Nove anos após o estupro e assassinato de Pâmela, de 14 anos, na favela do Gica, DNA identifica que assassino era vizinho da vítima

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Nove anos após o estupro e assassinato de Pâmela Aparecida da Silva, de 14 anos, quando ia para a escola, na antiga favela do Gica (atual Vila Estação), em Brás Cubas, o crime foi esclarecido pela Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Mogi das Cruzes (SHPP), graças aos exames de DNA. Foi feita a comparação do material genético do suspeito com o encontrado no corpo da vítima.

O assassino da adolescente é Claudionor dos Santos, o “Beiço”, que era vizinho da vítima. Pâmela foi estuprada e morta em 9 de junho de 2010. Ela saiu para ir a escola e foi atacada. Seu corpo foi descoberto após uma pessoa ter feito uma ligação anonima para a Polícia Militar informando sobre um corpo em uma mata. Ela estava com sinais de estrangulamento e com parte da calça abaixada em uma área de mata Rua Santa Virgínia, na comunidade – que fica ao lado da estação Braz Cubas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

De acordo com o delegado Rubens José Ângelo, do SHPP, Claudionor já está preso, e com o auxílio do serviço de inteligência da Polícia Civil, foi possível saber que ele já havia sido preso outras vezes – tanto por roubo, furto, tráfico de drogas e crimes sexuais. O suspeito teve a prisão temporária decretada pela Justiça e vai responder por homicídio, estupro e ocultação de cadáver.

Na ocasião, um outro homem chegou a ser apontado como o estuprador e assassino de Pâmela, mas as investigações policiais descartaram que ele fosse o autor dos crimes. “O Claudionor, naquela ocasião, não era suspeito. Durante as investigações, foram realizados diversos confrontos genéticos, de aproximadamente seis ou sete homens suspeitos e todos deram negativo. Desta vez, o confronto genético apontou que havia material genético de Claudionor no corpo de Pâmela. Ele é um criminoso perigoso, que não pode sair da cadeia mais”, sintetiza o delegado Rubens José Ângelo.

Fuga da prisão

Ainda de acordo com a Polícia Civil, na época do assassinato de Pâmela, Claudionor fugiu da penitenciária em Lucélia, interior paulista, onde estava preso por ter estuprado a própria enteada. Nessa saída, ele foi para a antiga Favela do Gica, onde estuprou e matou a garota, que era sua vizinha.

O delegado Rubens José Ângelo informou que ele deve ser ouvido nos próximos dias sobre esse crime.

 

Atrás de notícias

A mãe de Pâmela, a autônoma Marli da Silva, contou que ia constantemente ao Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Mogi das Cruzes e busca de informações. Nove anos depois, finalmente eles chegaram. “Ela não vai mais voltar, mas a Justiça foi feita e ele vai pagar pelo que fez”, desabafou Marli. “Durante esses nove anos eu procuro justiça, de quem fez mal a ela. Agora já sabemos quem foi, e que vai pagar por isso”. Marli disse que não conhecia Claudionor.

A avó materna de Pâmela, Felicita Gomes da Silva, foi a primeira da família a saber da morte da neta. “Eu vi o pessoal entrando em uma mata. Aí eu perguntei a umas moças o que havia acontecido, e elas me falaram que encontraram o corpo de uma jovem, e que pelo jeito era estudante”. Ela então foi até o local, pediu licença, pois havia uma multidão aglomerada em frente a área de mata. “Eu entrei, os policiais abriram um espaço para que eu visse o corpo e vi que era da minha neta”. Ela, então, foi até a casa onde moram para avisar a filha sobre o que havia acontecido. “Ela não acreditava, foi muito triste, mas infelizmente eu constatei que era a Pãmela”.

A adolescente estuprada e morta Pâmela, o assassino Claudionor e o delegado titular do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Mogi das Cruzes (SHPP), Rubens José Ângelo