Atlas da Violência: Mogi das Cruzes está entre as 20 cidades com mais de 100 mil habitantes menos violentas do País

Nas proximidades, somente Santos, no litoral e São Caetano do Sul, no ABC estão no ranking. Das 20 cidades menos violentas, 14 são de SP

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) analisou 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2017 e fez um recorte regionalizado da violência no país. O Atlas da Violência – Retrato dos Municípios Brasileiros 2019, elaborado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 14 dos 20 municípios menos violentos do Brasil encontram-se no Estado de São Paulo.

De acordo com o estudo, os municípios de Jaú, Indaiatuba, Valinhos, Jundiaí, Limeira, Americana, Bragança Paulista, Santos, Araraquara, São Caetano, Mogi das Cruzes, Itatiba, Catanduva e Sertãozinho – empatado com Santa Bárbara D’oeste – estão entre os 20 que apresentam o menor índice de homicídios a cada 100 mil habitantes de todo o país. O Estado de São Paulo, por sua vez, segue com a menor taxa de homicídios dentre todos os Estados da federação.
Em termos de Alto Tietê – região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo, apenas Mogi das Cruzes figura nesse ranking das 20 cidades, com mais de 100 mil habitantes, que registra índices menores de violência no País. Suzano, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos e Guarulhos – cidades da região que também têm população nessa faixa, não estão no ranking.
O Atlas da Violência apresenta relatórios baseados em dados registrados até o ano de 2017. À ocasião, o Estado de São Paulo registrava taxa de homicídios de 13,5 a cada 100 mil habitantes, número que já era o menor de todo o Brasil.
Segundo as estatísticas criminais divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, nos últimos 12 meses, entre julho de 2018 e junho de 2019, essa taxa é ainda é menor. Atualmente é de 6,4 casos a cada grupo de 100 mil habitantes.

Causas

A média de todas as pesquisadas atingiu 37,6. A primeira colocada foi Jaú (SP), com índice de 2,7, enquanto a mais violenta é Maracanaú (CE), com 145,7.

 

O estudo analisa fatores de desenvolvimento humano como taxas de atendimento escolar de crianças e adolescentes, renda per capita, índices de desocupação, acesso à água e esgoto, gravidez na adolescência e vulnerabilidade social.

 

No Alto Tietê – a única cidade da região a estar nessa lista das menos violentas é Mogi das Cruzes. Em 2015, foram registrados no município 81 homicídios, contra 36 em 2017 – base desse Atlas divulgado esta semana – uma redução de 55,6% no número de assassinatos   – a maior diminuição entre as 11 cidades regionais.

 

Em Mogi, o prefeito Marcus Melo atribuiu esses resultados a uma série de investimentos para a melhoria da segurança da população que são feitas na cidade. Este trabalho compreende o fortalecimento da Guarda Municipal, a ampliação do sistema de monitoramento e a construção de estruturas voltadas à área da segurança.

“Mogi das Cruzes vem avançando na questão da segurança e os números apresentados nesta semana mostram isso. Na cidade, existe um trabalho conjunto da Prefeitura com a Polícia Militar e a Polícia Civil, inclusive com ações conjuntas. Além disso, uma vez por mês, é feita uma reunião com o Ministério Público, onde é analisada a situação e propostas medidas que possam ser adotadas. O melhor caminho para uma cidade melhor é o diálogo. É sempre importante sentar, conversar e propor caminhos que possam atender melhor as pessoas.”

Melo destaca que na Guarda Municipal, já foram contratados 40 novos guardas e que já estão trabalhando nas ruas. Outros 40 estão em processo de contratação. Com isso, vamos aumentar em 50% o efetivo. Também dobramos a quantidade de viaturas nas ruas e estamos preparando a aquisição de mais 12 veículos.

No monitoramento, foram instaladas 34 novas câmeras modernas em locais determinados por estudos. A prioridade foram entradas e saídas da cidade e vias que podem ser usadas como rotas de fuga.

Ainda de acordo como prefeito, na questão estrutural, está em andamento a construção do Polo Municipal de Segurança, em Jundiapeba, que melhorará a segurança em Jundiapeba e Braz Cubas. Também iremos construir a Central de Inteligência, que ficará na avenida Engenheiro Miguel Gemma, e uma nova base na praça Oswaldo Cruz, que terá o monitoramento da região central. Também já implantamos bases no Terminal Central, no Parque Centenário e no Parque da Cidade.

“Todo este investimento e o trabalho em conjunto com as Polícias Militar e Civil trazem ações que permitem a melhoria da segurança no município”, frisa o prefeito mogiano.

Santos

Nas cidades menos violentas, os indicadores de desenvolvimento humano são mais parecidos com os de países desenvolvidos. De acordo com o coordenador do estudo, o pesquisador Daniel Cerqueira, em termos proporcionais, a diferença entre os municípios com mais e menos homicídios corresponde à diferença entre taxas do Brasil e da Europa. “Nos municípios mais violentos, as pessoas, em geral, não têm acesso à educação, desenvolvimento infantil e mercado de trabalho”.

 

Santos possui índice de desenvolvimento humano (IDH) de 0,840, o 6º melhor do País. Ao comentar a pesquisa, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa lembrou que os investimentos em infraestrutura e ampliação de serviços públicos foram fundamentais. “Um dos destaques é a ampliação do Bom Prato, que oferece uma alimentação balanceada, de qualidade com um custo baixo”. Hoje, mais de cinco mil pessoas fazem refeições diariamente nestes restaurantes por apenas R$ 1,00. “Implantamos duas unidades em locais estratégicos como o Morro do São Bento e no Dique da Vila Gilda, na Zona Noroeste. Essa é uma política que atende diretamente a população mais carente”, acrescentou.

 

“Vale citar ainda a entrega de mais de mil imóveis, acabando com as moradias em áreas de risco social e ambiental. Isso leva dignidade e permite recomeçar a vida em outro ambiente. Além disso, implantamos as Vilas Criativas, em todas as regiões da Cidade, que oferecem condições para que as pessoas possam obter sua renda sendo empreendedoras”.

 

A taxa de homicídios em Santos foi de 7,8 por 100 mil habitantes. Além da 11ª posição nacional, o índice é o 8º do Estado e o mais baixo entre as cidades da Baixada Santista.

 

Todas à frente de Santos contam com populações menores (432 mil habitantes). Considerando apenas as com mais de 400 mil, o Município perderia apenas para Jundiaí (SP). No estudo anterior, divulgado no ano passado, Santos ocupava a 32ª colocação, com taxa de assassinatos de 11,5, ou seja, houve redução de 27%.

Clique e veja o Atlas da Violência 2019 – municípios, completo

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Levantamento mostra crescimento da violência nas regiões Norte e Nordeste

O Atlas da Violência mostra que houve um crescimento das mortes nas regiões Norte e Nordeste influenciado, principalmente, pela guerra do narcotráfico, a rota do fluxo das drogas e o mercado ilícito de madeira e mogno nas zonas rurais. O estudo identifica uma heterogeneidade na prevalência da violência letal nos municípios e revela que há diferenças enormes entre as condições de desenvolvimento humano nos municípios mais e menos violentos.
O município mais violento do Brasil, com mais de 100 mil habitantes, é Maracanaú, no Ceará. Em segundo lugar está Altamira, no Pará, seguida de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Dos 20 mais violentos, 18 estão no Norte e Nordeste do país.  De acordo com o coordenador do estudo, o pesquisador Daniel Cerqueira, os municípios mais violentos têm 15 vezes mais homicídios relativamente que os menos violentos. “Em termos proporcionais, a diferença entre os municípios mais e menos violentes corresponde à diferença entre taxas do Brasil e da Europa”, compara. Nos municípios mais violentos, o perfil socioeconômico é mais parecido com os países latino-americanos ou africanos: as pessoas, em geral, não têm acesso à educação, desenvolvimento infantil e mercado de trabalho.
Alguns dados surpreenderam os pesquisadores. Apesar de Santa Catarina ser um dos estados mais pacíficos, a taxa de homicídios em Florianópolis aumentou 70%, de 2016 para 2017.  Por outro lado, houve diminuição das mortes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde há uma boa organização policial e a solução de homicídios é maior do que no resto do país.
Os desafios no campo da segurança pública no Brasil são enormes, na avaliação do coordenador do estudo. “Há luz no final do túnel para dias com mais paz no Brasil e a luz passa por políticas focalizadas em territórios vulneráveis”, acredita Cerqueira.  “Quando essas políticas são feitas e concatenadas com a política de qualificação do trabalho policial, com inteligência e boa investigação, se consegue, a curto prazo, diminuir os homicídios no país”, afirma.
A solução, sugerida pelo estudo conjugaria três pilares fundamentais. Em primeiro lugar, o planejamento de ações intersetoriais, voltadas para a prevenção social e para o desenvolvimento infanto-juvenil, em famílias de situação de vulnerabilidade. Em segundo lugar, a qualificação do trabalho policial, com mais inteligência e investigação efetiva. Por fim, o reordenamento da política criminal e o saneamento do sistema de execução penal, de modo a garantir o controle dos cárceres pelo Estado.