Fevereiro teve 29,5% a mais de chuva nas cinco represas do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat), na região de Mogi das Cruzes

Choveu 29,5% mais que o esperado para os 29 dias de fevereiro de 2020

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Seguindo o ritmo de janeiro, o mês de fevereiro de 2020 novamente teve mais chuva que a esperada sobre as cinco represas do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat), na região de Mogi das Cruzes. De acordo com os dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a chuva aguardada para os 29 dias do mês era de 194,9 milímetros – mas choveu efetivamente 252,5 milímetros – ou seja, 29,5% a mais.

O Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) é composto pelos reservatórios de Ponte Nova e Paraitinga (amba em Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) e Taiaçupeba (entre Mogi das Cruzes e Suzano).

Ainda segundo a Sabesp, os cinco reservatórios juntos fecharam o dia 29 de janeiro de 2020 com 89,6% de água acumulada (de um total de 100% da capacidade total de armazenamento). Esse total de água guardada equivale a 502,15 h3  (hectômetros cúbicos). Como comparação, cada hectômetro cúbico equivale a 1.000.000.000 (um bilhão de litros) de água.

Expectativa para março de 2020, a média histórica de chuvas sobre as cinco represas da região de Mogi é de 172,8 milímetros. E se depender da previsão da meteorologia, neste primeiros dias do novo mês deve chover muito sobre toda a região.

 

Início de março será de chuvas intensas

Segundo a Climatempo, a previsão de chuvas sobre Mogi das Cruzes neste domingo, dia 1º, é de 15 milímetros; para segunda o volume previsto aumenta para 40 milímetros e na terça, dia 3 de março, para 50 milímetros. Se isso se confirmar, e essa chuvarada de 105 milímetros cair sobre as represas da região, somente nesta primeira semana mais que a metade dos 172,8 milímetros de pluviometria para março inteiro já terão sido cumpridos.

A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, explica as chuvas intensas esperadas para este início de março. “Grandes e persistentes áreas de instabilidade voltam a se organizar sobre o Sudeste nesta primeira semana de março de 2020, por causa de outra frente fria que chega na costa da Região neste domingo, 1 de março, e de áreas de baixa pressão atmosférica que se formam nos próximos dias no interior do Sudeste e também junto à costa de São Paulo e do Rio de Janeiro”, alerta. Além disso, segundo ela, a circulação de ventos na média atmosfera (em torno de 5 km de altitude)  também vai colaborar para formar e manter estas áreas de instabilidade sobre a Região Sudeste.

Josélia reafirma o alerta que já havia sido dado pela Defesa Civil do Estado, e publicado dias atrás pelo CORREIO INDEPENDENTE. “Entre os dias 1 e 6 de março, todos o estados da Região Sudeste podem ter vários eventos de chuva forte e volumosa. A chuva pode cair em pouco tempo, com raios e fortes rajadas de vento, mas também há previsão de situações de chuva moderada e prolongada por várias horas”, avisa.

E tudo isso é motivo de muita preocupação. Isso porque, segundo Josélia, há risco de alagamentos nos centros urbanos, transbordamento de rios e córregos e, deslizamento de terra em áreas de risco nos estados da Região Sudeste nesta primeira semana de março.

 

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Volume de água em cada um dos reservatórios do Spat

Embora o saldo total de água acumulada nas cinco represas juntas tenha fechado em 89,6%, o total de cada local não tem o mesmo nível de água. Veja então como ficou a situação em cada uma dos cinco reservatórios do Sistema Produtor Alto Tietê ao final de fevereiro.

Represa de Paraitinga: 98,33%

Represa da Ponte Nova: 98,48%%

Represa de Biritiba: 32,70%

Represa do Rio Jundiaí: 74,82%

Represa de Taiaçupeba:  89,92%

Total médio de ocupação de água mas 5 represas do Spat: 89,6%

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Saiba onde ficam as cinco represas do Sistema Alto Tietê (Spat)

O Sistema Produtor do Alto Tietê (Spat) é composto por cinco reservatórios: Ponte Nova e Paraitinga (amba sem Salesópolis), Biritiba (em Biritiba Mirim), Jundiaí (em Mogi das Cruzes) e Taiaçupeba (em Mogi das Cruzes e Suzano)conforme o mapa acima).
Essas represas são interligadas por cerca de 28 quilômetros de túneis e canais e contam com uma estação elevatória com capacidade para impulsionar 33 mil litros por segundo de água em um desnível geográfico de cerca de 120 metros.
O tratamento é feito na estação do Guajaú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.
Foto: Represa do Rio Jundiaí / Prefeitura de Mogi das Cruzes