Morre em SP aos 83 anos o professor e historiador Jurandyr Ferraz de Campos

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Morreu em São Paulo, aos 83 anos, na manha desta quinta-feira (17/10), o professor e historiador Jurandyr Ferraz de Campos. Ele estava internado há dez dias no Hospital Beneficência Portuguesa, na Bela Visa, em São Paulo. A causa da morte de Campos foi uma fibrose pulmonar.

Como em vida o professor declarou a vontade de não ser velado, nesta sexta-feira (18/10), das 9h30 às 11h, a família fará uma breve cerimônia de despedida na Ordem Terceira do Carmo, em Mogi das Cruzes

Após essa cerimônia, o corpo seguirá para ser cremado em São Paulo.

O professor Juradyr Ferraz de Campos deixa a esposa Marlene Pinto de Campos com quem teve os filhos Áurea Cristina, Marcos Eduardo e Marcela.

Jurandyr, nascido em Caçapava, no Vale do Paraíba, veio para Mogi nos primeiros meses de vida. Em agosto deste ano recebeu, da Câmara Municipal, o título de Cidadão Mogiano (foto abaixo).

Na cidade, lecionou em escolas da rede estadual de ensino, particulares e por 27 anos na Universidades de Mogi das Cruzes (UMC). Paralelo ao ensino, trabalhou de 1959 até 1989 no Banco do Brasil, empresa onde se aposentou.

Foi secretário Municipal de Cultura e Meio Ambiente entre 2000 e 2004 e um dos grandes divulgadores do folclore da Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, inclusive foi festeiro do evento em 1989. Era membro fundador da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras (AMHAL).

No final da década de 80 e início da de 1990, colaborou com a revista Expressão Educação & Cultura, de Mogi, onde explicava o traçado antigo do Centro de Mogi, que era praticamente o mesmo desde a época do Império. Com farto material e mapas, publicava a cada edição a história da cidade, entrelaçada com a história do Brasil colonial. E explicava, em detalhes, que quem vinha da Vila de São Vicente, onde está Santos, ou de São Paulo de Piratininga, e precisava ir ao Rio de Janeiro, obrigatoriamente tinha que passar por Mogi. Como a revista tinha grande tiragem, e distribuição gratuita, podia passar ao leitor dados e fatos importantes da Mogi que já se transformava em passos largos, mas que mantinha, ainda, traços do passado.

Pelo Facebook, Leila Daibs Cabral escreveu: “Vejo com pesar nossa Mogi Das Cruzes perder um de seus antigos batalhadores. Hoje, partiu o historiador e professor, Jurandyr Ferraz de Campos, nome de peso no meio intelectual e acadêmico do município. Perda sentida e irreparável, deixa, certamente, os melhores exemplos em favor do ensino e da causa pública. Membro da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras, respeitadissimo pelos seus conhecimentos, finesse e companheirismo, jamais será esquecido. Siga em paz, querido mestre!”

O seu sobrinho Tiago Campos Padgurschi, em parte do seu texto de despedida, escreveu: “Hoje um dos maiores pesquisadores e historiadores desse Brasil concluiu sua missão na orbe terrestre, por coincidência meu tio querido, brincalhão de risada fácil, para quem não o conheceu sinto informar perdeu uma ótima oportunidade de uma boa conversa, história sobre índios, sobre Brasil Império, Brasil Colônia, é vish era história heim!? Não distante, mas sim aqui da nossas cidades das nossas veredas, sim pq é isso q ele descobriu em suas pesquisas e relatou em seus livros em Mogi das Cruzes, Caraguatatuba e tantas outras , assim ele era construía história com fragmentos perdidos e quando se via o q se achava perdido se fazia novo e feito, registrado para que nunca mais fosse esquecido, pois um povo sem memória está fadado a cometer os mesmos erros bem dizia, parafraseando a também historiadora Emília Viotti da Costa”.

O professor e historiador Glauco Ricciele, presidente da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras (na foto abaixo com o professor Jurandyr), escreveu: “Dia triste em nossa Villa de Sant’Anna das Cruzes de Mogy.Hoje nosso eterno professor e historiador Jurandyr Ferraz de Campos nos deixa e repousa junto a morada do Divino Espirito Santo. Muito obrigado pelos ensinamentos e saberes mestre”.

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Um pouco sobre o professor e historiador

Personalidade conhecida nos meios acadêmicos mogianos devido as suas pesquisas históricas, o professor Jurandyr Ferraz de Campos é também um grande divulgador das tradições religiosas e folclóricas da Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, da qual foi festeiro em 1989.

Formou-se Bacharel em História pela Universidade de São Paulo, onde graduou-se e fez mestrado. É licenciado em História pela PUC — Pontifícia Universidade Católica. Aprovado em concurso público para o Banco do Brasil S.A., exerceu suas funções laborais de 1959 até 1989, quanto aposentou-se das atividades junto à instituição financeira.

Paralelamente às atividades profissionais junto a agência bancária local, atuou como professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), nas disciplinas: História Econômica e História do Pensamento Econômico, de 1969 a 1986; Paleografia, de 1992 a 1997; História Econômica, em 1994 e Antropologia Cultural de 1996 a 1998.

Ministrou cursos organizados pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Mogi das Cruzes sobre paleografia colonial brasileira nos anos de 1987, 1988, 1993 e 2002.  O homenageado também foi diretor do Museu de Arte Sacra de Mogi das Cruzes, conforme convênio da Prefeitura de Mogi das Cruzes, Mitra Diocesana, Província Carmelitana de Santo Dias, Ordem Terceira do Carmo e SPHAN, de 1986 a 1988.

Participou do Projeto de Arqueologia da Região da Serra do Itapeti, como responsável pela Coordenadoria dos Levantamentos Históricos, no período de 1989 a 1996. Foi fundador, coordenador e membro do Conselho Editorial de BOIGY, responsável pela publicação dos Cadernos da Divisão do Arquivo Histórico e Pedagógico Municipal de Mogi das Cruzes.

Foi sócio fundador da Associação Mogiana de Paleografia AMP, de 1998 e criador do Projeto Vídeo Memória de Mogi das Cruzes, 1995/96, destinado a registrar em vídeo aspectos culturais, sociais e folclóricos de Mogi das Cruzes e região. Também foi sócio fundador da “Associação Pró-Festa do Divino” e atuou como secretário municipal de Cultura e Meio Ambiente de Mogi das Cruzes, de 2000 a 2004.  Atualmente, Jurandyr é membro da Academia Caçapavense de Letras e da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras.