Mais de 15 mil pessoas se despedem das vítimas do massacre da Escola Raul Brasil em Suzano

Desde às 7h, mais 15 mil pessoas passaram pela Arena Suzano no adeus às vítimas do massacre ocorrido na escolana manhã da quarta-feira, 13

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * –  Debaixo de uma chuva intensa, foram sepultados na tarde desta quinta-feira (14/03) a maioria das vítimas mortas na Escola Estadual Raul Brasil, ocorrido na manhã da quarta (13/03), quando dois ex-estudantes do estabelecimento iniciaram um massacre, que resultou em dez mortes – incluindo os dois – além de mais de uma dezena de feridos. Ao se verem acuados por policiais militares, um dos atiradores acabou matando o comparsa e depois cometeu suicídio.

 

Foram velados na Arena Suzano, no Parque Max Feffer, os corpos dos estudantes Caio Oliveira, 15 anos; Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos; Kaio Lucas Costa Limeira, 15 anos; e Samuel Melquiades, 16 anos, além da coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Umezo, 59 anos, e da funcionária Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos. O estudante Douglas Murilo Celestino, por motivos religiosos, está sendo velado em uma igreja da Assembleia de Deus.

 

Os atiradores Luiz Henrique de Castro, 25 anos, e Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, não foram velados. Segundo apurou o CORREIO INDEPENDENTE, não houve velório para Guilherme. O corpo dele saiu direto do Instituto Médico Legal (IML) de Mogi das Cruzes – cidade vizinha a Suzano – e chegou ao outro cemitério suzanense, o São João Batista, conhecido como Cemitério do Raffo, em alusão ao bairro onde está localizado, à beira da Rodovia Índio Tibiriçá (SP-031),na periferia da cidade. Isso ocorreu às 13h12. Acompanhado por uma viatura da Polícia Militar, somente quatro pessoas, incluindo a mãe do garoto, estiveram no sepultamento.  Sobre Luiz Henrique não há informações.

 

Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, dono da locadora de veículos, e tio do Guilherme, também foi velado e sepultado em outro local.

 

Apenas um dos estudantes não foi velado na Arena, mas em uma igreja evangélica.

 

Por último, saiu da quadra da Arena Suzano, o corpo do estudante Claiton Antonio Ribeiro, porque a família aguardava a chegada de um irmão que está vindo da Bahia. As 18h49 o corpo dele chegou na capela do Cemitério São Sebastião, onde foi feita uma oração antes do sepultamento, que aconteceu às 198h16. O limite de horário para sepultamentos é sempre às 17 horas, mas diante dessa tragédia a prefeitura da cidade abriu uma exceção.

 

O corpo da coordenadora pedagógica da escola, Marilena Ferreira Umezo, saiu em cortejo da Arena Suzano foi para a Igreja São Sebastião, a Matriz de Suzano. A família espera pela chegada de um filho da vítima, que ve da China para Suzano. A previsão é de que ela seja sepultada no sábado.

 

Veja como foi a ordem dos cortejos:

– 15 horas – Samuel
– 15h30 – Kaio Lucas
– 16 horas – Caio Oliveira
– 16h30 – Eliana
– 17h00 – Marilena
– 17h30 – Claiton (atrasou, em razão da espera da chegada de um irmão, que vio da Bahia

 

Mais de 15 mil pessoas passaram pelo velório, na Arena Suzano

A Prefeitura de Suzano informou, por meio de um comunicado, que entre 7 e 18 horas desta quarta-feira (14/03) mais de 15 mil pessoas passaram pela Arena Suzano, no Parque Municipal Max Feffer, onde foi realizado o velório de seis vítimas do ataque armado à Escola Estadual Professor Raul Brasil, ocorrido na manhã desta quarta-feira (13/03).

 

Cerca de 50 profissionais da rede municipal de saúde prestaram atendimento no local do velório, entre médicos psiquiatras e clínicos gerais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e assistentes sociais.

 

Pela manhã, o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, recepcionou o ministro da Educação, professor Ricardo Vélez Rodríguez, e o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares. Na oportunidade, o chefe do Executivo suzanense propôs medidas de segurança, como, por exemplo, a atuação de policiais militares da reserva nos setores administrativo das escolas estaduais.

 

Às 11 horas foi celebrada uma missa com o padre Cláudio Taciano, da Igreja Matriz São Sebastião, e às 14 horas um ato ecumênico teve à frente o bispo Júlio Vertulo, da Igreja Mundial Cristã, e o bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, da Diocese de Mogi das Cruzes (leia mais abaixo), em memória das vítimas Marilena Ferreira Vieiras Umezo (funcionária)Eliane Regina Oliveira Xavier (funcionária),Kaio Lucas da Costa Limeira (estudante)Claiton Antonio Ribeiro (estudante)Samuel Melquiades Silva de Oliveira (estudante) eCaio Oliveira (estudante).

 

Foto do destaque: Reprodução Brasil Urgente / Band

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Bispo pede paz em velório de vítimas de atentado em Suzano

Daniel Mello – Enviado Especial  Suzano – O bispo de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, fez um apelo para que as pessoas priorizem a paz, durante a celebração do ato ecumênico em homenagem às vítimas do atentado na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano. A cerimônia ocorreu no início da tarde desta quinta-feira (14/03) na quadra da Arena Suzano, no Parque Max Feffer, onde estão sendo velados seis dos dez mortos durante o tiroteio.

 

“A paz é fruto da justiça”, disse dom Stringhini diante do auditório cheio. Enquanto as famílias se despediam das vítimas em volta dos caixões, colocados no centro da quadra esportiva, uma fila de pessoas passava ininterruptamente para prestar as últimas homenagens. Um número significativo de pessoas também permanecia nas arquibancadas velando os mortos. “A gente espera que as famílias se sintam reconfortadas com tamanha presença”, disse dom Stringhini diante da multidão.

 

O bispo pediu que as pessoas se mantenham firmes para “construir a cultura da paz”, por mais que existam forças que empurrem a sociedade no sentido contrário. “Por mais que os ventos sejam desfavoráveis, que tenhamos maus exemplos, inclusive as declarações que vem de cima, nosso caminho não será desviado. Não vamos acreditar que a violência vence”, disse durante o sermão.

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Equipe do governo federal veio a Suzano para oferecer apoio às vítimas

 

Letycia Bond – Agência Brasil – Brasília – Uma comitiva do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) prestou apoio aos familiares das vítimas do tiroteio ocorrido na manhã desta quarta-feira (13/03), na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, no Alto Tietê – região que ocupa a porção leste da Grande São Paulo. A equipe do governo federal deve contribuir com um plano de ações educativas que promovam uma cultura da paz e da não-violência. Atualmente, a rede pública de ensino local atende a 26 mil alunos.

 

As diretrizes do plano serão definidas amanhã (15), a partir de um encontro entre educadores da cidade. Segundo a assessoria de imprensa do MMFDH, a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Petrúcia Melo, integra a comitiva e tem reuniões marcadas com o governador de São Paulo, João Dória, e autoridades locais.

 

“Estamos profundamente entristecidos com essa tragédia. A nossa presença será de solidariedade e apoio aos atingidos direta ou indiretamente pelo caso”, declarou a secretária.

 

Embora os termos do plano de ação sejam estabelecidos somente nesta sexta-feira, já foi anunciada a criação de um Centro de Apoio às Famílias, por meio do qual será oferecido atendimento psicológico aos envolvidos na tragédia. O serviço, informou o governo federal, será mantido a partir de uma parceria firmada com universidades públicas.

 

Durante o ataque, dez pessoas morreram e 11 ficaram feridas. Os atiradores foram identificados como Luiz Henrique de Castro, 25 anos, e Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, ambos ex-alunos da instituição.