Mais uma vez “Movimento Pedágio Não” põe o governador João Doria contra a parede e mostra que a briga está longe de terminar

Carreata pela Rodovia Mogi-Dutra até a Avenida Cívica protesta contra instalação de pedágio que vai dividir Mogi das Cruzes ao meio

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Um grande e sonoro não ao governador paulista João Doria. Foi o que mogianos e moradores do Alto Tietê fizeram neste sábado (17/10) em mais uma carreata do “Movimento Pedágio Não”. O ato – mais um – é contrário a instalação de um pedágio no km km 45 da Rodovia Pedro Eroles (SP-088), a Mogi-Dutra, que está num pacote de concessão internacional do Lote Rodovias do Litoral Paulista da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo).

O ato deste sábado – pacífico – começou pela manhã no posto de combustíveis em frente ao Condomínio Aruã. De lá, a carreata foi até a até a Avenida Cívica – que fica ao lado do Ginásio Municipal de Esportes Professor Hugo Ramos, o Hugão, no bairro do Mogilar. Nesse local, pouco depois do meio-dia, o grupo encontrou outros manifestantes concentrados e, juntos, todos retornaram à Mogi-Dutra, até o pátio da Casa do Queijo, onde houve discursos.

Munidos com bandeiras do Brasil, faixas cartazes e adesivos contra o pedágio – e com um enorme buzinaço – que a cidade não quer, manifestantes em cerca de 300 veículos – de acordo com os organizadores – mobilizaram mais uma vez a cidade sobre o pedágio que vai dividir a cidade ao meio e obrigar muita gente a ter que desembolsar um alto valor só para ir de bairros ao Centro – e vice-versa – ou ir trabalhar. Para quem vai pegar a Ayrton Senna ou Via Dutra, a pancada na cabeça será dobrada, pois ambas rodovias também têm pedágios entre a cidade e a Capital paulista.

Quatro dos sete candidatos a prefeito de Mogi das Cruzes nas eleições deste ano participaram do ato: Felipe Lintz, Miguel Bombeiro e Caio Cunha participaram da carreata e foram até a Casa do Queijo, no km 45,5 da Mogi-Dutra, onde também discursaram e criticaram o pedágio na rodovia. O quarto candidato, Rodrigo Valverde, estava na concentração da Avenida Cívica. Os organizadores disseram que a carreata deste sábado, assim como todos os atos,são apolíticos,e que todos os prefeituráveis foram convidados para o movimento deste sábado. Na convocação, o Movimento deixou claro que não seria permitidas bandeiras partidárias na carreata.

Críticas a Marcus Melo

Quatro dos sete candidatos a prefeito de Mogi das Cruzes nas eleições deste ano participaram do ato: Felipe Lintz, Miguel Bombeiro, Rodrigo Valverde e Caio Cunha.

Não sobraram críticas também ao prefeito de Mogi das Cruzes, Marcus Melo (PSDB), candidato à reeleição. Para integrantes do movimento, Melo – que é do mesmo partido do governador – deveria ter ido a Suzano no dia 3 de outubro, quando o mandatário do Estado esteve em Suzano para entregar as obras de melhoria e revitalização da Rodovia Índio Tibiriçá (SP-031). “Ele deveria ter ido e lá para o próprio Doria dizer que Mogi das Cruzes não aceita esse pedágio”, disse um dos manifestantes.

Vale lembrar que o “Movimento Pedágio Não” é uma iniciativa popular focada em impedir a instalação de um pedágio na Mogi-Dutra, conforme prevê projeto da Artesp, e hoje conta com o apoio de entidades como Aeamc, ACMC, Ciesp. Sind Rural e Sincomércio, entre outras – e grande apoio popular não só de Mogi das Cruzes mas de outras cidades da região, nas quais o cidadão também será penalizado com um novo pedágio.

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Prefeitura diz que não vai conceder licenciamento ambiental para  Pedágio

No último dia 9 de outubro, em uma m uma reunião com representantes da indústria e comércio de Mogi das Cruzes e região, o prefeito Marcus Melo disse que a Prefeitura de Mogi das Cruzes não vai conceder o licenciamento ambiental para que esse pedágio seja instalado.

Ele explicou que uma nova lei, que entrou em vigor em setembro, deu poder para os municípios concederem, ou não, licenças ambientais de empreendimentos – o que discorda o Movimento Pedágio Não, que diz não ter sido convidado para a reunião (leia mais abaixo).

De acordo com o prefeito mogiano, um decreto sobre as licenças ambientais municipalizadas deverá ser publicado, o que, na crença do mandatário municipl, obrigará o Estado a necessitar de uma permissão ambiental municipal para construir a praça de pedágio,  prevista no projeto de concessão das rodovias litorâneas, que deve ser lançado em dezembro – pouco depois das eleições municipais.

 

Líder do movimento não vê efeito em lei municipal

No entanto, em sua página no Facebook, o “Movimento Pedágio Não” – lamentou “não ter sido convidado para as reuniões promovidas pela Prefeitura, mas, mesmo assim, reafirme o apoio a qualquer iniciativa que tenha como objetivo enfrentar essa possibilidade de pedágio em Mogi”.  Em um post, o movimento foi mais além, e disse o que muitos deixam de dizer: que dificilmente a Prefeitura conseguir barrar esse pedágio. “Quanto a proposta de municipalização de licenças ambientais, caso o Governo do Estado cumpra os requisitos legais, infelizmente a Prefeitura pouco poderia fazer para barrar este pedágio”, escreveu o movimento, nas redes sociais. E conclamou para que os mogianos, que não concordam com esse pedágio absurdo, façam a sua parte: “Concluímos reafirmando a força do povo desta cidade, este sim o verdadeiro responsável pelas batalhas até hoje vencidas.”

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O pedágio de Dória, que vai dividir Mogi
das Cruzes, e que a população não quer

A ideia do pedágio na altura do km 45 da Rodovia Mogi-Dutra surgiu quando a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) apresentou o projeto de concessão internacional do Lote Rodovias do Litoral Paulista, durante audiência pública realizada em Mogi das Cruzes, em 21 de outubro do ano passado.

Lá foi possível ver que no bojo dessa concessão — onde estão previstos R$ 3 bilhões em investimentos em obras, além de R$ 2,8 bilhões para a operação e implantação de modernos serviços em trechos das rodovias Dom Paulo Rolim Loureiro (SP-098), a Mogi-Bertioga), da Rodovia Pedro Eroles (SP-088) a Mogi-Dutra (trecho de Arujá ao trevo com  a Ayrton Senna, em Mogi),  e da Padre Manoel da Nóbrega
( SP-055) e Cônego Domênico Rangoni / Rio-Santos – estava esse pedágio na Mogi-Dutra.

Fotos: Reprodução Facebook Movimento Pedágio Não