Estádio Nogueirão, inaugurado por filho de Pelé e pai de Neymar, completa 25 anos em 31 de maio

Estádio Municipal mogiano foi inaugurado em amistoso entre o União Mogi e o Santos Futebol Clube

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – De um lado, o pai de Neymar, pelo time da casa. Do outro,o filho de Edinho, pelo visitante (foto acima, no detalhe). Essa foi a marca do amistoso entre o União de Mogi das Cruzes e o Santos Futebol Clube, no dia 31 de maio de 1.995, na inauguração oficial do Estádio Municipal Francisco Ribeiro Nogueira, o Nogueirão, na Vila Industrial, em Mogi das Cruzes. O resultado do jogo foi um empate em 1 a 1.

Os 25 anos dessa data passaram em branco em Mogi, município envolto na fase vermelha do Plano São Paulo de enfrentamento à pandemia do Coronavírus. Uma pena, pois algo poderia ter sido feito para marcar essa data.

Voltando ao jogo amistoso, do lado alvirrubro jogava Neymar, já com seus 30 anos, pai do então menino Neymar Jr, de apenas três anos, e que anos depois mudaria para a Baixada Santista e viria despontar no Santos para o mundo. Do outro, no time do Peixe, o goleiro titular era Edson Cholbi Nascimento, mais conhecido como Edinho, filho do Rei Pelé. O Santos estava na Divisão Especial (hoje, Série A-1), enquanto o União Mogi aparecia na Intermediária (atual A-2).

 

O Estádio Municipal

Antes de mais nada, é preciso lembrar que o estádio original do União Futebol Clube não era esse, e sim o saudoso da área na Rua Casarejos, no Mogilar – terreno que acabou sendo vendida e virou um centro comercial, onde hoje funciona o Mogi Plaza.

Sem estádio, o União acabou abraçado pela Prefeitura de Mogi das Cruzes que desde 1973 havia incorporado o local do Nogueirão ao patrimônio municipal. A área pertencia, desde 1942, para a Mineração Geral do Brasil, empresa que fabricava aço, que depois mudou de nome e passou a ser Cosim – Companhia Siderúrgica Mogiana.

Em 1957, o terreno foi transformado em um centro esportivo da empresa e recebeu o nome de Cavalheiro Nami Jafet – em homenagem ao dono da siderúrgica até 1973, quando passou para o patrimônio da cidade.

Tudo foi reconstruído e o estádio levou o nome do prefeito Francisco Ribeiro Nogueira, o Chico Nogueira, que havia morrido um ano antes, durante o seu mandato.

Em 2014, a Prefeitura de Mogi das Cruzes interditou o estádio para uma série de reformas -troca de gramado, mudanças no sistema de irrigação, implementação de drenagem, reforma nos vestiários, acréscimo de mini-campo para aquecimento, sala de fisioterapia e ampliação da área da imprensa. A reinauguração do moderno “Nogueirão”aconteceu no dia 20 de setembro de 2015. Esse estádio, aliás, foi elogiado pelo Grêmio de Footbal Portoalegrense. A equipe disputou a Copa São Paulo de 2019 na cidade (já havia estado aqui antes), durante um período em que todo o território paulista teve chuvas muito fortes, e mesmo assim o gramado era um enorme tapete, o que facilitou a vida dos gremistas.

Antigo estádio do União de Mogi, na Rua Casarejos, no Mogilar…
…que foi vendido e se transformou em um centro comercial, o Mogi Plaza
O Estádio Municipal Prefeito Francisco Ribeiro Nogueira, o Nogueirão, inaugurado no amistoso entre União e Santos, que depois foi reformado e modernizado

O jogo

O amistoso entre o União Mogi e o Santos, para a inauguração do Nogueirão, terminou com um empate por 1 a 1, com gols de Jamelli (Santos) e Da Silva (União Mogi). Para

Em entrevista ao site PapodePeso.Com, Neymar pai falou um pouco dessa partida. “Eu me lembro muito bem daquele amistoso e do duelo com o Edinho, porque era eu quem batia as faltas. E o cara não caia no chão. Tinha uma facilidade muito grande de chegar na bola sem precisar se jogar. Ele era tão rápido que parecia que eu tinha batido mal a falta”, lembra. “Para o nosso time foi uma grande festa. Vários ídolos do outro lado, o filho do Pelé. Era muito importante. Queríamos mostrar o nosso valor. Fiz de tudo para tentar ganhar, mas não tinha jeito. Era uma das maiores fases da carreira do Edinho”, concluiu Nemar pai.

O que era uma honra para os adversários chegou a atrapalhar Edinho no início da carreira. Por ser filho de quem é, a pressão sobre ele sempre foi grande. Mesmo jogando em posição completamente diferente, as comparações com o pai o perseguiram durante toda a sua carreira.

Para o mesmo site, Edinho também falou: “O assédio era grande. Havia muita curiosidade para me ver de perto. Além disso, tem o próprio fato de eu ter sido goleiro. Eu era jovem, mas sempre que entrava em campo, em amistoso ou jogo oficial, tinha a responsabilidade de ser o filho do Pelé”, afirmou Edinho na ocasião. Pelo Santos, iniciou a carreira em 1991 e saiu no ano seguinte. Em 94, voltou e ficou até 98. Além do Peixe, Edinho defendeu São Caetano e Ponte Preta.

Já Neymar pai – cujo filho Neymar Jr nasceu em Mogi das Cruzes – rodou bastante pelo Brasil. Defendeu clubes de expressão, como Coritiba e Paraná Clube. E como ele mesmo diz, atuou em quase todos os “enses” do interior: Catanduvense, Linense, Lemense, além de Portuguesa Santista, Operário-MT, Bragantino, entre outros, além do União de Mogi das Cruzes.

 

Ficha técnica

União Mogi 1 x 1 Santos – Amistoso
Data: 31 de maio de 1995;
Local: estádio Francisco Ribeiro Nogueira, em Mogi das Cruzes;
Gols: Jamelli (Santos); Da Silva (União Mogi);
Cartões vermelhos: Marcelo Fernandes (Santos) e Márcio (União Mogi).

União Mogi: Haroldo; Alberto, Ricardo, Renato e Márcio; Binha, Gílson (Da Silva), Jocimar e Neymar; Servílio e Sandro. Técnico: Waldir Peres.

Santos: Edinho (Robson); Silva (Ronaldo), Maurício Cupertino (Camilo), Marcelo Fernandes e Marcos Paulo; Gallo, Cerezo, Carlinhos e Jamelli (Rogério); Camanducaia (Marquinhos) e Demetrius. Técnico: Joãozinho.

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NOTA DA REDAÇÃO – Nesse dia, eu, Paulo Quaresma, e o fotógrafo Edgard Filho, fomos cobrir o amistoso de inauguração do Nogueirão, em Mogi, que ainda não era a atual e moderna praça de esportes. Na época, eu era editor-chefe – e também repórter, do JBC Notícias, entre outros empregos – coisa normal para quem atua na área de comunicação. Para mim, santista de nascimento e santista de time de futebol, foi um misto de cobertura com tietagem dos ídolos do Santos. Era a minha terra e o meu time na cidade em que escolhi para morar. E, claro, também aproveitar para falar como pessoal do União.

Lembro que o Edinho, filho do Rei Pelé, posou especialmente para o nosso jornal, durante o aquecimento, fotos que ganharam espaço especial na página Alternativa, então assinada pelo meu colega Edgard Filho, e também no noticiário esportivo. Confesso que na ocasião não sabia quem era o meio campista Neymar, que tinha em sua casa, em Mogi, a joia que anos depois levou o Santos a vários títulos, virou internacional, hoje joga no Paris Saint Germain e deve retornar ao Barcelona.

Infelizmente, não tenho mais os registros físicos dessa noite especial. Mas está tudo devidamente guardado na lembrança. Volto e meia falo com o Edgard, que está longe da cidade, e vou ver se ele ainda guarda os registros – todos em filme, única tecnologia da época.

 

Fotos: Issac Grinberg, historiador; Prefeitura de Mogi das Cruzes; site PapodePeso.Com