Macaco bugio atrai a curiosidade de moradores em Taiaçupeba

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Um macaco bugio chama a atenção de moradores e quem vai a Taiaçupeba, Distrito de Mogi das Cruzes, distante cerca de 25 quilômetro da área central da cidade. Segundo o veterinário, Jefferson Leite, que publicou vídeo (veja abaixo) e fotos, desde o final de 2018 o animal gera muita curiosidade.

 

“O animal está aparecendo diariamente em uma área daquela comunidade e chamando a atenção de quem passa pela rua. Após uma avaliação no local, verificamos que o animal goza de boa saúde e provavelmente está ali, sozinho, por ter sido expulso de seu bando original, comportamento comum entre bugios”, conta.

 

O bugio, de acordo com moradores de Taiaçupeba, fica próximo ao cemitério e a Capela de Santa Cruz da Capela do Riberião. Raramente vem ao solo, e procura ficar pulando entre as árvores.

 

Ainda de acordo com o veterinário, a situação segue sendo monitorada e a orientação é de que os moradores do local ou pessoas que posam ver o bugio não tentem interagir com o macaco. “Eles devem evitar oferecer alimentos, ou mesmo tentar capturá-lo, pois isso é crime”, adverte o profissional.

 

Jefferson Leite ainda acalma as pessoas. “Esses animais não transmitem febre amarela e é preciso ajudar a preservá-los, já que estão ameaçados de extinção”, alerta.

O bugio

Normalmente encontrado em bandos, o bugio costuma se concentrar em grupos de até oito indivíduos, dependendo do tamanho da área onde habita. Considerado um primata de inteligência moderada, alimenta-se basicamente de frutas e folhas, chegando a pesar até 8 quilos na idade adulta. Como são dispersores de sementes, os bugios desempenham importante papel de reflorestamento e também na cadeia ecológica regional.

Contato pode ser perigoso

Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) no dia 14 de novembro do ano passado, um macaco bugio atacou uma criança de um ano e nove meses, que mora em um condomínio residencial.

 

De acordo com  técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o complexo de apartamentos fica próximo a uma área de mata onde habitam macacos da espécie.

 

O bugio, conforme explica o biólogo Fabiano Melo, não é uma espécie agressiva e não costuma atacar, a não ser que se sinta ameaçado. “Situações como essa são muito raras porque o bugio é um macaco extremamente tranquilo. Mesmo com espécies mais agressivas, como o macaco-prego, por exemplo, é difícil ver casos de ataque. Certamente ele reagiu como forma de defesa”, afirma.

 

Conforme enfatiza o biólogo é importante ressaltar que, em casos como o registrado em Araucária, o fácil acesso a alimentos nas residências e a própria oferta de comida podem ter atraído o macaco às imediações do condomínio. Por esse motivo, segundo o especialista, não se deve oferecer alimento às espécies nativas em nenhuma hipótese. “Quando têm acesso à comida ou são alimentados, os macacos aprendem rápido e logo começam a se aproximar das residências para buscar mais. Além de causar transtornos para as pessoas, essa prática pode afetar a saúde do animal, que não precisa da ajuda humana para se alimentar”, explica.

 

Publicado por Jefferson Leite em Sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

 

Vídeo e foto: Jefferson Leite / Divulgação