Mulher é barrada com LSD nos bolsos ao entrar no CDP de Mogi

Mulher, de 25 anos, levaria cartela de LSD ao marido, no bolso da calça, mas foi flagrada durante a revista

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) flagrou uma visitante que tentava entrar com drogas no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes, no Taboão, neste domingo (08/09). De acordo com a SAP, a mulher, de 25 anos, é esposa de um detento do presídio e trazia uma cartela de LSD para seu marido.

Agentes de segurança do CDP, durante a manhã, por volta das 9h20, desconfiaram de um objeto suspeito na roupa da mulher, que foi visualizado a partir das imagens geradas pelo escâner corporal (Body Scanner). Tratava-se do alucinógeno que a visitante escondeu no bolso da calça.

Após o flagrante, os agentes da Secretaria encaminharam a mulher para o 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, no Parque Monte Líbano, onde foi lavrado o Boletim de Ocorrência. Além de problemas com a Justiça, ela agora teve o nome suspenso do rol de visitas da SAP. A direção do CDP enviou comunicado para a Vara de Execuções Criminais, além de instaurar Procedimento Disciplinar Apuratório, que vai agravar ainda mais a situação do detento que receberia o LSD.

 

Saiba o que é LSD

LSD é a abreviação de dietilamida do ácido lisérgico (do alemão Lysergsäurediethylamid), uma das drogas alucinógenas mais potentes que existem.

O LSD é uma substância líquida sintética (criada em laboratório) sem cheiro, sem cor e com gosto amargo. Sua forma de utilização mais comum é através da via oral, com a ingestão de gotas diluídas em água ou absorvidas em micropontos de papel.

O LSD é uma droga de uso, posse e comercialização proibidas e, na maioria dos países, criminalizadas. Dependendo da região, o LSD também é popularmente chamado de ácido, doce, papel ou quadrado.

 

LSD - MicropontosA forma de Comercialização mais comum de LSD é através de micropontos de
papel nos quais a substância é pingada e absorvida

Efeitos do LSD

 

LSD - CérebroMonitoramentos da atividade cerebral comprovaram que o LSD aumenta o
fluxo sanguíneo no cérebro e cria conexões entre neurônios.

 

Diversos experimentos já demonstraram que o LSD aumenta a atividade neural e cria conexões entre diferentes partes do cérebro. Esses efeitos ocasionam inúmeras alterações na percepção, que se iniciam cerca de 1 hora após a ingestão da droga e podem durar até 12 horas. Além disso, os efeitos mais comuns envolvem:

Efeitos físicos

  • Aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial
  • Insônia
  • Desidratação
  • Pupilas dilatadas
  • Tontura
  • Falta de apetite

Efeitos psicológicos

  • Alucinações
  • Confusão mental
  • Ataques de pânico e ansiedade
  • Euforia
  • Perda da noção de espaço
  • Dissociação do corpo e da realidade

O LSD também é considerado uma substância enteógena, ou seja, que proporciona estados alterados de consciência, permitindo que os usuários tenham experiências de cunho espiritual.

O LSD é tão potente que sua dosagem é sempre feita em miligramas. É possível que uma pequena dose de 50 miligramas (para contextualizar, as doses podem chegar até 400 miligramas) cause efeitos que durem por mais de 12 horas. Além disso, é comum que um indivíduo que tenha ingerido LSD experimente flashbacks (episódios de recaída dos efeitos) em algum momento futuro mesmo sem novas utilizações da droga.

Quais os riscos para a saúde?

A substância não causa dependência química, mas os efeitos de euforia e dissociação da realidade podem causar dependência psicológica, sobretudo em usuários com tendências depressivas. Além disso, alguns estudos apontaram que a utilização reiterada da droga pode aumentar a predisposição à esquizofrenia.

Histórico e origem do LSD

O LSD foi sintetizado pela primeira vez em 1938 pelo cientista suíço Albert Hofmman, que desenvolveu a substância através do ácido lisérgico encontrado no fungo claviceps purpurea. No entanto, as propriedades alucinógenas da droga só foram descobertas anos depois.

Em 19 de abril de 1943, data que ficou conhecida como “Dia da Bicicleta”, Albert Hoffmman efetuou um experimento em si próprio e ingeriu 0.25 miligramas de LSD. Em menos de 30 minutos, enquanto ia para a sua casa de bicicleta, o cientista experimentou intensas mudanças de percepção e sentimentos de ansiedade, paranoia e felicidade. O Dia da Bicicleta é celebrado pelas comunidades psicodélicas como a data da descoberta do LSD.

 

LSD - Albert Hoffman
Albert Hoffman, criador do LSD e de outras substâncias alucinógenas.

 

Em 1947 o LSD foi introduzido no mercado sob o nome “Delysid” como um medicamento com diversos usos psiquiátricos.

A partir da década de 50, os experimentos com LSD geraram mais de 1000 teses científicas, dezenas de livros e seis conferências internacionais. Na época, a substância foi prescrita como tratamento para mais de 40.000 pacientes. Além disso, experimentos mostraram que LSD era uma forma efetiva de combate ao alcoolismo e de aumento de criatividade em artistas.

Na metade da década de 60, o governo americano removeu o LSD de circulação e tornou a utilização da substância, sob qualquer forma, ilegal. Com o tempo, as mesmas medidas foram tomadas no resto do mundo.

Foto do alto: SAP / Divulgação