Mogi das Cruzes investiga três mortes, que ‘podem’ ter sido causadas por Coronavírus. Cidade anuncia um hospital de campanha

Dois dos pacientes tinham 62 anos e um 56, mas ainda não há uma confirmação oficial. Cidade anuncia que terá hospital de campanha

 

DE MOGI DAS CRUZES – Durante uma transmissão ao vivo pela sua página no Facebook, a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio do médico Henrique Naufel, secretário municipal de Saúde, informou na noite desta terça-feira (24/03) que a cidade teve três mortes possíveis de Coronavírus – mas ainda não há a confirmação oficial sobre isso. Outra notícia é de que a cidade terá um hospital de campanha com 160 leitos de enfermaria, destinado aos pacientes com Covid-19, depois que eles deixarem a UTI.

“Infelizmente não é para causar pânico, nem para sair correndo. Recebemos de fontes não oficiais, três óbitos de ontem (segunda, dia 23) para hoje (terça, dia 24), mas é importante ressaltar que não temos o resultado para saber se são relacionados ou não ao Coronavírus. Os exames estão correndo e assim que tivermos a positividade, e se Deus quiser a negatividade em relação à virulência, informaremos a todos”, explicou o médico.

Naufel acrescentou que dois pacientes tinham 62 anos de idade e um terceiro com 56. Os três estavam internados em hospitais diferentes da cidade. Um deles tinha insuficiência cardíaca e os outros não. A confirmação dos casos depende dos resultados de exames laboratoriais, que podem levar de dois a 10 dias. “Quero relatar esses óbitos porque sabemos que as notícias correm e estamos trabalhando com total transparência. Não há nada confirmado ainda, precisamos aguardar os exames, mas são quadros sugestivos e por isso as suspeitas”, explicou.

Esses três casos, ainda não confirmados como Coronavírus, estão na mesma situação de um senhor que morreu em Santa Isabel no último sábado (21/03): dependem de confirmação oficial.

O secretário de Saúde de Mogi informou, ainda, que os exames encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, estão levando de 9 a 10 dias para ficarem prontos. Já os da rede municipal de Saúde, feitos pelo Albert Einstein Medicina Diagnóstica, em torno de apenas 48 horas.

Mogi das Cruzes registrou, até 19 horas desta terça-feira, 143 casos de mogianos suspeitos, dos quais 7 casos foram confirmados positivos, 22 negativos, 76 aguardam resultados e 38 foram dispensados de coleta. Entre os pacientes mogianos há 26 internados em enfermaria (21 adultos e 5 crianças) e 9 em UTI – Unidade de Terapia Intensiva.

Vale lembrar que esses números informados pelo secretário de Saúde de Mogi não batem com os que o  Condemat – Consórcio de Desenvolvimento do Municípios do Alto Tietê, (que recebe dados fornecidos pela Vigilância Epidemiológica dos municípios da região), informa sempre após as 17 horas.

 

Hospital de Campanha

De acordo com o secretário de Saúde, nos últimos quatro dias eles estão pensando em onde instalar esse hospital de campanha, que teria 160 leitos de enfermaria. “Estamos pensando no melhor local, na melhor maneira de suprir os leitos necessários, porque nós temos leitos que são de enfermaria, possíveis de reverter em UTI sem ter quebrar paredes, instalação de gás (oxigênio). Esses leitos de enfermaria vão ser ocupados ou transformados em UTI. Então, esse hospital de campanha servirá para receber pacientes que já tiveram alta, ou seja, para continuidade de tratamento e precisa apenas continuar o seu tratamento por alguns dias”, disse.

De acordo com Naufel, o hospital de campanha mogiano será parecido com o que todos estão vendo em São Paulo (Estádio Municipal do Pacaembu e Anhembi). O pessoal já está sendo recrutado. Quanto ao local, o secretário disse que será próximo do Ginásio Municipal de Esportes Professor Hugo Ramos, o Hugão, no Mogilar. “O Nilo (Guimarães, secretário de Esportes da cidade) já limpou tudo para que possamos tomar essa decisão!”. Segundo ele, a estrutura existente embaixo das arquibancadas é excelente para se instalar farmácia, almoxarifado, etc”.

“A gente espera que esteja pronto o mais rápido possível, pois se vier a onda que estamos esperando teremos os leitos de UTI necessários e os leitos de retaguarda também”.

Para o prefeito Marcus Melo, o desafio da cidade agora é receber mais respiradores. “Fomos buscar no mercado, mas não achamos. Conseguimos 23”, disse.