Luz na Infância: operação contra exploração sexual infantil faz 43 prisões; duas delas em Mogi das Cruzes e uma em Itaquaquecetuba

Sexta fase da Operação Luz na Infância foi deflagrada nesta terça. Três dos presos são do Alto Tietê

 

Pedro Peduzzi – Agência Brasil – Brasília -A Operação Luz na Infância prendeu em flagrante 43 pessoas nesta terça-feira (18). Deflagrada hoje, a 6ª fase da operação cumpre 112 mandados de busca e apreensão para identificar autores de crimes de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes

Do total de prisões, 19 foram em São Paulo, nove em Santa Catarina, seis no Paraná, quatro em Mato Grosso do Sul, duas no Ceará, uma no Rio Grande do Sul, uma em Mato Grosso e uma em Goiás. Também há alvos em Alagoas, Acre e Piauí. Ao todo, 579 policiais estão atuando nas diligências.

Desses 19 de São Paulo, três foram no Alto Tietê – região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo. Dois homens de Mogi das Cruzes e um de Itaquaquecetuba. Foram apreendidos notebooks, mídias (CDs, DVDs), HDs externos, máquina fotográfica digital, além de pendrives. De acordo com o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) – que coordenou a operação na região, em Mogi foi apreendido o computador de um suspeito, que está viajando.

Todo o material apreendido vai passar por perícia. De acordo com a Polícia Civil, o que não faltam são evidências de crime, em razão do grande número de pornografia armazenado.

Somente no Estado de São Paulo foram cumpridos 58 mandados de busca e apreensão, empenhados 201 policiais civis em 85 viaturas. A força-tarefa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

 

Material apreendido pela Polícia Civil nessa fase da Operação Luz na Infância em Mogi das Cruzes. Tudo será periciado – Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

Em nível nacional, a ação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) com a participação das Polícias Civis de 12 Estados brasileiros e com colaboração técnica de quatro países (Estados Unidos, Panamá, Paraguai e Colômbia)

De acordo com o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça, Alessandro Barreto, o perfil dos criminosos abrange “pessoas acima de qualquer suspeita”, das “mais diversas classes sociais” e com idade que vai dos 17 a mais de 80 anos.

Segundo ele, é muito comum a ocorrência de pessoas reincidentes nessa prática criminosa. “Um dos presos de hoje já tinha, inclusive, mandado de prisão por abuso e exploração sexual”. Ele disse também ser comum encontrar pessoas que produzem esse tipo de conteúdo.

“Em todas as fases [da Operação Luz da Infância] conseguimos prender abusadores e produtores. Nessa fase não será diferente. Certamente terá produtores e, nesse caso, a pena é ainda mais severa”, informou.

 

Crime

O ministério ressalta que é crime armazenar, produzir e compartilhar material produto de exploração sexual infantil. No Brasil, a pena para quem armazena esse tipo de conteúdo varia de 1 a 4 anos de prisão. A pena pelo compartilhamento varia de 3 a 6 anos de prisão, vai de 4 a 8 anos pela produção de conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual.

Em coletiva à imprensa na manhã desta terça-feira, o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça, Alesandro Barreto, disse que o perfil dos criminosos abrange “pessoas acima de qualquer suspeita”, das “mais diversas classes sociais” e com idade que vai dos 17 a mais de 80 anos.

 

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Denúncias

Barreto fez um apelo para que a população use os canais de denúncia para relatar casos suspeitos desse tipo de prática criminosa. “As denúncias são muito importantes para as investigações ficarem mais robustas”, argumentou.

A população pode procurar a delegacia de polícia mais próxima ou ligar para o Disque 100, que recebe denúncias anônimas sobre violações de direitos humanos. A ligação é gratuita e o serviço está disponível 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

Barreto também destacou a importância de os pais estarem sempre atentos ao que os filhos consomem na internet.

“É muito comum aos pais instruírem seus filhos a não falarem com estranhos na rua. No entanto, esquecem de fazer o mesmo com relação à internet, que é um ambiente onde criminosos se fazem passar por crianças e acabam captando informações e dados”, explica o investigador.

Para evitar problemas desse tipo, ele sugere que os pais estabeleçam o controle parental tanto na internet como nos aplicativos de mensagens, redes sociais e jogos online utilizados pelas crianças e adolescentes.

“Os criminosos aproveitam todo e qualquer espaço onde haja crianças e adolescentes, para tentar atrair, pegar informações e obter imagens [íntimas]. É importante que os pais estejam sempre atentos para saber com quem o filho está falando e o tipo de serviço que o filho faz uso”, acrescentou.

De acordo com o coordenador da Secretaria de Operações Integradas, os riscos são menores quando os pais orientam os filhos sobre os riscos que correm nesse tipo de ambiente. “A cybereducação é muito importante para mitigarmos os efeitos danosos do abuso e da exploração sexual infantil”, completou.

 

Foto: Polícia Civil / Divulgação