Pandemia: HC busca adolescentes para pesquisa sobre saúde física e mental

Objetivo de estudo do Instituto da Criança e do Adolescente é comparar respostas entre grupos sadios e com doenças crônicas

 

DE SÃO PAULO – O Instituto da Criança e do Adolescente (ICr) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está em busca de voluntários com idade entre 10 e 19 anos. O objetivo do estudo científico é avaliar o impacto do isolamento social e da quarentena em adolescentes com doenças crônicas pré-existentes.

Para participar, o pai, a mãe ou o responsável legal do adolescente sadio deverá enviar uma mensagem, via WhatsApp, para um dos quatros telefones: (11) 97579-1539, (11) 96117-7434, (11) 99187-3193 ou (11) 99430-2540.

Pode-se também fazer a inscrição por meio do link https://forms.gle/5198xS7fiTu7hWhC8. A previsão é acompanhar aproximadamente 500 adolescentes.

O responsável do adolescente sadio receberá uma ligação em que serão discutidos o projeto e a assinatura do Termo de Consentimento. Além disso, médicos e nutricionistas conversarão com o adolescente participante, para assinatura de Termo de Assentimento e apresentação de questionários, que poderão ser respondidos por conversa, WhatsApp ou computador.

O projeto é denominado “Impacto do isolamento social na saúde física e psíquica de adolescentes com doenças crônicas pré-existentes durante o enfrentamento da Covid-19 e um ensaio clínico randomizado de um programa online de treinamento físico aeróbio”. O estudo é coordenado pelos médicos Clóvis Artur Almeida da Silva e Lígia Bruni Queiroz.

Além de voluntários sadios, o projeto analisará portadores das seguintes doenças crônicas: doença inflamatória intestinal, hepatite autoimune, lúpus eritematoso sistêmico juvenil, dermatomiosite juvenil, artrite idiopática juvenil, glomerulopatias, doença renal crônica (estágios 3, 4 e 5) e em diálise, transplantados renais e hepáticos, doença celíaca e esofagite eosinofílica.

Reações ao isolamento

Os pesquisadores desejam avaliar as percepções dos adolescentes com doença crônica pré-existente em isolamento social frente à pandemia, analisar a segurança e a eficácia em um ensaio clínico randomizado de um programa de treinamento físico aeróbico online em adolescentes com doenças crônicas durante o isolamento social. Por fim, o objetivo também é verificar possível associação dos dados demográficos, alterações da saúde física e psíquica entre adolescentes com doenças crônicas versus adolescentes saudáveis em isolamento social.

Segundo a médica Lígia Bruni Queiroz, até o momento, não há estudos sistematizados que avaliaram o impacto do isolamento social e da quarentena na saúde física e psíquica de adolescentes com doença crônica pré-existentes, em especial imunossupressoras. “Assim como não há estudo longitudinal randomizado de treinamento físico, com modalidade de tratamento não farmacológico, por vídeos educativos online em adolescentes com doença crônica”, explica.

“Tendo em vista que indivíduos com doença crônica serão aqueles que sofrerão por mais tempo com medidas de distanciamento social e que devem aumentar incidência de inatividade física, é fundamental que se desenvolvam intervenções seguras e eficazes de manutenção de níveis adequados de atividade física e que possam ser implementados em larga escala”, afirma o professor Clovis Artur Almeida da Silva.