Massacre na Raul Brasil, em Suzano, faz um ano e segurança em escolas é aumentada; população homenageia vítimas da tragédia

Secretaria da Educação criou gabinete integrado de segurança escolar

 

Bruno Bocchini – Agência Brasil – São Paulo – Um ano após o massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, cidade do Alto Tietê, região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo, completado nesta sexta-feira (13/03), que resultou na morte de dez pessoas, o governo do estado busca acelerar projetos que aumentem a segurança dentro das escolas.

Na Capital paulista, por exemplo, na Escola Estadual Caetano de Campos, região central da cidade, um policial da reserva permanece dentro do colégio no período das aulas, como parte de um projeto-piloto do governo que está em desenvolvimento.

A Secretaria Estadual de Educação criou também um gabinete integrado de segurança escolar, em que há a participação da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública. De acordo com a pasta, um relatório com os resultados da ação deverá ser publicado nos próximos meses.

O governo do estado promete ainda novas câmeras de segurança nas escolas, assim como redes de wi-fi para possibilitar o acesso remoto às imagens. Novos protocolos de funcionamento dos portões dos colégios também estão sendo implementados, assim como orientações para elaboração dos regimentos internos, que é feito por cada escola.

De acordo com a secretaria, o governo dispõe de R$ 1,1 bilhão para realizar obras em mais de 1,3 mil escolas. Além das mudanças estruturais, o governo fez alteração na parte pedagógica e está implementando nova disciplina, chamada Projeto de Vida, que, entre outras atribuições, leva para a sala de aula a questão do bullying.

“A disciplina é sobre o desenvolvimento do projeto de vida do aluno. Tem que haver um espaço dentro da escola para que a gente cada vez mais escute, entenda quais são os sonhos, os desejos dos nossos estudantes, para que a própria escola se organize em torno deles e dê apoio. Neste ano, a disciplina já começou para todas as escolas, desde o 6° ano até o ensino médio”, destacou o secretário de Educação do estado, Rossieli Soares.

O governo estadual está também criando equipes multidisciplinares para trabalhar com as diretorias de ensino. Segundo a pasta, uma resolução, que deverá ser publicada em breve, vai incorporar psicólogos e assistentes sociais para desenvolver trabalhos na rede de ensino, especialmente nos grandes centros paulistas. A pasta informou que chamou, ainda em 2019, 1,5 mil novos funcionários concursados – agentes de organização escolar – e mais 2 mil temporários.

Suzano

De acordo com a Secretaria de Educação, 90% das reformas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, onde ocorreu o massacre, estão concluídas. O término, inicialmente previsto para março, deverá ocorrer no mês de abril. O projeto, que custará mais de R$ 3,1 milhões, está sendo financiado com a ajuda de parceiros privados.

“O projeto foi pensado para ampliar os espaços de convivência, para que haja uma releitura da própria escola, que é antiga e já precisava receber intervenções. Além disso, a mudança olhou para aspectos de segurança”, disse o secretário Rossieli Soares. Está sendo construída, por exemplo, uma entrada exclusiva para alunos à escola, e outra para a comunidade e ex-alunos, que não dará acesso aos estudantes.

A revitalização da unidade inclui a construção de novas áreas comuns, de estudo, de convivência e administrativas. Prevê ainda a demolição e reconstrução de novas salas de aula, do Centro de Ensino de Línguas (CEL), banheiros e cantinas, além da reforma das salas de leitura e informática.

Também está sendo criada uma área de 1,5 mil metros quadrados para uso comum, que contará com paisagismo, além de um espaço destinado à prática de esportes, aulas ao ar livre e bicicletário.

De acordo com a pasta, o muralista Eduardo Kobra e sua equipe vão pintar painéis internos e os muros externos da escola. Os desenhos serão criados a partir de um concurso que vai reunir os alunos das 60 escolas da região de Suzano e selecionar os melhores trabalhos.

Em 13 de março de 2019, dois ex-alunos entraram armados na escola pela porta da frente, assassinaram seis colegas, dois funcionários e se suicidaram.

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População de Suzano homenageia vítimas um ano após massacre em escola

Daniel Mello – Agência Brasil – São Paulo * – A população de Suzano, no Alto Tietê, prestou nesta sexta-feira (13/03) homenagem às vítimas do massacre ocorrido há um ano na Escola Estadual Raul Brasil. Por iniciativa da prefeitura, 33 escolas da cidade participaram de atividades por cultura e paz.

Os organizadores exibiram um vídeo elaborado a partir de ideias de crianças e jovens que escreveram cartões com seus desejos, que vão compor uma instalação artística no Parque Max Feffer. O parque fica a cinco quarteirões do colégio onde dois alunos entraram armados e assassinaram seis colegas e dois funcionários. Segundo a Polícia Militar um dos atiradores matou o colega e depois se matou.

Foi um ato de reflexão à cultura de paz. A ação contou com a presença de cem alunos e professores da Escola Municipal Caic, do Jardim Imperador, que representou as outras 32 unidades da rede municipal de ensino que participaram das atividades, das quais foram protagonistas.

A iniciativa foi das Secretarias de Cultura e de Educação e acontece em um momento oportuno, quando todos estão voltados à memória do ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil um ano atrás.

No início do encontro, os estudantes do 4º e 5º anos presentes escreveram mensagens de paz à cidade e as penduraram nas três esculturas em formato de árvore, confeccionadas com galhos secos pintados de branco voluntariamente pelo artista Maurício Chaer, de Mogi das Cruzes.

Em seguida, houve a apresentação do primeiro programa da “TV Criança”, produzido e gravado pelas próprias crianças com atrações dentro do tema proposto, cultura de paz, no interior do Pavilhão Zumbi dos Palmares. Como encerramento, as crianças soltaram balões brancos no Jardim da Paz. Simultaneamente, o mesmo ocorreu em toda a rede municipal, porém, as mensagens foram fixadas nos portões das escolas.

Em sua fala o secretário de Educação, Leandro Bassini, disse que as crianças trabalharam o conceito de paz em sala de aula durante o último ano. “Esta é uma expressão do nosso cotidiano. Os valores humanos e o respeito à individualidade devem extrapolar os muros da escola. E nós contamos com a ajuda dos alunos para disseminar este conceito. As tragédias balizam memórias que vão orientar à sociedade. A dor do dia 13 de março nunca vai passar, mas a data será sempre reavivada a cada ano pela cultura de paz”, disse.

Vale lembrar que uma quarta escultura, que também recebeu as mensagens dos estudantes da rede municipal, ficará exposta no Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi. Trata-se de um globo, que representa o planeta Terra. Já as árvores da paz estarão disponíveis a todo o público até o final desta sexta-feira no Parque Max Feffer.

Na porta da escola

Em frente ao portão da Raul Brasil, alunos, amigos e parentes fizeram orações ao som de violão. Com as mãos dadas, o grupo ocupou a calçada e a rua em frente à escola.

Emocionada, uma das mães, Lilian Rodrigues disse que ainda sente um aperto no coração quando leva as três filhas para a aula. “Quando deixo na porta da escola, já penso: Senhor, protege”, disse, emocionada, sobre a prece silenciosa que faz todos os dias. Para ela, mesmo que o prédio seja demolido, a memória da tragédia de 13 de março de 2019 vai permanecer na cidade. “Nunca vai ser esquecida, é uma coisa que vai ser sempre lembrada”, afirmou.

O estudante Matheus Ferrari, de 17 anos, que concluiu o ensino médio no ano passado, disse que tem sentimentos conflitantes ao chegar à escola. “Tenho saudade da época que a gente era só zueira e agora tem relembrar o que aconteceu”, disse o jovem.

Ele conta como foi duro continuar os estudos depois do massacre. “Nos primeiros dias, foi difícil, amigos próximos tinham crises de pânico. Com o tempo a gente foi se acostumando, foi ficando mais fácil de aceitar”, destacou.

*Com informações da Prefeitura de Suzano

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