Conteúdo violento no Facebook aumenta quase 10 vezes em um ano; rede tem várias culpas

 

Jonas Valente – Agência Brasil – Brasília – O número de publicações com conteúdo violento punidos por violar as regras do Facebook aumentou quase 10 vezes em um ano, saindo de 3,4 milhões no primeiro trimestre de 2018 para 33,6 milhões entre janeiro e março de 2019. O balanço foi divulgado pela plataforma no documento Relatório de Transparência, que traz números relativos a providências tomadas em relação a posts de usuários a partir de suas regras internas.

Leia mais abaixo posição do CORREIO INDEPENDENTE sobre os vários erros do Facebook.

Do total de 33,6 milhões conteúdos violentos punidos, 171 mil foram objeto de reclamações questionando a retirada e solicitando a retomada. Cerca de 70 mil mensagens foram republicadas, sendo 24 mil após o recebimento de reclamação e 45 mil por iniciativa própria do Facebook.

As sanções foram tomadas com base nos “Padrões da Comunidade”, uma das normas internas da rede social, juntamente com os “Termos de Serviço” e as “Políticas de Privacidade”. Os “Padrões da Comunidade” são formados por um conjunto de regras que definem o que é proibido e o que é passível de sanção pela companhia.

São vetados, por exemplo, posts com nudez, imagens de violência extrema, de suicídio ou auto-mutilação, vendas não autorizadas, mensagens de apoio a causas ou grupos terroristas e discurso de ódio. Com base nesses parâmetros, o Facebook monitora as publicações de seus usuários, bem como recebe denúncias dos usuários apontando violações às regras.

Entre as providências tomadas estão a cobertura de publicações com avisos (como indicando que se trata de conteúdo violento), a remoção de um conteúdo, a suspensão de uma conta ou até mesmo o repasse da denúncia para autoridades quando se tratar de um crime. No caso de notícias falsas, não há remoção, mas limitação do alcance no newsfeed dos usuários.

Além dos conteúdos violentos, a empresa também puniu mensagens com discursos de ódio. O número de publicações removidas, marcadas ou cujos autores tiveram as contas suspensas saiu de 2,5 milhões para 4 milhões na comparação entre o primeiro trimestre de 2018 e de 2019.

Os posts de propaganda terrorista punidos com medidas deste tipo também subiram no mesmo período: saíram e 1,9 milhão no primeiro trimestre de 2018 para 6,4 milhões nos primeiros três meses de 2019. Quase a totalidade das medidas foi resultante de iniciativa própria do Facebook a partir da filtragem que realiza dos conteúdos publicados.

Os relatórios de transparência são divulgados periodicamente pela plataforma. Eles estão disponíveis na rede.

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NOTA DO CORREIO INDEPENDENTE

Mesmo com essa suposta preocupação, o Facebook não impediu, no entanto, que um ataque terrorista com vários mortos fosse colocado AO VIVO, na chamada Live, no atentado a mesquitas na Nova Zelândia. Não impediu, também, que vários grupos de esquerda usassem ao extremo suas páginas em anos anteriores, mas bloqueou grupos de centro direita – ou seja, utilizou dois pesos e duas medidas.

Outro fato que vem ocorrendo com muita frequência são os perfis falsos. Este jornalista, Paulo Quaresma, recebe pelo menos entre cinco e seis pedidos de amizade por semana, 90% deles falsos, pois isso é possível detectar pela falta de “vida” dessas supostas pessoas, sem nada ou quase nada na linha do tempo, mas que acabam sendo aceitas por amigos das pessoas que eles tentam atrair. Esta na hora da rede do senhor Mark Elliot Zuckerberg criar mecanismos de defesa dos seus usuários, pois não há almoço de graça. Isto é, enquanto ele oferece o Facebook para todos utilizarem, ganha bilhões de dólares com isso, em forma de propaganda gerada pelas preferências das pessoas.

Outro erro – este também muito grave – do Facebook é quanto aos vazamento de dados pessoais para corporações, cujo único interesse é ganhar dinheiro – e muito dinheiro. Até agora, a rede já recebeu processos em várias partes do mundo, incluindo os Estados Unidos e a Europa, que não toleram o que é tolerado nos países do terceiro mundo, incluindo aí o Brasil.