Hamilton vence no GP de Interlagos, em São Paulo, em uma corrida repleta de muita emoção

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE* – Não tem pra ninguém. Depois de largar na ponta e perder a posição para Max Verstappen, o piloto Lewis Hamilton, da equipe Mercedes, chegou em primeiro no Grande Prêmio do Brasil, no Autódromo  José Carlos Pace, em Interlagos, zona sul de São Paulo, na tarde deste domingo (11/11). Essa foi a segunda vez em sua carreira que o britânico venceu no GP do Brasil. A primeira foi em 2016. Hamilton acumulou o 10º triunfo na temporada e o 72º em sua carreira na Fórmula-1.

Hamilton voltou à ponta depois de um incidente envolvendo o piloto da Verstappen e Esteban Ocon. O holandês, em uma grande performance da Red Bull, foi para fora da pista. A manobra irresponsável de Ocon acabou com as chances do holandês vencer e quando voltou já tinha perdido a ponta, mas mesmo assim acelerou Verstappen e chegou em segundo. Nas arquibancadas de Interlagos ficou clara a preferência do grande público por Verstappen.

O terceiro colocado foi Kimi Raikkonen, que disputou seu último GP do Brasil de Fórmula 1 como piloto da Ferrari. o ano que vem ele volta à equipe Sauber. Sebastian Vettel, que largou na segunda colocação, terminou em sexto, enquanto o espanhol Fernando Alonso, que se despediu do GP do Brasil de Fórmula 1 neste domingo, cruzou a linha de chegada em penúltimo, à frente apenas de Lance Stroll, da Williams.

Esta foi a 37ª vez, o Autódromo de Interlagos recebeu a principal categoria do automobilismo mundial, e como era esperado proporcionou ultrapassagens, muita disputa e exigiu muito dos pilotos, carros e equipes. Como pentacampeão mundial, igual a Juan Manoel Fangio, Lewis Hamilton fez em São Paulo a sua primeira corrida após o quinto título.

Depois do GP em São Paulo, restará somente mais uma corrida para encerrar a temporada 2018 da Fórmula 1, e será no Circuito de Yas Marina, dia 25 de novembro, em Abu Dhabi.

Mercedes campeã de construtores

A vitória de Lewis Hamilton, de quebra, garantiu à equipe Mercedes o título do Mundial de Construtores pela quinta temporada seguida, que vai render uma polpuda premiação, de aproximadamente 100 milhões de euros.

Veja classificação final do GP do Brasil de Fórmula 1

P . Piloto Tempo Pts
1

L. Hamilton

Mercedes·#44
1:27:09.066 25
2

M. Verstappen

Red Bull·#33
+1.469s 18
3

K. Raikkonen

Ferrari·#7
+4.764s 15
4

D. Ricciardo

Red Bull·#3
+5.193s 12
5

V. Bottas

Mercedes·#77
+22.943s 10
6

S. Vettel

Ferrari·#5
+26.997s 8
7

C. Leclerc

Sauber·#16
+44.199s 6
8

R. Grosjean

Haas·#8
+51.230s 4
9

K. Magnussen

Haas·#20
+52.857s 2
10

S. Perez

Racing Point·#11
Mais 1 volta 1
11

B. Hartley

Toro Rosso·#28
Mais 1 volta 0
12

C. Sainz Jr.

Renault·#55
Mais 1 volta 0
13

P. Gasly

Toro Rosso·#10
Mais 1 volta 0
14

S. Vandoorne

McLaren·#2
Mais 1 volta 0
15

E. Ocon

Racing Point·#31
Mais 1 volta 0
16

S. Sirotkin

Williams·#35
Mais 2 voltas 0
17

F. Alonso

McLaren·#14
Mais 2 voltas 0
18

L. Stroll

Williams·#18
Mais 2 voltas 0
19

N. Hulkenberg

Renault·#27
Não concluiu 0
20

M. Ericsson

Sauber·#9
Não concluiu 0

*Com informações da FIA – Federação Internacional de Automobilismo

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Autódromo de Interlagos, a caminho do futuro

A maior reforma de Interlagos, que começou em 2014, segue este ano com mais uma etapa. O paddock e área dos boxes estão cada vez melhores para receber as provas do automobilismo brasileiro e o GP Brasil de Fórmula 1. O novo espaço reservado à imprensa nacional e internacional, os escritórios destinados às equipes e dirigentes, os acessos, mantém o circuito paulistano entre os melhores e mais tradicionais autódromos do mundo.

A corrida de Fórmula 1 do ano passado que marcou a primeira vitória de Lewis Hamilton em Interlagos foi um grande teste para o autódromo. A chuva intensa e intermitente exigiu a interrupção da corrida, a prova foi longa, difícil e o público não arredou pé. O asfalto cumpriu sua função drenando a água e permitindo que os carros completassem as 71 voltas. Apesar do volume de água, as instalações não foram afetadas.

Interlagos é Interlagos. E quem vence nessa pista – esse era um dos grandes sonhos de Lewis Hamilton – sabe que é marca importante no currículo.

A fama internacional da pista começou mesmo na década de 70. Depois de uma reforma essencial para adequar o traçado de 7,960 metros para corridas de monopostos, Interlagos viu surgir o primeiro campeão mundial de F1 pelo Brasil, Emerson Fittipaldi. Emerson venceu em 70 o Campeonato Internacional de Fórmula Ford. Em 71, o mesmo Emerson conquistou a vitória em uma corrida de Fórmula 2. Interlagos estava apto, então, para receber em 72 uma corrida extracampeonato de F1, vencida por Carlos Reutemann. Mas Emerson deu o troco no ano seguinte, ganhando o GP Brasil, já então somando pontos para o Mundial de F1. Emerson voltaria a vencer no ano seguinte, 1974, sob forte chuva, cabendo a José Carlos Pace a vitória em 1975, a única de sua carreira.

Depois, nos anos 90, veio a reforma do traçado para a volta da F1 a São Paulo. O circuito foi reduzido de 7,9 quilômetros para 4,3 quilômetros, de acordo com as exigências da categoria. A pista ficou mais curta mas o grau de dificuldade se manteve. E os carros passaram a correr mais tempo juntos, tornando as corridas mais interessantes para o público.

De 70 até hoje, Interlagos tornou-se o palco esportivo do maior internacional esportivo do Brasil, recebendo todos os anos a elite mundial da Fórmula 1, de Jackie Stewart a Michael Schumacher, de Nigel Mansell a Nelson Piquet, de Niki Lauda a Ayrton Senna.

As corridas de Fórmula 1 trouxeram visitantes ilustres como os artistas Gene Hackman, Ugo Tognazzi, Sydne Rome, Gael Garcia Bernal, Mick Jagger entre outros. José Carlos Pace foi dublê de Al Pacino em Interlagos, nas cenas de pista do filme ‘Bobby Deerfield’, do diretor Sydney Pollack, no GP Brasil de Fórmula 1 de 1976. Em 1979, foi o beatle George Harrison quem pontificou no autódromo paulistano, em sua visita ao Brasil.

Nas bandeiradas, Pelé e Gisele Bündchen marcaram forte presença cercados de fãs desde a chegada a Interlagos.

Nas histórias fantasiosas – ou nem tanto – velhos pilotos e chefes de equipe garantem que motores foram trocados em provas de longa duração e para que ninguém descobrisse, as unidades já utilizadas foram repousar no fundo do lago. Há até a história de um fantasma de uma mulher, vestida de branco, que costumava assombrar os pilotos na Junção, durante corridas noturnas.

Um autódromo de 78 anos pode ser atual? Claro. Desde que se atualize, respeitando a tradição.

A famosa Lotus preta, de Emerson Fittipaldi, o precursor de todos os brasileiros na Formula 1