Condemat discute atendimento às vitimas de violência nas delegacias

Mogi pode ter, até o final do ano, a primeira Delegacia da Mulher com plantão de 24 horas no Alto Tietê

 

DE MOGI DAS CRUZES – Nesta sexta-feira (06/03) – antevéspera do Dia Internacional da Mulher – o Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê) sediou uma reunião com representantes das Delegacias Seccionais de Mogi das Cruzes e Guarulhos que teve como tema principal o atendimento às mulheres vítimas de violência nas delegacias da região. O encontro teve a participação dos integrantes das Câmaras Técnicas de Segurança e de Assistência Social e Políticas Públicas para Mulheres.

Na área do Condemat, que conta com 12 cidades e mais de três milhões de habitantes, existem apenas três Delegacias de Defesa da Mulher, que funcionam em Guarulhos, Mogi das Cruzes e Suzano. Mas na maior parte dos casos, as vítimas de violência doméstica precisam recorrer aos Distritos Policiais. Até porque nenhuma dessas unidades especializadas tem atendimento à noite e nos finais de semana.

O delegado Júlio Vaz informou que a Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, que responde por oito das 12 cidades do Condemat, está em andamento com o processo para implantar o Plantão 24 Horas na Delegacia da Mulher de Mogi. A expectativa é de que isso possa acontecer ainda neste ano e será a primeira unidade em todo o Alto Tietê com esse modelo de funcionamento.

“O funcionamento da Delegacia da Mulher com plantão 24 horas é uma diretriz do atual governo. Vamos começar com Mogi das Cruzes e aguardamos apenas a designação de novos delegados para efetivar isso”, informou o delegado seccional assistente, ao comentar que uma turma nova de delegados terminará o curso ainda neste primeiro semestre, mas ainda não se sabe quantos serão destinados para a Seccional de Mogi das Cruzes.

“Há também a expectativa de instalação da Delegacia da Mulher em Itaquaquecetuba. A pretensão é desenvolver o início das atividades ainda no primeiro semestre”, acrescentou.

Em Guarulhos, a delegada Luciana Lopes ressaltou que também existem vários pleitos para o funcionamento 24 horas da Delegacia da Mulher, mas ainda não há prazo para que isso aconteça. As dificuldades na Seccional de Guarulhos também se concentram principalmente na carência de recursos humanos. Isso inviabiliza, inclusive, a instalação da Delegacia da Mulher de Arujá, onde a unidade está montada, mas não tem efetivo para sua operação.

“Recursos humanos hoje é a nossa maior dificuldade”, disse a delegada.

Os delegados discutiram com os representantes municipais algumas estratégias para otimizar e melhor atender as mulheres vítimas de violência. Uma das propostas é a presença de psicólogos nas delegacias, inclusive nas especializadas. “Como não há Delegacia da Mulher em todas as cidades e mesmo nas que têm o funcionamento não é 24 horas, está se buscando o atendimento diferenciado para as mulheres em todas as delegacias do Alto Tietê e a presença de psicólogos ajudará muito”, disse o delegado Júlio Vaz.

Também se discutiu a possibilidade de liberação de acesso ao sistema para que unidades fora das delegacias, sob a responsabilidade das prefeituras, possam fazer os registros de casos, com exceção dos flagrantes.