“Jagunço”, suspeito de ter matado 100 pessoas pelo Tribunal do Crime do PCC, é preso pela Polícia Civil da Capital em Itaquá

Integrante do PCC é suspeito de matar 100 no chamado Tribunal do Crime

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Em uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (30/04), a Polícia Civil de São Paulo prendeu um dos integrantes do Tribunal do Crime, acusado de ser o “capataz” do PCC (Primeiro Comando da Capital), em Itaquaquecetuba, uma das cidades do Alto Tietê, região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo. Wislan Ramos Ferreira, o Jagunço, como é conhecido, integra a célula chamada de ‘Bonde dos 14″ da organização criminosa que age dentro e fora dos presídios.

Na casa em que o bandido estava, havia dois ferozes pitbulls vigiando. O policiais civis precisaram dar soníferos aos cães ferozes para invadir a residência, localizada no Jardim Odete II, e prender o criminoso.

De acordo com a Polícia Civil, o criminoso era procurado desde 12 de junho de 2019, quando policiais do Deic (Departamento de Investigações Criminais) apreenderam uma carta atribuída ao PCC ordenando a morte do delegado-geral da Polícia Civil paulista, Ruy Ferraz Fontes, e mais dois investigadores. A ordem teria partido diretamente de Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da organização criminosa, em retaliação por ter sido transferido da prisão paulista para uma federal de segurança máxima.

Essa carta estava com Sandro Cássio de Souza, o Carioca, preso e acusado de integrar a célula “Bonde dos 14” do PCC. Segundo a Polícia Civil, esse núcleo da facção é responsável pelo comando do tráfico de drogas na zona leste e por um arsenal usado em grandes roubos.

A ação foi comandada pela Equipe de Intervenção Estratégica (EIE) da 8ª Delegacia Seccional, de São Matheus, na Capital. Para o delegado Carlos Alberto da Cunha, responsável pela ação, Jagunço é suspeito de matar cerca de 100 pessoas. O policial afirmou que “50 ele matou com certeza”. As vítimas, acrescentou Cunha, “eram talaricos (homens que assediam mulheres casadas com outros presos ou criminosos), estupradores, delatores e pessoas com dívidas de drogas”.

Na coletiva de imprensa, o delegado disse que Jagunço era um assassino frio e cruel que andava sempre com uma metralhadora e um machado. E que o criminoso chegava até a decepar os rivais, além de ameaçar matar os parentes e amigos das vítimas que, por ventura, procurassem a polícia para denunciar os assassinatos cometidos por ele.

Segundo a Polícia Civil, a ação que culminou na prisão do criminoso foi fruto de uma longa investigação que durou cerca de quatro meses, e a partir da localização dele começou na quarta-feira (29/04) e foi concluída nesta quinta, quando chegaram a uma casa, no Jardim Odete II, em Itaquá, onde ele estava escondido.

Jagunço já esteve perto de ser preso em duas outras oportunidades, mas conseguiu fugir. Na primeira, ele foi localizado na Favela do Savoya, em Carapicuiba, quando para despistar a polícia ele se vestiu de gari, pegou uma criança e conseguiu se safar. A segunda ele estava com a esposa, grávida, e uma filha, mas bateu em vários veículos, abandonou as duas e conseguiu se safar. Desta vez ele não teve tempo de escapar.

Hélio Bressan, delegado da 8ª Delegacia Seccional de São Mateus, disse que as investigações não terminam com a prisão de Jagunço. “A segunda etapa é procurar os locais onde as vítimas foram mortas e enterradas. A Polícia Civil vai usar cães farejadores para auxiliar nos trabalhos”, revelou.

 

O Bonde dos 14

De acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo, uma célula do PCC, chamado de Bonde dos 14, é responsável por administrar e controlar tudo o que era da organização criminosa na Cidade Tiradendes e outros bairros da zona leste da Capital.

O MP apontou ainda que essa setor “se mantém basicamente pela exploração do tráfico de drogas, empréstimos de armas para execução de roubos de grande monta, ocultação de bens e valores, além de lavagem de dinheiro por meio de atividades ilícitas”.

 

Fotos: Helio Torchi Filmes