Manifestantes lavam escadaria da Câmara de Mogi das Cruzes; ativistas pedem cassação de vereadores

Protesto ocorreu meia hora antes do início da sessão dos vereadores. Pedido de cassação dos seis envolvidos em suposta corrupção foi protocolado

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Depois do “tsunami” da sexta-feira (04/09) com uma operação do Ministério Público Estadual que levou cinco vereadores de Mogi das Cruzes para a cadeia, assessores, empresários – e que ainda tem três foragidos – estava mais do que claro que a primeira sessão ordinária dos vereadores mogianos nesta terça-feira pós feriado (08/09) seria tensa. E foi o que aconteceu. Afinal, um quarto dos vereadores estava atrás das grades ou procurado pela Justiça.

Por volta das 14h30, meia hora antes do horário previsto para início da sessão, militantes mogianos, contra a corrupção, fizeram uma lavagem simbólica das escadarias em frente ao prédio do Legislativo da cidade. Impedidos de entrar no Plenário e ocupar as galerias – por conta da pandemia do novo Coronavírus – eles fizeram convocações pelo Facebook e outras redes sociais. “Levem vassouras, rodos, baldes, e sabão em pó para a limpeza da sujeira da Câmara”, acusam os ativistas.

Cerca de duas dezenas de manifestantes levaram os produtos solicitados. E fizeram questão de dizer de que tudo foi comprado com dinheiro limpo. “Compramos sabão em pó, cloro, tudo com o nosso dinheiro, para mostrar que é preciso limpar o Legislativo de Mogi. É um ato simbólico que significa: chega de corrupção”, disparou Silvio Marques.

 

Pedidos de cassação

Uma hora antes, o setor de protocolo da Câmara de Mogi das Cruzes recebeu um pedido de cassação dos seis vereadores presos na Operação “Legis Easy” – que em português significa “legislação fácil”, denunciou 12 pessoas por  suspeita de envolvimento em crime de corrupção.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, o pedido agora terá o trâmite: vai para a Mesa Diretiva, Procuradoria Jurídica e Conselho de Ética, que será presidido por Francimário Vieira (PL) e tem como membros Furlan (DEM) e Komura (PSDB). E será esse conselho que vai decidir se aceita os pedidos de cassação protocolados nesta terça-feira ou não.

 

Ausências

Em uma sessão que ficou interrompida por 20 minutos, para uma reunião no Plenarinho, as cadeiras dos seis vereadores alvos da operação do MP – cinco presos e um ainda foragido – ficou vazia. E a Câmara de Mogi deverá continuar assim – com apenas 17 dos 23 vereadores atuando, por mais algumas semanas. Isso porque os suplentes dos seis parlamentares não serão convocados para assumir imediatamente as vagas. É que, dois dias antes das prisões e da operação ir às ruas, houve uma determinação do Tribunal de Justiça (TJ), divulgou um acórdão em que determina que os suplentes só podem assumir as cadeiras após 120 dias decorridos do pedido de licença dos titulares. O acórdão fala em “licença” de parlamentares, e não de prisão.

 

Salários suspensos

De acordo com informações da Câmara, os salários dos seis vereadores estão suspensos – mesmo com os vereadores ainda não afastados oficialmente.