Ministério Público prende 5 vereadores de Mogi por suspeita de corrupção; um está foragido, assim como filho de vereador

Investigação apura corrupção na saúde e no Semae. 12 mandados de prisão foram expedidos e até o fim da manhã 8 haviam sido cumpridos

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Na Operação “Legis Easy”, do Ministério Público do Estado de São Paulo, cinco vereadores de Mogi das Cruzes, além de três empresários, foram presos na manhã desta sexta-feira (04/09), em um processo que investiga suspeita de envolvimento em crime de corrupção. Ao todo, 12 mandados de prisão e 12 de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça.

Os mandados de prisão preventiva foram expedido nos autos do processo nº 1010679-31.2020.8.26.0361, pela 3ª Vara Criminal do Fórum de Mogi das Cruzes. De acordo com a investigação da Promotoria do Patrimônio Público, os empresários compravam apoio para aprovar leis encomendadas por eles.

De acordo com o MP.SP, a operação integra as investigações da Promotoria do Patrimônio Público. Com oito prisões efetuadas, a polícia ainda busca cumprir outros quatro mandados de prisão. “Legis Easy”, o nome da operação, significa legislação fácil. O MPSP apura se houve organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As apurações estão a cargo do promotor Kleber Basso.

Até o momento, (10h desta sexta-feira), foram presos preventivamente os vereadores Jean Lopes (PL), Diego de Amorim Martins,o Diegão, (MDB), Carlos Evaristo da Silva, o pastor Evaristo (PSB), Francisco Moacir Bezerra, o Chico Bezerra (PSB) e e Mauro Araújo (MDB). Os outros três presos, de acordo com o MP.SP, são Carlos César Claudino de Araújo, irmão do vereador Mauro Araújo,além de Willian Casanova (empresário e consultor de assuntos governamentais da Câmara de Mogi) e Joel Leonel Zeferino. O irmão do vereador Mauro é apontado como operador de um suposto esquema financeiro. Os outros dois são empresários. Joel Leoneo Zeferino, que atua no setor da construção civil.

Um dos vereadores presos, o médico ginecologista Chico Bezerra, passou mal e precisou de atendimento, foi socorrido e levado em uma ambulância para o Hospital Santana, no Alto do Ipiranga.

Os presos foram levados para a sede do Ministério Público Estadual, na Rua Ricardo Vilela, 1.461, nas proximidades do Clube de Campo. Por volta das 16h, todos foram encaminhados para a Cadeia Central de Mogi, no Parque Monte Líbano. Menos Chico Bezerra, que está em prisão preventiva domiciliar.

Desdobramento

Segundo o Ministério Público, a operação desta sexta-feira é uma sequência da que foi feita na Câmara Municipal em novembro de 2.019, mais especificamente no gabinete do vereador Mauro Araújo, quando o órgão apreendeu documentos e aparelhos celulares. Nessa ocasião também houve quebra de sigilo bancário.

A operação investiga denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, no Semae (Serviço Municipal de Águas e Esgotos) e na Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo apurou a reportagem do CORREIO INDEPENDENTE, as investigações do MP, após a apreensão feita no gabinete do vereador Mauro Araujo, no fim do ano passado, identificou três empresas que seriam utilizadas para lavagem de dinheiro. São elas a WA, do próprio vereador, a MLC, de Carlos César Claudino de Araújo, irmão do vereador, além da Casanova Mix, empresa do setor de materiais de construção.

De posse desses documentos e telefones celulares apreendidos no ano passado, o MP cruzou dados e conversas de WhatsApp e identificou as três empresas acima, que seriam utilizadas para lavar dinheiro e, por fim, eram as beneficiadas por repasses financeiros de dinheiro público. Empresas com contratos com a Prefeitura de Mogi das Cruzes, beneficiadas pelo esquema, repassavam, depois, o dinheiro para empresas ligadas ao vereador Mauro Araújo.

Na sequência, parte do dinheiro era repassada para outros vereadores, mas o MP não confirmou se são só esses presos ou há mais beneficiados.  O que o MP confirmou é que leis eram encomendadas pelos empresários que compravam apoio dos vereadores para que fossem aprovadas na Câmara de Mogi.

Vale destacar que não existe recurso exclusivo contra a decisão que decreta a prisão preventiva. A saída possível para evitá-la é pedindo um Habeas Corpus ou pedir diretamente ao juiz o relaxamento da prisão.

Armas

Ainda sem confirmação do MP ou das polícias Militar e Civil, o CORREIO INDEPENDENTE apurou, ainda, que durante o cumprimento dos mandados de prisão teriam sido encontradas três pistolas e quatro espingardas, mas isso ainda depende de confirmação, inclusive com quais dos presos essas armas supostamente estariam.

Câmara

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, para saber se o presidente da Casa, vereador Sadao Sakai, se pronunciaria sobre o assunto, e a resposta obtida é de que  por enquanto a Câmara não vai se pronunciar. Os eventos aconteceram fora das dependências do Legislativo e não recebemos informações oficiais.”

Os outros com mandados de prisão

Os quatro mandados de prisão não executados nesta sexta-feira (04/09), pois não foram encontrados pela Polícia Militar, são do vereador Antonio Lino (PSD), o sexto parlamentar da operação, um outro empresário, cujo nome não foi divulgado, um outro funcionário da Câmara de Mogi das Cruzes (com ligações com um dos seis vereadores envolvidos), além de Pablo Bezerra, filho do médico e  vereador que passou mal durante a prisão, foi atendido e se encontra em prisão preventiva domiciliar.

Segundo o MP, os advogados de Lino e Pablo se manifestaram oficialmente ao órgão, mas como eles não foram presos, e nem se apresentaram, seguem na condição de foragidos.

Sobre Pablo Bezerra, o MP revelou que o seu pai, Chico Bezerra, durante o tempo que foi Secretário Municipal de Mogi das Cruzes, durante um ano (de dezembro de 2018 a dezembro do ano passado), impôs uma condição à Fundação ABC, que firmou contrato para administrar o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes, em Braz Cubas. Essa condição, segundo o MP, era de que a organização social da qual Pablo é responsável, a São Francisco, fosse contratada pela ABC para administrar um equipamento de saúde de Santos, principal cidade da Baixada Santista, a UPA Central, que fica no bairro da Vila Belmiro, em frente ao Hospital Beneficência Portuguesa.

Outros dois suspeitos, um empresário e um funcionário da Câmara (ligado a um dos parlamentares), também não foram encontrados pelos policiais que começaram a cumprir os mandados por volta das 6 horas.