Com uma machadinha no peito, estudante do Raul Brasil perccorreu 300 m a pé para ser socorrido em Hospital de Suzano

 

Por Flávia Albuquerque – Enviada especial da Agência Brasil – Suzano – O estudante José Vitor Ramos Lemos, 18 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio, foi atingido por um dos atiradores com uma machadinha. Mesmo ferido, ele correu para o Hospital Santa Maria, que fica a uma quadra da Escola Estadual Raul Brasil, onde houve o massacre.

Aliviada depois de saber que o filho já tinha sido atendido, a dona de casa Sandra Regina Ramos disse que o estudante está bastante abalado. “Ele está chorando muito. A pressão está subindo demais, mas é uma coisa normal porque ainda está muito prematuro. Ele não quer ficar sozinho”, afirmou. “Ele me disse: ‘Mãe, não aguento fechar o olho que eu vejo tudo que aconteceu’”, relatou a mãe do jovem.

Para a mãe, José Vitor contou que ouviu muitos tiros e correu para o lado errado, indo ao encontro dos atiradores. “Ele me disse que soltou a mão da namorada e saiu correndo. Só que ele correu para o lado oposto. Em vez de correr para tentar pular o muro, ele correu para a porta onde estavam os meninos. Quando ele chegou à porta, um [dos atiradores] segurava a porta e de longe ele jogou a machadinha. Pegou entre o ombro e a cervical [de José Vitor]”, descreveu.

Segundo Sandra Regina, os autores do crime Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, que são ex-alunos da escola, moram perto de sua casa e, provavelmente, os jovens devem se conhecer. “Talvez ele não tenha reconhecido pelo fato de [o atirador] estar de máscara. Geralmente adolescente um conhece o outro”, apontou.

 

 

 

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Sobreviventes se esconderam na despensa da escola durante tiroteio

 

Porta da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, onde dois ex-estudantes praticaram um massacre e se suicidaram – Reprodução SBT

 

A estudante Quelly Mileny, 16 anos, sobreviveu aos atiradores da Escola Estadual Prof. Raul Brasil, em Suzano, escondendo-se com outros colegas na despensa do colégio. “A gente estava indo merendar no refeitório, quando ouviu os tiros. No segundo tiro, a gente saiu correndo, e o lugar mais perto era a cozinha. Da cozinha, as tias nos colocaram no armazenamento de alimentos”, contou.

Quelly Mileny disse que havia pelo menos 30 alunos no local e que ficaram escondidos por cerca de 15 minutos. “Tinha gente até embaixo da mesa”, disse à Agência Brasil.

Segundo a estudante, o grupo ligou para a polícia e para os pais, tentando avisar o que estava acontecendo na escola. “Ficamos ali esperando até que a porta foi aberta. A gente achou que eram os atiradores, mas era a polícia”, relatou.

 

Policiais são vistos na escola Raul Brasil após um tiroteio em Suzano em São Paulo
Policiais na Escola Raul Brasil após o tiroteio em Suzano em São Paulo –
REUTERS/Amanda Perobelli

 

Ao lado da mãe, Quelly disse estar assustada, mas também aliviada. “Foi só Deus. Dali, eu nem via muita saída. Pensava: ‘Daqui a pouco eles vão entrar aqui porque sabem que tá todo mundo aqui’. Comecei a orar, pedir a Deus e foi só Ele para poder me livrar dali”, lembrou.

Aluna do 2º ano Ensino Médio, Quelly aguardava na porta da escola, no início desta tarde, por notícias de colegas que poderiam ter sido atingidos pelos tiros. “Eu tenho um amigo bem próximo que estava na entrada da secretaria. Estou muito preocupada porque dali não tinha muito como ele correr”, disse.

Os dois atiradores chegaram à escola por volta das 9h30 da manhã de hoje, durante o intervalo de aulas, e atiraram contra funcionários e estudantes. Dez pessoas, incluindo os atiradores, morreram no atentado.   (FA / AB)