Domingo, dia 1º, tem peças teatrais “Hachi no ki” e “Hagoromo”, gratuitas, no Casarão do Chá

Casarão do Carmo fica na Estrada do Nagao, com acesso pelas rodovias Mogi-Bertioga e Mogi-Salesópolis

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Duas peças teatrais japonesas da arte Nô serão apresentadas na tarde deste domingo (1º/12) no Casarão do Chá, durante um encontro realizado por dois grupos culturais. As peças apresentadas serão  “Hachi no ki (As árvores em vasos) e “Hagoromo” (O manto de plumas).

É o  11º Encontro de Nôgaku – Imin Nô, gratuito para todas as idades, que começa às 16h30 e vai até às 17h, realizado pelos grupos Houyou Kai e Yoroboshi Za com a Associação Casarão do Chá. O evento homenageia o mestre Masakuni Yamaguchi, que vai se aposentar após uma vida inteiramente voltada ao estudo do teatro Nô.

O que é o teatro Nô

Um espetáculo que não começa com o abrir das cortinas nem se desenvolve ao redor de um cenário, o teatro Nô concentra a arte da interpretação nos pilares da música, do movimento e do canto.

Ao fundo do palco, há apenas a imagem de um pinheiro que indica que a peça se passará em um mundo espiritual. Entre máscaras e instrumentos como o flautas e tambores, o Nô revela o lado tradicional da cultura japonesa marcado pelo simbolismo e pela simplicidade.

O teatro Nô valoriza a presença do espectador, pois é ele quem vai criar a interpretação do que acontece ao redor, com a sua forma de ver e escutar a peça. “Trata-se de uma arte integrada com elementos de dança, música e canto.

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em 2011 reconheceu a técnica como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade.

Saiba um pouco sobre os dois espetáculos

Hachi no ki (As árvores em vasos) – Peça popular no Japão, o protagonista é o samurai Sano Genzaemon Tsuneyo. Ao redor da aldeia de Sano, um monge viajante sofria pela forte nevasca. Decidiu pedir para passar uma noite em uma casa pelo caminho. A esposa dessa casa recusa, pois o marido está ausente. O marido ao retornar, também recusa a proposta dizendo que a casa era muito pobre. Mas convencido pela esposa, chama de volta o monge que partia na neve.

O casal não tinha nada a oferecer, mas cozinharam arroz com kuri e quando o fogo do irori está prestes a apagar, cortam o tesouro da família que eram três bonsais para reacender a fogueira e dar conforto ao monge. Ao ser questionado sobre seu nome, o proprietário revela que é Sano Genzaemon Tsuneyo e está disposto a lutar por Kamakura em qualquer momento.

Após o monge partir, após o ano novo, na primavera chega um toque de convocação para Kamakura. Tsuneyo parte e ao chegar, é conduzido para um encontro com Shogun Hojô Tokiyori. Tokiyori revela ser o monge da noite nevada e entrega a Tsuneyo três territórios equivalentes as três árvores que serviram de lenha. Feliz, o samurai retorna a Sano.

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Hagoromo (O manto de plumas) – A peça Hagoromo ( 羽衣 O Manto de Plumas) é uma das mais clássicas peças do Teatro Nô. Foi escrito por Motokiyo Zeami (1363-1443), principal nome do teatro nô e também o maior artista do período Muromachi (1336-1573).

A protagonista de Hagoromo, a Tennin (天人) é um anjo celestial, ou como o poeta Haroldo de Campos a definiu, “uma ninfa lunar”.

Num dia ensolarado, a Tennin é atraída pela beleza da Baía de Miho, nas proximidades do monte Fuji. Distraída pelo esplendor do local, ela retira seu manto de plumas (Hagoromo) e o pendura sobre um ramo de pinheiro. Um pescador que mora nas redondezas, chamado Hakuryô, encontra o manto e se apodera da magnífica peça. Ao perceber o furto, Tennin suplica ao pescador que o devolva, pois sem o manto ela não poderia voar e retornar ao paraíso da lua.

O pescador responde que só devolverá o Hagoromo se a ninfa apresentar uma de suas danças celestiais. A ninfa alega que não poderá dançar sem o manto. O pescador reluta e a contesta, dizendo que, ao recuperar o manto, a ninfa fugiria para os céus sem realizar a dança.

Como as suas forças chegando ao fim, Tennin lhe responde: “Só os homens duvidam. Falsidade não é coisa do céu”. Envergonhado, o pescador lhe devolve o manto de plumas. Feliz por reavê-lo, o anjo realiza então lindas danças de celebração e bênçãos para alegrar a humanidade aflita. Ao final da peça, ela desaparece no céu de forma esplendorosa, tendo ao fundo, o monte Fuji.

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Serviço

11° Encontro de Nôgaku – Imin Nô
Data: 01/12/2019 –
Horário: das 15:30h às 17h
Entrada Franca.
Local: O Casarão do Chá fica na Estrada do Chá, s/nº, em Cocuera. O acesso é pela Estrada Fujitaro Nagao, km 3. Essa estrada liga outras duas rodovias, a Mogi-Bertioga e a Mogi-Salesópolis. Mais informações pelo telefone 4792-2164.
Email: acasaraodocha@gmail.com

 

XI Encontro de Nôgaku