Lava Jato cumpre mandados de prisão em São Paulo e no Rio

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A Polícia Federal em Curitiba, em cooperação com o Ministério Público Federal e com a Receita Federal, deflagrou nesta quarta-feira (08/05) a 61ª fase da Operação Lava Jato, denominada Disfarces de Mamom.  Segundo a PF, atualizando as informações, três funcionários do Banco Paulista S.A. foram presos – Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito.

Cerca de 170 policiais federais cumprem 3 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão em 35 locais diferentes nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba, a Capital Paranaense.

Desta vez, o objetivo foi apurar um grande esquema de lavagem de dinheiro praticado por altos funcionários do Banco Paulista. Eles, por meio da instituição financeira, faziam a contratação de empresas de fachada, que emitiam notas fiscais e contratos fictícios para justificar serviços não prestados e assim camuflar pagamentos feitos e recebidos pelo banco no exterior.

Uma vez pagos, tais empresas, com ajuda de doleiros remetiam numerário para exterior por meio de operações tipo dólar-cabo, conferindo assim aparência de legalidade às operações e obtendo, deste modo, dinheiro em moeda estrangeira com aparência legal.

Os presos são funcionários do Banco Paulista e, na época, um deles atuava na mesa de câmbio; outro era diretor da área de operações de câmbio  e o terceiro era diretor geral da instituição.

De acordo com a PF, a investigação apura a participação de executivos do Banco Paulista S.A em operações de lavagem de dinheiro do ‘Setor de Operações Estruturadas’ do Grupo Odebrecht – grupo empresarial envolvido em corrupção dentro e fora do Brasil, e que tem o seu presidente, Marcelo Odebrecht, preso em razão disso.

Segundo as investigações, entre 2009 e 2015, R$ 48 milhões foram lavados por meio da celebração de contratos falsos com o banco. Repasses de R$ 280 milhões do banco a empresas aparentemente sem estrutura também são investigados.

O fio da meada

As investigações tiveram início a partir de depoimentos e colaborações colhidas de três administradores de uma instituição financeira no exterior que atuavam ocultando capitais em operações criminosas em favor do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

A operação se reveste de uma peculiaridade e de uma especial importância, posto ser a primeira vez que a operação Lava Jato cumpre mandados diretamente na sede de um banco.

Os presos serão levados para a sede da PF em São Paulo, no bairro Lapa de Baixo e, posteriormente, transladados para a Superintendência do Paraná, onde serão interrogados.

 

Significado do nome da operação

O nome da operação remete a uma passagem bíblica “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6.24). Isso porque a instituição bancária envolvida, que deveria zelar pelo higidez do sistema financeiro no âmbito do qual ela estava inserida, valia-se de sua posição privilegiada dentro da estrutura financeira do mercado para a viabilização de atividades ilícitas.

Será concedida coletiva de imprensa, às 10h, no auditório da Superintendência Regional da PF em Curitiba, no Paraná.