a laranja, com a possibilidade da abertura gradual de alguns setores da economia, caiu por terra. Isto porque, na entrevista coletiva do início da tarde desta quarta-feira (03/06), o governador João Doria (PSDB) e sua equipe anunciaram que nada muda por enquanto.

A quarentena, que já durou 69 dias até o domingo passado (31/05), vai virar mesmo “oitentena” – termo que não existe, mas serve para retratar a situação. Por enquanto, não há alteração nas classificações de quarentena anunciadas na semana passada. Continuam com restrição máxima os municípios da Grande São Paulo – exceto a capital -, Baixada e Registro, enquanto dez regiões estão na fase 2 (laranja) com flexibilização em nível mais restrito e outras quatro estão na fase 3 (amarela).

Vale destacar que o Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê) representa dez cidades do Alto Tietê geográfico – Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano – mais Guarulhos e Santa Branca. No total, cerca de três milhões de pessoas vivem nesses 12 municípios.

 

Pressão de nada adiantou

O Condemat, que pressionava Doria para flexibilização e mudança para a fase laranja – como a Capital – mais branda, após a coletiva do Governo Estadual parece ter arrefecido a pressão “concordado” com a manutenção da fase mais restritiva. Em nota, o consórcio anunciou:

“Na primeira reavaliação do Plano São Paulo, o Governo do Estado apresentou os avanços nas cinco sub-regiões da Grande São Paulo, sendo que a região Leste, representada pelo Condemat, é a que teve a maior implementação de novos leitos de UTI Covid-19. Foram 61 leitos no período de uma semana. Mantidos os esforços, o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, afirma que a tendência é a mudança de fase na próxima semana.”

Ou seja, o Condemat acredita que na próxima quarta-feira (10/05), quando a quarentena e isolamento em Mogi das Cruzes e região vão completar 79 dias – a tão sonhada mudança de classificação e reinício gradual da volta do comércio e serviços possam acontecer. Mas, de acordo com a palavra do presidente do consórcio regional, Adriano Leite, prefeito de Guararema, a região espera mesmo até 15 de junho – quando então a quarentena vira “oitentena” e completará 84 dias.

“É nítida a progressão que a região teve nos indicadores, resultado da soma de esforços de prefeitos, Estado e serviços de saúde. Mas sabemos também que o prazo foi curto e é preciso avançar ao longo desta semana para que o Alto Tietê possa iniciar, com cautela redobrada e responsabilidade, a retomada a partir do dia 15 de junho. Trabalhamos com essa data, ressaltando que não será a liberação da quarentena e, sim, uma nova fase em que será primordial o apoio de todos”, afirma Adriano Leite.

O posicionamento de Adriano Leite é igual ao do governador João Doria, que disse hoje: “Na próxima quarta-feira, o Governo de São Paulo vai divulgar um novo balanço do plano, com a possibilidade de reclassificação das regiões para fases mais ou menos restritas de reabertura econômica a partir do dia 15. Essa realidade será mantida, no mínimo, até o próximo dia 15 de junho na atual quarentena”, reforçou o governador.”

Reparem que Doria disse”no mínimo”. Ou seja, a oitentena pode se estender ainda por todo o mês de junho. O governo estadual disse que os indicadores de cada DRS (Departamento Regional de Saúde) determinam cinco possíveis fases de reabertura de atividades econômicas não essenciais. Os critérios são: média da taxa de ocupação de leitos de tratamento intensivo para Covid-19; número de leitos UTI Covid-19 por 100 mil habitantes; e taxas de acréscimo ou decréscimo de casos confirmados, internações e mortes pela doença na comparação com a semana anterior.

 

Critérios para mudança de faixa

Sobre os critérios para “merecer” a reclassificação e mudança da faixa mais restrita para uma com mais flexibilidade, o presidente do Condemat avaliou que os municípios estão atuando para ampliar a oferta de leitos de UTI para pacientes de Covid-19 através de contratação de serviços privados e ampliação de unidades municipais. Há, também, a previsão de mais 198 leitos nos hospitais estaduais da Região até 30 de junho e o envio, nesta semana, de mais 30 respiradores para Guarulhos e Suzano, além dos 20 enviados para Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes.

“Paralelo aos esforços na capacidade hospitalar, as cidades já trabalham nos protocolos junto aos principais setores econômicos para que a retomada possa ocorrer ainda que em passos lentos, mas segura e sem riscos de regressões”, conclui o presidente do Condemat.

 

*Com assessorias do Condemat e do Governo do Estado